terça-feira, 15 de março de 2022

Não concordo (30): Estimular a inflação

Embora provavelmente exagerado pelos interessados, o panorama de subida de preços de muitos produtos no retalho alimentar e de escassez de alguns deles não vai tardar a gerar reivindicações de subsídio público dos preços e de restrição no seu abastecimento.

A subsidiação não me parece boa ideia, não somente pelo seu custo orçamental, mas sobretudo porque o subsídio ao consumo de bens escassos apenas vai estimular a subida dos respetivos preços, agravando a pressão inflacionista, em prejuízo de todos os consumidores. Melhor será preparar medidas de ajuda às pessoas mais carenciadas e, se for caso disso, atuar preventivamente sobre as tentações de açambarcamento e de especulação, que as situações de insegurança quanto ao abastecimento sempre geram.

Adenda
Um leitor argumenta que «a "ajuda às pessoas mais carenciadas" tem precisamente o mesmo defeito - estimular a inflação -, pois dar dinheiro a algumas pessoas faz aumentar o poder de compra total da sociedade, o que inevitavelmente leva a uma subida dos preços». Discordo de todo: uma coisa é subsidiar um produto para toda a gente e outra é subsidiar um pequeno conjunto de pessoas de baixo rendimento, que sem esse subsídio não teriam acesso a bens essenciais, por causa do seu encarecimento extraordinário. É uma questão elementar de justiça social.

Adenda 2
Governo anunciou uma nova prestação social para apoiar famílias mais pobres na compra de alimentos. Uma medida correta, como defendi acima.