1. Segundo estes dados do FMI, em seis anos, de 2020 a 2026, Portugal alcançou uma notável redução do peso da dívida pública no PIB, de 134% para cerca de 86% (quase 50 pp), mercê de bem-sucedida disciplina orçamental (1.º excedente orçamental em 2019, cortesia Mário Centeno) e de crescimento da economia (que a estabilidade financeira estimulou e o PRR ajudou), passando do 3.º lugar para o 7.º entre os países da UE mais endividados. Melhor do que isso só a Grécia, com mais de 70 pp de redução, mas partindo de valores bastante mais elevados e mantendo-se com a 2ª mais elevada dívida pública.
Confiemos que este caminho de redução acentuada do peso da dívida pública não seja posto em causa — como alertei AQUI — por uma política orçamental imprudente, que, numa errada opção de política orçamental procíclica, tem preferido aumentar a despesa pública acima do crescimento da economia, em vez de apostar num excedente orçamental mais robusto, com os inerentes benefícios, designadamente quanto à redução da dívida pública e do seu custo.
2. Em contrapartida, dos países da UE, o único caso deveras preocupante é a França, que aumentou substancialmente o peso da sua dívida pública, sendo agora o 3.º país mais endividado e sem medidas de correção à vista, mantendo défices orçamentais elevados, agravados pelo excessivo peso da fatura das pensões, devido à insustentável manutenção da idade da reforma aos 62 anos.
Estando já sob «procedimento por défice excessivo» (PDE) da UE, desde 2024 — situação em que Portugal se encontrou entre 2009 e 2017 —, a França já não pode contar com ajuda do BCE na compra de obrigações da sua dívida — que se apresenta com taxas de juro cada vez mais elevadas —, dependendo exclusivamente de si mesma para corrigir a situação.
Com agitação política vigente no país e com as perspectivas sombrias das eleições presidenciais no próximo ano, a hipótese de uma crise da dívida pública em França (a 2.ª economia da União) não pode deixar de constituir um dos pesadelos da UE neste momento.







