1. Passados dois dias da 1ª volta das eleições presidenciais, é tempo de os candidatos que ficaram para trás anunciarem, quer na qualidade de de ex-candidatos, quer na de "cidadãos públicos", qual é a sua opção para a 2ª volta, não sendo compreensível o silêncio prolongado de alguns, como Marques Mendes e Gouveia e Melo.
Não se trata obviamente de "transferirem" o voto dos seus eleitores - de que não são donos -, mas sim de satisfazerem a sua natural expectativa quanto a saberem em que vão votar aqueles em quem confiadamente votaram na 1ª volta. É também uma questão de transparência e de confiança política.
Sem forçar a nota, julgo mesmo que os seus eleitores (entre os quais me conto) têm o direito de saber em quem, afinal, votaram.
2. É certo que, no caso de Marques Mendes e de Gouveia Melo, só é de presumir o voto em A. J. Seguro, mas convém que o declarem publicamente, e quanto antes. Tenho a certeza de que, se um deles estivesse na disputa da 2ª volta e Seguro tivesse ficado de fora, este já teria anunciado o voto neles.
A disputa não podia ser mais clara, como mostrei AQUI, e nenhum deles pode "lavar as mãos" da questão, como fizeram Montenegro e Cotrim de Figueiredo, deixando de proclamar a sua preferência pela democracia liberal contra a autocracia antiliberal, pelo Estado de direito constitucional contra o abuso de poder à margem da Constituição, por uma magistratura presidencial em nome de todos os portugueses contra um Presidente que exlui à partida grupos de portugueses por razões étnicas ou políticas.
Não se trata somente de derrotar Ventura e vedar-lhe o caminho para Belém, mas também de evitar que obtenha uma votação muito acima da já elevada que obteve na 1ª volta, reforçando a sua posição política e os seus meios de desestabilização política. Nesta grave encruzilhada do regime democrático-constitucional - que este ano celebra meio século -, as vozes de Marques Mendes e de Gouvia e Melo têm de se fazer ouvir.