terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Eleições presidenciais 2026 (40): Por que esperam!?

1. Passados dois dias da 1ª volta das eleições presidenciais, é tempo de os candidatos que ficaram para trás anunciarem, quer na qualidade de de ex-candidatos, quer na de "cidadãos públicos", qual é a sua opção para a 2ª volta, não sendo compreensível o silêncio prolongado de alguns, como Marques Mendes e  Gouveia e Melo.

Não se trata obviamente de "transferirem" o voto dos seus eleitores - de que não são donos -, mas sim de satisfazerem a sua natural expectativa quanto a saberem em que vão votar aqueles em quem confiadamente votaram na 1ª volta. É também uma questão de transparência e de confiança política. 

Sem forçar a nota, julgo mesmo que os seus eleitores (entre os quais me conto) têm o direito de saber em quem, afinal, votaram. 

2. É certo que, no caso de Marques Mendes e de Gouveia Melo, só é de presumir o voto em A. J. Seguro, mas convém que o declarem publicamente, e quanto antes. Tenho a certeza de que, se um deles estivesse na disputa da 2ª volta e Seguro tivesse ficado de fora, este já teria anunciado o voto neles.

A disputa não podia ser mais clara, como mostrei AQUI, e nenhum deles pode "lavar as mãos" da questão, como fizeram Montenegro e Cotrim de Figueiredo, deixando de proclamar a sua preferência pela democracia liberal contra a autocracia antiliberal, pelo Estado de direito constitucional contra o abuso de poder à margem da Constituição, por uma magistratura presidencial em nome de todos os portugueses contra um Presidente que exlui à partida grupos de portugueses por razões étnicas ou políticas.

Não se trata somente de derrotar Ventura e vedar-lhe o caminho para Belém, mas também de evitar que obtenha uma votação muito acima da já elevada que obteve na 1ª volta, reforçando a sua posição política e os seus meios de desestabilização política. Nesta grave encruzilhada do regime democrático-constitucional - que este ano celebra meio século -, as vozes de Marques Mendes e de Gouvia e Melo têm de se fazer ouvir.

Adenda
Um leitor comenta que no caso de Marques Mendes não se trata somente de uma questão ideológica, mas também de um interesse político imediato, pois «o objetivo de Ventura, como ele anunciou, é assumir-se como líder da direita, o que certamente se vai proclamar, se ultrapassar a votação do PSD no ano passado [~32%]». Tem toda a razão: cada voto transferido de Marques Mendes para Ventura é diretamente um voto contra o PSD