1. Como se pode ver nesta tabela estatística da União Europeia (noticiada AQUI), é comprometedor o índice de utilização do transporte público em Portugal, que é o 3.º mais baixo na União, onde somos (mal) acompanhados por outros países do sul da Europa, como habitualmente.
Ora, esta situação não se pode ficar a dever somente, nem talvez principalmente, à deficiência da oferta de transporte público, mas também, por um lado, à falta de desincentivos à utilização do automóvel particular (zonas urbanas vedadas ao automóvel, generalização do estacionamento pago, cumprimento dos limites de velocidade, etc.) e, por outro lado, a uma cultura individualista dominante que favorece o seu uso, por comodidade e como sinal de status social.
Sem barreiras ao transporte particular, não há aumento da procura do transporte público, nem pressão para melhorar a sua qualidade.
2. Enquanto os dois referidos fatores não mudarem — mas não se nota nenhum progresso nesse sentido —, não vamos conseguir estancar a invasão automobilística das cidades e dos seus acessos, que cresce todos os dias, tornando ainda mais difícil a vida dos transportes públicos, reduzindo a mobilidade urbana e agravando a perda crescente de qualidade de vida.
É lamentável a inércia do Estado e dos municípios e a sua cedência à pressão automobilística, não cobrando o preço devido pelas suas enormes "externalidades negativas". Estamos a entregar as nossas ruas e cidades "de mão beijada" ao império do automóvel.