Não vejo nenhuma vantagem em o PS manter um discurso ambíguo sobre a austeridade.
Uma coisa é "parar a austeridade", o que significa não haver novas medidas -- mas sem compromisso quanto a eliminação das medidas de austeridade existentes. Outra coisa é "moderar a austeridade", o que tem mais que se lhe diga, exigindo saber concretamente quais as medidas de austeridade a aliviar e como compensar o respectivo custo financeiro, a fim de cumprir as metas do défice orçamental. Outra coisa, por último, é "acabar com a austeridade", o que significa à letra revogar todas as medidas que foram tomadas desde o início do "programa de ajustamento" (se não mesmo as que já tinham sido tomadas anteriormente ao abrigo dos chamados PEC I, II e III...) e repor a situação pré-existente --, o que obviamente não pode ser assumido responsavelmente por nenhum partido de governo (a esquerda radical pode defender essa solução, mas sabendo que nunca será chamada a aplicá-la...).
O PS deve impor a si mesmo a mesma clareza de propósitos que, com toda a razão, exige ao Governo.
Blogue fundado em 22 de Novembro de 2003 por Ana Gomes, Jorge Wemans, Luís Filipe Borges, Luís Nazaré, Luís Osório, Maria Manuel Leitão Marques, Vicente Jorge Silva e Vital Moreira
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Compromissos eleitorais
Publicado por
Vital Moreira
Prudentemente, o líder do PS só se compromete a não aumentar a carga fiscal. Aposto que o PSD e o CDS, esses, vão mais uma vez prometer baixar impostos...
terça-feira, 6 de maio de 2014
O "eldorado" farmacêutico
Publicado por
Vital Moreira
Tal como revela hoje o Público, a "árvore das patacas" das farmácias já não é o que era: até já há falências, como em qualquer outra actividade económica.
Todavia, durante décadas, o sector farmacêutico (produção e distribuição de medicamentos) foi um verdadeiro "eldorado" (como o qualifiquei uma vez), com taxas de rentabilidade sem paralelo, mercê do proteccionismo assegurado pelo défice de concorrência na indústria farmacêutica e pelo "malthusianismo" (contingentação) na criação de farmácias. Lamentavelmente, durante décadas de captura do Estado e dos partidos políticos pelos interesses do sector, nunca houve capacidade política para o enfrentar. Ao longo dos anos, os consumidores e o SNS foram espoliados em milhões e milhões de euros para alimentar a escandalosa "renda" do sector farmacêutico (que fui denunciando, isoladamente, desde há mais de vinte anos, concitando contra mim o ódio selectivo da ANF).
As coisas só começaram a mudar com Governo Sócrates (fim do monopólio profissional da propriedade de farmácias e liberalização da venda de medicamentos isentos de receita médica) e, depois, com as imposições do "programa de ajustamento" em matéria de preço dos medicamentos. Há, porém, duas reformas que continuam por fazer: (i) liberalizar a criação de farmácias e abrir a actividade a uma verdadeira concorrência; (ii) reformar o INFARMED (ou, pura e simplesmente, integrá-lo na Entidade Reguladora da Saúde), que tem funcionado menos como instrumento de regulação e supervisão do Estado do que como instrumento de auto-regulação e como organismo de defesa dos interesses privativos do sector dentro do (e contra o) Estado.
Adenda
Para um registo do meu combate contra o regime das farmácias basta fazer uma busca do termo "farmácias" aqui no Causa Nossa e no vizinho Aba da Causa (link acima à direita).
Todavia, durante décadas, o sector farmacêutico (produção e distribuição de medicamentos) foi um verdadeiro "eldorado" (como o qualifiquei uma vez), com taxas de rentabilidade sem paralelo, mercê do proteccionismo assegurado pelo défice de concorrência na indústria farmacêutica e pelo "malthusianismo" (contingentação) na criação de farmácias. Lamentavelmente, durante décadas de captura do Estado e dos partidos políticos pelos interesses do sector, nunca houve capacidade política para o enfrentar. Ao longo dos anos, os consumidores e o SNS foram espoliados em milhões e milhões de euros para alimentar a escandalosa "renda" do sector farmacêutico (que fui denunciando, isoladamente, desde há mais de vinte anos, concitando contra mim o ódio selectivo da ANF).
As coisas só começaram a mudar com Governo Sócrates (fim do monopólio profissional da propriedade de farmácias e liberalização da venda de medicamentos isentos de receita médica) e, depois, com as imposições do "programa de ajustamento" em matéria de preço dos medicamentos. Há, porém, duas reformas que continuam por fazer: (i) liberalizar a criação de farmácias e abrir a actividade a uma verdadeira concorrência; (ii) reformar o INFARMED (ou, pura e simplesmente, integrá-lo na Entidade Reguladora da Saúde), que tem funcionado menos como instrumento de regulação e supervisão do Estado do que como instrumento de auto-regulação e como organismo de defesa dos interesses privativos do sector dentro do (e contra o) Estado.
Adenda
Para um registo do meu combate contra o regime das farmácias basta fazer uma busca do termo "farmácias" aqui no Causa Nossa e no vizinho Aba da Causa (link acima à direita).
Ainda bem!
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Vital Moreira
Há quem finja escandalizar-se com o facto de os "credores institucionais" de Portugal (UE e FMI) irem manter -- de acordo com regras pré-estabelecidas, portanto sem nenhuma surpresa nem discriminação -- poderes de monitorização sobre o desempenho orçamental do País, enquanto Portugal não pagar grande parte do empréstimo recebido ao abrigo do "programa de assistência".
Ainda bem que assim é, digo eu. Está visto que, se entregue a si mesmo, Portugal tem uma atávica tendência para a incontinência financeira e para a prodigalidade orçamental.
Ainda bem que assim é, digo eu. Está visto que, se entregue a si mesmo, Portugal tem uma atávica tendência para a incontinência financeira e para a prodigalidade orçamental.
Telhados de vidro
Publicado por
Vital Moreira
Cavaco Silva lança uma justa farpa aos que apostaram num "segundo resgate" e pergunta o que dirão eles, agora que o País voltou sem rede aos mercados financeiros. Mas não foi ele próprio que também alinhou com a ideia da "espiral recessiva", a qual, a ter-se verificado (o que felizmente não aconteceu), só poderia ter resultado num segundo resgate?!
domingo, 4 de maio de 2014
Avaliação
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Vital Moreira
Francamente, não faz sentido condenar o programa de ajustamento com o argumento de que "Portugal está pior do que antes", pois isso era inevitável, em consequência do aperto de cinto orçamental e da recessão económica. Nenhum Governo poderia ter evitado isso.
O que se pode questionar, sim, é, por um lado, saber se a gestão do programa de ajustamento não poderia ter sido melhor, menos penosa e mais equitativa e, por outro lado, saber se os sacrifícios valeram a pena, em termos de dotar o País de finanças públicas equibradas, de capacidade de crescimento económico e de criação de emprego e de sustentabilidade do Estado social.
Sendo conhecida a minha opinião sobre o primeiro ponto, a segunda parte desta avaliação ainda está em aberto.
Adenda
De resto, para a esquerda radical, que se opôs a qualquer austeridade orçamental, a comparação a fazer não é com a situação em que Portugal se encontra depois de três anos de austeridade (mais pobre mas sobrevivente e esperemos que mais resiliente...), mas sim a situação em que o País estaria se programa de ajustamento não tivesse existido, ou seja, a bancarrota, a saída do Euro e a catástrofe económica e social consequente.
O que se pode questionar, sim, é, por um lado, saber se a gestão do programa de ajustamento não poderia ter sido melhor, menos penosa e mais equitativa e, por outro lado, saber se os sacrifícios valeram a pena, em termos de dotar o País de finanças públicas equibradas, de capacidade de crescimento económico e de criação de emprego e de sustentabilidade do Estado social.
Sendo conhecida a minha opinião sobre o primeiro ponto, a segunda parte desta avaliação ainda está em aberto.
Adenda
De resto, para a esquerda radical, que se opôs a qualquer austeridade orçamental, a comparação a fazer não é com a situação em que Portugal se encontra depois de três anos de austeridade (mais pobre mas sobrevivente e esperemos que mais resiliente...), mas sim a situação em que o País estaria se programa de ajustamento não tivesse existido, ou seja, a bancarrota, a saída do Euro e a catástrofe económica e social consequente.
Pena de morte
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Vital Moreira
Obama não deveria exigir somente uma reforma da execução da pena de morte. Deveria, sim, defender a abolição da pena de morte -- tal como exige a União Europeia em todo o mundo --, que não é própria de um país civilizado nem de uma política humanista.
É mais do que tempo para abolir a pena capital!
É mais do que tempo para abolir a pena capital!
sábado, 3 de maio de 2014
À custa dos contribuintes
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Vital Moreira
O Estado vai assumir as enormes dívidas dos transportes públicos de Lisboa e do Porto antes da sua concessão à gestão privada.
Com as nacionalizações de 1975, o Estado assumiu estupidamente a propriedade e a gestão dos transportes colectivos de Lisboa e do Porto, que antes eram uma responsabilidade municipal. Durante décadas de gestão financeira deficitária (gestão eleitoral das tarifas baixas, pessoal a mais, etc.), e apesar das subvenções orçamentais, as empresas foram acumulando uma dívida volumosa, transformando-se num dos cancros das finanças públicas. Poucas vozes, além da minha, se elevaram contra essa situação ao longo dos anos, defendendo a remunicipalização desses transportes urbanos e o equilíbrio da sua gestão financeira.
Chegou agora o tempo de pagar a factura, que não vai obviamente recair sobre os beneficiários do défice acumulado (Lisboa e Porto), mas sim sobre os contribuintes de todo o País, incluindo os que pagam os transportes públicos dos seus municípios. Mais uma iniquidade do laxismo e da irresponsabilidade financeira na gestão do sector público.
Com as nacionalizações de 1975, o Estado assumiu estupidamente a propriedade e a gestão dos transportes colectivos de Lisboa e do Porto, que antes eram uma responsabilidade municipal. Durante décadas de gestão financeira deficitária (gestão eleitoral das tarifas baixas, pessoal a mais, etc.), e apesar das subvenções orçamentais, as empresas foram acumulando uma dívida volumosa, transformando-se num dos cancros das finanças públicas. Poucas vozes, além da minha, se elevaram contra essa situação ao longo dos anos, defendendo a remunicipalização desses transportes urbanos e o equilíbrio da sua gestão financeira.
Chegou agora o tempo de pagar a factura, que não vai obviamente recair sobre os beneficiários do défice acumulado (Lisboa e Porto), mas sim sobre os contribuintes de todo o País, incluindo os que pagam os transportes públicos dos seus municípios. Mais uma iniquidade do laxismo e da irresponsabilidade financeira na gestão do sector público.
A austeridade também é relativa
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Vital Moreira
1. Ao longo destes anos de recessão, Portugal reduziu em mais de 6% o seu PIB, com a consequente perda de rendimento. No entanto, durante o mesmo período, a redução do PIB e do rendimento foi bem maior em vários outros países europeus, e não somente no caso da Grécia e da Irlanda.
2. Os funcionários públicos foram especialmente afectados pela austeridade orçamental, com cortes específicos nas suas remunerações, aumento do tempo de trabalho, subida das contribuições para o seu sistema de saúde, etc. Todavia, Portugal conta-se entre os países onde a "majoração" das remunerações do sector público em relação ao sector privado era das mais elevadas (salvo no caso das categorias profissionais mais qualificadas), para não falar de outras condições de emprego mais favoráveis.
3. O salário mínimo é assaz modesto entre nós, estando congelado há vários anos em consequência da recessão. Contudo, a relação entre o salário mínimo mínimo e o salário médio em Portugal compara muito favoravelmente com a de outros países, sendo certo aliás que o segundo baixou com a recessão.
Aditamento
Segundo anúncio do Governo, os funcionários públicos vão começar a recuperar o rendimento perdido já a partir do próximo ano (por acaso, ano de eleições...). E os trabalhadores do sector privado, também vão começar a recuperar o valor dos seus salários (para não falar das centenas de milhar que perderam o emprego)?
2. Os funcionários públicos foram especialmente afectados pela austeridade orçamental, com cortes específicos nas suas remunerações, aumento do tempo de trabalho, subida das contribuições para o seu sistema de saúde, etc. Todavia, Portugal conta-se entre os países onde a "majoração" das remunerações do sector público em relação ao sector privado era das mais elevadas (salvo no caso das categorias profissionais mais qualificadas), para não falar de outras condições de emprego mais favoráveis.
3. O salário mínimo é assaz modesto entre nós, estando congelado há vários anos em consequência da recessão. Contudo, a relação entre o salário mínimo mínimo e o salário médio em Portugal compara muito favoravelmente com a de outros países, sendo certo aliás que o segundo baixou com a recessão.
Aditamento
Segundo anúncio do Governo, os funcionários públicos vão começar a recuperar o rendimento perdido já a partir do próximo ano (por acaso, ano de eleições...). E os trabalhadores do sector privado, também vão começar a recuperar o valor dos seus salários (para não falar das centenas de milhar que perderam o emprego)?
Veiga Simão (1929-2014)
Publicado por
Vital Moreira
Veiga Simão foi, entre outras coisas notáveis (cientista, académico, etc.), o responsável pelo maior impulso de democratização do ensino em Portugal desde a I República, como ministro da Educação do "marcelismo" no início dos anos 70 do século passado. Só por isso tem um lugar na história do País e em especial na história do Estado social entre nós.
Adenda
Tenho uma dívida de gratidão pessoal para com ele, por me ter recontratado como assistente da FDUC, de onde tinha sido expulso pelo seu antecessor no ministério da Educação, J. Hermano Saraiva, por envolvimento na crise académica de 1969. Aqui fica, de novo, o meu público agradecimento.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Brilho pálido
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Vital Moreira
Sim, há razão para saudar a saída do "programa de ajustamento". Mas a convicção difusa de que, por culpa do Governo, se exigiu aos portugueses um preço excessivamente elevado, junto com a recente trapalhada do DEO, retira brilho ao sucesso e desvaloriza a exploração política que o Governo se propunha fazer.
Tudo é relativo
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Vital Moreira
"1.º Maio: Portugal vive o «momento mais negro desde o 25 de Abril», defende a CGTP".Por mais grave que seja a actual crise social -- e é, sobretudo por causa do desemprego --, a afirmação da central sindical constitui ainda assim um manifesto exagero, quando se compara a actual situação com a crise de 1983-85, marcada não somente pelo elevado desemprego mas também pelo flagelo dos salários em atraso e quando não havia sequer o subsídio social de desemprego (só criado nessa altura) nem o rendimento mínimo garantido, criado mais de uma década depois.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Dedicação exclusiva
Publicado por
Vital Moreira
Pedem-me que me pronuncie sobre a ideia de exclusividade dos deputados, acabando com a actual possibilidade de acumulação com actividades privadas (embora com remuneração supementar para a dedicação exclusiva).
Penso que em princípio a ideia de exclusividade faz todo o sentido, não somente pelas enormes exigências da função parlamentar na actualidade, mas também pela vantagem em eliminar à partida potenciais conflitos de interesses entre a actividade parlamentar e as actividades privadas dos deputados (ou outros cargos superiores públicos também não permitem acumulação).
Sucede, porém, que o baixo nível de remuneração dos deputados entre nós afastaria da actividade parlamentar muita gente qualificada, que é imprescindível para o bom desempenho de um parlamento moderno. Por isso, nas actuais circunstâncias não vejo como se pode dispensar a sua contribuição em part time, desde que acompanhada de estritas incompatibilidades e de transparência quanto a interesses privados.
Adenda
Observam-me que no caso do Parlamento Europeu a lei nacional estabelece a exclusividade dos eurodeputados em relação a actividades privadas, não se compreendendo a desigualdade de regimes. Todavia, para além das especiais exigências e responsabilidade da função, há mais três factores que podem justificar a diferença de tratamento no caso do PE: (i) a distância e a dificuldade de deslocação, o que dificultaria a acumulação; (ii) a reduzida representação nacional no PE, que torna mais relevante a presença e a participação dos eurodeputados; (iii) last but not the least, a confortável remuneração (aliás, paga pelo orçamento da União). De resto, o regime de remuneração do PE nem sequer prevê um suplemento para a dedicação exclusiva, pelo que não é possível discriminar a remuneração, como sucede na AR.
Corrigenda
A informação referida na adenda anterior não está correcta. A exclusividade dos eurodeputados, estabelecida na Lei 64/93, foi revogada pela Lei nº 3/2001, que lhes fez aplicar as incompatibilidades dos deputados à AR.
Penso que em princípio a ideia de exclusividade faz todo o sentido, não somente pelas enormes exigências da função parlamentar na actualidade, mas também pela vantagem em eliminar à partida potenciais conflitos de interesses entre a actividade parlamentar e as actividades privadas dos deputados (ou outros cargos superiores públicos também não permitem acumulação).
Sucede, porém, que o baixo nível de remuneração dos deputados entre nós afastaria da actividade parlamentar muita gente qualificada, que é imprescindível para o bom desempenho de um parlamento moderno. Por isso, nas actuais circunstâncias não vejo como se pode dispensar a sua contribuição em part time, desde que acompanhada de estritas incompatibilidades e de transparência quanto a interesses privados.
Adenda
Observam-me que no caso do Parlamento Europeu a lei nacional estabelece a exclusividade dos eurodeputados em relação a actividades privadas, não se compreendendo a desigualdade de regimes. Todavia, para além das especiais exigências e responsabilidade da função, há mais três factores que podem justificar a diferença de tratamento no caso do PE: (i) a distância e a dificuldade de deslocação, o que dificultaria a acumulação; (ii) a reduzida representação nacional no PE, que torna mais relevante a presença e a participação dos eurodeputados; (iii) last but not the least, a confortável remuneração (aliás, paga pelo orçamento da União). De resto, o regime de remuneração do PE nem sequer prevê um suplemento para a dedicação exclusiva, pelo que não é possível discriminar a remuneração, como sucede na AR.
Corrigenda
A informação referida na adenda anterior não está correcta. A exclusividade dos eurodeputados, estabelecida na Lei 64/93, foi revogada pela Lei nº 3/2001, que lhes fez aplicar as incompatibilidades dos deputados à AR.
DEO (2)
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Vital Moreira
Em mais uma inflexão, o Governo abandonou sem explicação a ideia de reforma global do sistema de pensões -- que encomendou a um grupo de especialistas, de cujo labor nada se sabe -- e que visava nomeadamente solucionar a desigualdade entre as pensões da CGA (funcionários públicos) e da CNP (sector privado), dado as primeiras serem consideravelmente superiores às segundas em igualdade de circunstâncias.
Recorde-se que no ano passado o Governo decidiu cortar em 10 % as pensões da CGA acima de certo montante, o que o Tribunal Constitucional porém considerou ser inconstitucional no respeitante às pensões já atribuídas e em pagamento, pelo que referido corte só ficou a valer para novas pensões (criando assim uma desigualdade entre as antigas e as novas).
Para compensar a despesa correspondente, o Governo restaurou a "contribuição especial de solidariedade" (CES) para todos os pensionistas, que assim passaram a pagar a "majoração" das pensões da CGA anteriores ao corrente ano. Agora, com o DEO o Governo vem aliviar essa sobrecarga específica dos pensionistas, substituindo a CES por uma "contribuição de sustentabilidade" de montante inferior, diluindo o resto da "factura" por todos os trabalhadores e consumidores.
O valor das antigas pensões da CGA permanece, portanto, intocado. Os trabalhadores e os consumidores são agora chamados a suportar o respectivo encargo. Mas que importam os privilégios de grupo quando toda gente é chamada a pagá-los?
Recorde-se que no ano passado o Governo decidiu cortar em 10 % as pensões da CGA acima de certo montante, o que o Tribunal Constitucional porém considerou ser inconstitucional no respeitante às pensões já atribuídas e em pagamento, pelo que referido corte só ficou a valer para novas pensões (criando assim uma desigualdade entre as antigas e as novas).
Para compensar a despesa correspondente, o Governo restaurou a "contribuição especial de solidariedade" (CES) para todos os pensionistas, que assim passaram a pagar a "majoração" das pensões da CGA anteriores ao corrente ano. Agora, com o DEO o Governo vem aliviar essa sobrecarga específica dos pensionistas, substituindo a CES por uma "contribuição de sustentabilidade" de montante inferior, diluindo o resto da "factura" por todos os trabalhadores e consumidores.
O valor das antigas pensões da CGA permanece, portanto, intocado. Os trabalhadores e os consumidores são agora chamados a suportar o respectivo encargo. Mas que importam os privilégios de grupo quando toda gente é chamada a pagá-los?
DEO (1)
Publicado por
Vital Moreira
Decididamente, o Governo entrou em modo eleitoral, com o anúncio do desagravamento da CES dos pensionistas, assim como da recuperação progressiva das remunerações dos funcionários públicos, já a partir de 2015, ano das eleições legislativas.
É certo que no caso da CES, o alívio dos pensionistas vai ser pago por todos os trabalhadores no activo (aumento da TSU em 0,2 pp) e por todos os consumidores (aumento do IVA em 0,25 pp), porque a troika deve ter exigido uma compensação segura, sem acreditar em vagas promessas de cortes suplementares equivalentes na despesa pública. Mas o que o Governo vai propangandear é a significativa desoneração específica dos pensionistas a troco do que alega ser somente um insignificante aumento tributário (que o Primeiro-Ministro assegurara que não haveria...).
Uns artistas na arte da dissimulação!
É certo que no caso da CES, o alívio dos pensionistas vai ser pago por todos os trabalhadores no activo (aumento da TSU em 0,2 pp) e por todos os consumidores (aumento do IVA em 0,25 pp), porque a troika deve ter exigido uma compensação segura, sem acreditar em vagas promessas de cortes suplementares equivalentes na despesa pública. Mas o que o Governo vai propangandear é a significativa desoneração específica dos pensionistas a troco do que alega ser somente um insignificante aumento tributário (que o Primeiro-Ministro assegurara que não haveria...).
Uns artistas na arte da dissimulação!
domingo, 27 de abril de 2014
sábado, 26 de abril de 2014
Antologia do desatino político
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Vital Moreira
«Se não tivesse havido o 25 e Abril, o País estaria mais ou menos como está» (J. A. Saraiva, Sol desta semana).
sexta-feira, 25 de abril de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
"Desvalorização interna" (2)
Publicado por
Vital Moreira
Não tendo moeda própria, Portugal só podia restabelecer a sua competitividade externa em tempo curto por via da "desvalorização interna".
Mas se a receita era incontornável, já a dose e o ritmo do remédio tinham uma margem de discrionariedade que no caso português foi usada de forma a tornar o ajustamento especialmente penoso, em termos de austeridade, recessão e desemprego, tudo aliás sem alcançar resultados correspondentes em termos de "desvalorização salarial". Acresce que, depois de falhada a tentativa de redução dos custos não salariais do trabalho em 2012 (proposta de corte substancial na TSU patronal), o Governo limitou-se a investir na redução salarial, com os inerentes custos sociais e políticos. Escassos resultados para tão elevados custos.
Mas se a receita era incontornável, já a dose e o ritmo do remédio tinham uma margem de discrionariedade que no caso português foi usada de forma a tornar o ajustamento especialmente penoso, em termos de austeridade, recessão e desemprego, tudo aliás sem alcançar resultados correspondentes em termos de "desvalorização salarial". Acresce que, depois de falhada a tentativa de redução dos custos não salariais do trabalho em 2012 (proposta de corte substancial na TSU patronal), o Governo limitou-se a investir na redução salarial, com os inerentes custos sociais e políticos. Escassos resultados para tão elevados custos.
"Desvalorização interna" (1)
Publicado por
Vital Moreira
A tradicional desvalorização externa (ou seja, a desvalorização da moeda) produz imediatamente um choque de competividade da economia, pelo embaratecimento das exportações e pela consequente expansão económica, e só depois traz a perda generalizada de rendimentos, por via da inflação (que é relativamente "indolor"), sem corte no valor nominal daqueles. Ao contrário, a desvalorização interna começa pela redução efectiva de rendimentos (sem anestesia...), sobretudo dos salários, induzida por medidas de austeridade orçamental e pela consequente recessão, e só depois traz o aumento da competividade, pela redução dos custos dos bens exportáveis.
É por isso que a desvalorização interna é sentida de forma muito mais penosa do que a desvalorização externa, mesmo quando a perda real de rendimentos é de valor idêntico ou até menor.
É por isso que a desvalorização interna é sentida de forma muito mais penosa do que a desvalorização externa, mesmo quando a perda real de rendimentos é de valor idêntico ou até menor.
Alvo errado
Publicado por
Vital Moreira
A lista da coligação governamental às eleições europeias faz campanha como se o PS fosse Governo. Ora os governos PS já foram julgados eleitoralmente na altura própria. Agora é o Governo do PSD e do CDS que está no pelourinho. As eleições "secundárias" não costumam servir para punir a oposição, mas sim o governo...
Riqueza artificial
Publicado por
Vital Moreira
«Liga portuguesa de futebol é a oitava mais rica do Mundo».
E também deve estar entre as que têm clubes mais endividados. É uma pecha ancional: viver acima dos recursos próprios...
E também deve estar entre as que têm clubes mais endividados. É uma pecha ancional: viver acima dos recursos próprios...
quarta-feira, 9 de abril de 2014
O milagre das eleições
Publicado por
Vital Moreira
Numa vertigem de anúncios de efeito garantido, o Governo difundiu três novidades: a lista de dezenas projectos de obras públicas até 2020, a disponibilidade para elevar o salário mínimo para o próximo ano e um flirt com uma possível descida do IRS também em 2015.
Subitamente, tudo o que antes estava fora de causa, passou a ser possível. As execradas obras públicas passaram a ser virtuosas; o subida do salário mínimo já não causa despedimentos nem diminui a competitividade das empresas; e a receita fiscal já não é tão necessária para o equilíbrio orçamental. Explicação do suave milagre? Obviamente, as eleições de Maio deste ano e de Setembro do ano que vem!
Subitamente, tudo o que antes estava fora de causa, passou a ser possível. As execradas obras públicas passaram a ser virtuosas; o subida do salário mínimo já não causa despedimentos nem diminui a competitividade das empresas; e a receita fiscal já não é tão necessária para o equilíbrio orçamental. Explicação do suave milagre? Obviamente, as eleições de Maio deste ano e de Setembro do ano que vem!
Referendo (3)
Publicado por
Vital Moreira
Como é usual, a abstrusa proposta de referendo do BE teve logo um coro de apoios nos media.
Se o Bloco tivesse no eleitorado o apoio que tem nos media, ainda ganhava as eleições. Felizmente, as nozes são muito menos que as vozes...
Se o Bloco tivesse no eleitorado o apoio que tem nos media, ainda ganhava as eleições. Felizmente, as nozes são muito menos que as vozes...
Referendo (2)
Publicado por
Vital Moreira
É evidente que o tal referendo sobre a denúncia do Tratado Orçamental seria incontornavelmente inconstitucional, pelo que nunca poderia ter lugar. Primeiro, porque a Constituição não contempla a hipótese de referendos sobre denúncia de tratados internacionais, depois de ratificados; segundo, porque a CRP é clara quando exclui das matérias referendáveis as "questões e os actos de conteúdo orçamental, tributário ou financeiro" (CRP, art. 115º), sendo óbvio que o Tratado Orçamental versa sobre questões... orçamentais.
Mas que importam esses pequenos obstáculos constitucionais para o BE? Do que se trata é somente de fazer um "número" para a galeria da campanha eleitoral das europeias, mesmo sabendo da inanidade do exercício.
Mas que importam esses pequenos obstáculos constitucionais para o BE? Do que se trata é somente de fazer um "número" para a galeria da campanha eleitoral das europeias, mesmo sabendo da inanidade do exercício.
Referendo
Publicado por
Vital Moreira
Desde há muito que as propostas de referendo sobre matérias atinentes à integração europeia se tornaram um dos instrumentos de flagelação política preferidos da esquerda antieuropeia, sempre caracterizados pela irresponsabilidade e pelo oportunismo.
Desta vez, o Bloco de Esquerda, obviamente muito nervoso pela perspectiva de um mau resultado nas próximas eleições europeias, resolveu tirar da cartola o coelho de um referendo ao Tratado Orçamental, sem ter a coragem de propor directamente aquilo que seria o resultado inexorável da eventual denúncia desse tratado, que seria a saída do euro e, por arrastamento, a saída da União.
O que isto mostra, mais uma vez, é o fosso entre a esquerda pró-integração europeia, e pró-euro, e a esquerda de protesto, atavicamente contrária a uma e a outro. Esse fosso estrutural torna inviável qualquer discurso sobre a convergência entre as duas linhas ou qualquer hipótese de aliança de governo.
Desta vez, o Bloco de Esquerda, obviamente muito nervoso pela perspectiva de um mau resultado nas próximas eleições europeias, resolveu tirar da cartola o coelho de um referendo ao Tratado Orçamental, sem ter a coragem de propor directamente aquilo que seria o resultado inexorável da eventual denúncia desse tratado, que seria a saída do euro e, por arrastamento, a saída da União.
O que isto mostra, mais uma vez, é o fosso entre a esquerda pró-integração europeia, e pró-euro, e a esquerda de protesto, atavicamente contrária a uma e a outro. Esse fosso estrutural torna inviável qualquer discurso sobre a convergência entre as duas linhas ou qualquer hipótese de aliança de governo.
domingo, 6 de abril de 2014
Ilusões
Publicado por
Vital Moreira
Não faz sentido pensar que a solução para o nosso problema da dívida pública passa pela sua hipotética "mutualização" ao nível dos Estados-membros da UE (via eurobonds ou algo similar), o que faria diminuir o peso dos juros.
É evidente que uma hipotética mutualização da responsabilidade pelas dívidas soberanas -- se alguma vez vier a existir -- só será aceitável pelos países do Norte quando o risco de todas elas for relativamente baixo e o diferencial de juros entre elas for muito menor do que é hoje.
Para isso, porém, é preciso primeiro fazer o trabalho de casa quanto ao saneamento das finanças públicas, obtenção de saldos orçamentais primários, estancamento do endividamento, enfim aplicação do Tratado Orçamental. Ou seja, se alguma vez vier a ser realidade, a mutualização da responsabilidade pelas dívidas soberanas será um "prémio" pela disciplina orçamental e pela redução dos juros da dívida, não um substituto.
É evidente que uma hipotética mutualização da responsabilidade pelas dívidas soberanas -- se alguma vez vier a existir -- só será aceitável pelos países do Norte quando o risco de todas elas for relativamente baixo e o diferencial de juros entre elas for muito menor do que é hoje.
Para isso, porém, é preciso primeiro fazer o trabalho de casa quanto ao saneamento das finanças públicas, obtenção de saldos orçamentais primários, estancamento do endividamento, enfim aplicação do Tratado Orçamental. Ou seja, se alguma vez vier a ser realidade, a mutualização da responsabilidade pelas dívidas soberanas será um "prémio" pela disciplina orçamental e pela redução dos juros da dívida, não um substituto.
"Uma vida antiga que é importante ter presente"
Publicado por
Vital Moreira
Conheci muitas das grandes figuras da resistência antifascista nos meus anos no PCP. Deixei de os ver há décadas, mas nunca perdi o respeito e admiração que a sua dura luta merece. É bom voltar a encontrá-los nas entrevistas sensíveis e informadas de Anabela Mota Ribeiro, nos 40 anos do 25 de Abril.
Para que se não esqueça que o fascismo, afinal, existiu.
Para que se não esqueça que o fascismo, afinal, existiu.
sábado, 5 de abril de 2014
Gostava de ter escrito isto
Publicado por
Vital Moreira
«Se tivesse um pingo de vergonha, o PSD nunca mais pronunciaria o nome BPN».
(Miguel Sousa Tavares, Expresso de hoje).
(Miguel Sousa Tavares, Expresso de hoje).
Voto obrigatório?
Publicado por
Vital Moreira
Ao longo das quatro décadas de democracia constitucional entre nós não têm faltado propostas no sentido de tornar o voto obrigatório.
São vários os argumentos a favor do voto obrigatório em geral: diminuir a abstenção e travar a erosão da legitimidade eleitoral da democracia; responsabilizar todos os cidadãos pelo destino e governo da República; tornar mais equitativa a representação social, visto que a abstenção é maior nas camadas sociais de menor rendimento; retirar aos partidos de protesto e anti-sistema a vantagem relativa que lhes dá a maior militância dos seus votantes.
Há diversos países onde o voto é obrigatório (Bélgica, Grécia, Brasil, Argentina, Uruguai, Austrália, etc.), com diferentes graus de efectividade. E embora a participação eleitoral fique bem aquém dos 100%, existe uma evidente correlação entre voto obrigatório e menor abstenção. Obviamente, o voto obrigatório não impede o voto nulo nem o voto branco, que aliás tenderiam a aumentar.
Os principais argumentos contra o voto obrigatório são os seguintes: a democracia liberal não pode assentar no voto compulsório, que contraria a liberdade individual; uma democracia responsável só pode ter por base o voto informado e motivado; a abstenção também é um "voto" de consentimento no regime político.
No caso de Portugal, onde o voto já é constitucionalmente um "dever cívico" (sem efeito visível, porém), podem suscitar-se algumas dificuldades suplementares: possível inconstitucionalidade da obrigação de voto; cadernos eleitorais empolados com muitos eleitores fantasma ou duplicados; facilidade em inventar razões de escusa (os atestados médicos e os casos de objecção de consciência teriam um súbito pico...); ausência de uma cultura cívica de aceitação de obrigações públicas.
Mas estas dificuldades não deveriam servir para cancelar um debate sério sobre o assunto.
São vários os argumentos a favor do voto obrigatório em geral: diminuir a abstenção e travar a erosão da legitimidade eleitoral da democracia; responsabilizar todos os cidadãos pelo destino e governo da República; tornar mais equitativa a representação social, visto que a abstenção é maior nas camadas sociais de menor rendimento; retirar aos partidos de protesto e anti-sistema a vantagem relativa que lhes dá a maior militância dos seus votantes.
Há diversos países onde o voto é obrigatório (Bélgica, Grécia, Brasil, Argentina, Uruguai, Austrália, etc.), com diferentes graus de efectividade. E embora a participação eleitoral fique bem aquém dos 100%, existe uma evidente correlação entre voto obrigatório e menor abstenção. Obviamente, o voto obrigatório não impede o voto nulo nem o voto branco, que aliás tenderiam a aumentar.
Os principais argumentos contra o voto obrigatório são os seguintes: a democracia liberal não pode assentar no voto compulsório, que contraria a liberdade individual; uma democracia responsável só pode ter por base o voto informado e motivado; a abstenção também é um "voto" de consentimento no regime político.
No caso de Portugal, onde o voto já é constitucionalmente um "dever cívico" (sem efeito visível, porém), podem suscitar-se algumas dificuldades suplementares: possível inconstitucionalidade da obrigação de voto; cadernos eleitorais empolados com muitos eleitores fantasma ou duplicados; facilidade em inventar razões de escusa (os atestados médicos e os casos de objecção de consciência teriam um súbito pico...); ausência de uma cultura cívica de aceitação de obrigações públicas.
Mas estas dificuldades não deveriam servir para cancelar um debate sério sobre o assunto.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
É a economia, estúpido!
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Vital Moreira
A situação na Venezuela agrava-se e o caos económico, social e político está à vista.
Nunca tive nenhuma simpatia pelo "bolivarismo", mesmo no tempo de Chávez, como não tenho por nenhum populismo, por mais esquerdista que se apresente; mas Maduro, que não tem nem o carisma nem o génio do fundador, exibe a incontornável falência do regime.
Quando a economia não resiste aos tratos de polé da incompetência e da irresponsabilidade política, o povo é que sofre.
Nunca tive nenhuma simpatia pelo "bolivarismo", mesmo no tempo de Chávez, como não tenho por nenhum populismo, por mais esquerdista que se apresente; mas Maduro, que não tem nem o carisma nem o génio do fundador, exibe a incontornável falência do regime.
Quando a economia não resiste aos tratos de polé da incompetência e da irresponsabilidade política, o povo é que sofre.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Prognóstico reservado
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Vital Moreira
Depois da fragorosa derrota da esquerda nas eleições locais em França, a nomeação de Manuel Valls -- normalmente conotado com a "direita" do PS francês -- para o cargo de primeiro-ministro marca uma inflexão política do presidente Hollande no sentido de uma maior atenção ao desempenho económico e ao equilíbrio das finanças públicas. Resta saber se há a vontade política para desencadear as necessárias reformas económicas e sociais.
Sendo conhecido o vezo esquerdista do PS francês, só pode haver um prognóstico reservado.
Sendo conhecido o vezo esquerdista do PS francês, só pode haver um prognóstico reservado.
Limpeza a empobrecer
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AG
"O mais exasperante, para quem, como eu, anda dentro e fora do país, é notar o efeito da propaganda mentirosa do Governo na imagem que projecta de Portugal no exterior: em vez de fazer compreender a magnitude dos sacrifícios impostos aos portugueses, de fazer entender os desafios com que nos confrontamos, e de renegociar a dívida impagável e um programa de apoio à consolidação das contas e ao cumprimento dos critérios do Tratado Orçamental - o que supõe investir no crescimento e no emprego em vez de os continuar a destruir - o governo de Passos Coelho-Portas, com eco pressuroso em Durão Barroso, alimenta a narrativa mistificadora da direita alemã, que precisa de ver e de vender Portugal como um caso de sucesso, mesmo que isso suponha que nos enforcam no que chamarão de uma "saída limpa". Limpeza, só se for em mais empobrecimento e destruição do país".
Texto que escrevi para o meu comentário de hoje no Conselho Superior /ANTENA 1 e que pode ser lido na íntegra na ABA DA CAUSA http://aba-da-causa.blogspot.be/2014/04/limpeza-empobrecer.html
Teses
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Vital Moreira
A disciplina orçamental não é de esquerda nem de direita.
Não há nada de progressista no excesso de endividamento público.
O pior que se pode dizer do Estado social é que ele só é financiável com dinheiro emprestado.
A única coisa que um governo conseguiria se anunciasse um programa de reestruturação da dívida pública era o aumento dos juros e logo o encarecimento da dívida.
Não há nada de progressista no excesso de endividamento público.
O pior que se pode dizer do Estado social é que ele só é financiável com dinheiro emprestado.
A única coisa que um governo conseguiria se anunciasse um programa de reestruturação da dívida pública era o aumento dos juros e logo o encarecimento da dívida.
O que fica mais tempo
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Vital Moreira
«Situação social na UE não melhorou apesar do início da retoma - Comissão Europeia».
A crise do Euro foi superada. A crise orçamental está em vias de o ser. A crise económica está a virar. Resta, porém, a crise social, que não vai desaparecer em pouco tempo.
A crise do Euro foi superada. A crise orçamental está em vias de o ser. A crise económica está a virar. Resta, porém, a crise social, que não vai desaparecer em pouco tempo.
quarta-feira, 26 de março de 2014
terça-feira, 25 de março de 2014
Articulação PE/Congresso EUA contra evasão e fraude fiscais
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AG
"Em Portugal, para além do escândalo das prescrições judiciais de que beneficiam banqueiros e corruptos, não é possível passar uma esponja sobre as obscenas amnistias fiscais concedidas pelo Governo em 2012 e 2013, permitindo aos detentores de contas escondidas na Suíça e noutros países a «limpeza» dos seus crimes fiscais, com garantia de sigilo sobre os beneficiários e sobre a origem do património: um autêntico mecanismo de branqueamento de capitais para ricos e poderosos, com patrocínio do Governo e benção da Troika. Os mesmissimos que, em contrapartida, neste país onde aumenta a desigualdade, arrancam couro e cabelo em impostos e cortes de salários, de pensões e de prestações sociais às classes médias e aos pobres, alegando que não há dinheiro - pudera, nada fazem para o ir buscar à Suíça e a outros paraísos fiscais para onde continuam a deixá-lo partir!
Mas este não é um problema exclusivamente português: é um problema europeu e um daqueles que só se resolve se actuarmos a nível europeu, para termos impacto também no plano global. E é por isso que o Senador Levin e eu combinámos passar a trocar informação e articular esforços".
Extracto da minha intervenção no Conselho Superior da ANTENA 1, esta manhã. O texto integral pode ser lido na ABA DA CAUSA: http://aba-da-causa.blogspot.com/2014/03/articulacao-pecongresso-eua-contra.html
quarta-feira, 19 de março de 2014
Manifesto é arma negocial mas PM não sabe, nem quer, usá-la
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AG
"Preocupa-me que o Primeiro Ministro hoje vá a Berlim e em vez de ir escudado nos pesados sacrifícios e absurdas injustiças infligidas aos portugueses com tão desastrosos resultados, e ir armado do Manifesto, se apresente de novo de baraço ao pescoço a estender a mão à compaixão da suserana Merkel. Não é apenas por incompetência e por incapacidade diplomática para negociar na Europa e com a Europa, por Portugal. É por manifesta submissão aos interesses que estão a destruir Portugal e a Europa. É contra esses interesses que o Manifesto conseguiu demonstrar haver consenso em Portugal".
Extracto da minha crónica de ontem no "Conselho superior" da ANTENA 1, que pode ler-se na íntegra na ABA DA CAUSA http://aba-da-causa.blogspot.com/2014/03/o-manifesto-dos-74-e-as-reaccoes-que.html
domingo, 16 de março de 2014
O referendo
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Vital Moreira
Parece evidente, tendo em conta as últimas declarações de A. J. Seguro, que o PS vai tentar transformar as eleições europeias num referendo ao Governo, preparando-se para exigir a saída deste no caso da provável derrota.
Trata-se de um estratégia inteligente mas não isenta de risco. Inteligente, na medida em que ajuda a polarizar em favor do PS o descontamento popular com a situação económica e social, limitando a dispersão do voto de protesto noutros partidos. Arriscada, na medida em que, na hipótese (ainda que pouco provável) de não ser bem sucedida (lembremos que os dois partidos de Governo vão coligados num única lista e podem capitalizar a seu favor a saída da troika), pode resultar num "tiro pela culatra".
Trata-se de um estratégia inteligente mas não isenta de risco. Inteligente, na medida em que ajuda a polarizar em favor do PS o descontamento popular com a situação económica e social, limitando a dispersão do voto de protesto noutros partidos. Arriscada, na medida em que, na hipótese (ainda que pouco provável) de não ser bem sucedida (lembremos que os dois partidos de Governo vão coligados num única lista e podem capitalizar a seu favor a saída da troika), pode resultar num "tiro pela culatra".
sábado, 15 de março de 2014
Veto
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Vital Moreira
Não percebo o veto do Presidente da República ao aumento das contribuições para a ADSE e sistemas semelhantes, que visa tornar esses sistemas de saúde financeiramente autossustentáveis sem sobrecarga do orçamento.
Nunca compreendi por que é que os contribuintes em geral têm de financiar os sistemas de saúde privativos do sector público. É mais justo subir as contribuições dos beneficiários do que aumentar os impostos dos não beneficiários.
Nunca compreendi por que é que os contribuintes em geral têm de financiar os sistemas de saúde privativos do sector público. É mais justo subir as contribuições dos beneficiários do que aumentar os impostos dos não beneficiários.
Fatwa
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Vital Moreira
Sim, o manifesto da reestruturação da dívida pode ser considerado infundado e intempestivo (como penso). Mas nada justifica a espécie de fatwa decretada pelo Governo e pelos media contra os seus autores.
A liberdade de opinião e de expressão ainda é constitucionalmente garantida entre nós...
A liberdade de opinião e de expressão ainda é constitucionalmente garantida entre nós...
quinta-feira, 13 de março de 2014
Os ex-
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Vital Moreira
Curiosamente, entre os subscritores do "Manifesto dos 70", que só podia embaraçar o Governo PSD-CDS, constam os dois últimos ministros das finanças de ambos os partidos: Ferreira Leite e Bagão Félix. Vá-se lá saber porquê...
quarta-feira, 12 de março de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
101 dálmatas. E quem faz de Cruella de Vil?
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AG
"A analogia com os 101 Dálmatas, que o Deputado Rangel tratou também de estabelecer, no entanto, parece apropriada: a cachorrada esmera-se em lambidelas viscosas mas com pouca aderência à realidade, como por exemplo o número 79 que jura que "A coligação Aliança Portugal estará atenta e será exigente relativamente à defesa de sectores estratégicos da economia portuguesa...". A gente lembra-se dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, ou da EDP e da REN vendidas aos chineses, ou da ANA que privatizada embaratecia custos e já vai no terceiro aumento de taxas, nos CTTs que davam lucro, na TAP e das Águas de Portugal a empandeirar proximamente - e fica logo a ver o filme Disney todo: é fartar vilanagem, é arrebanhar tudo o que mexa e seja rentável no sector público e deixar o Estado no estado a que o país chegou!!!
Resta apenas apurar quem faz nesta comédia de Cruella de Vil, a malvada que quer roubar e esfolar os malhados dalmatinhos. Não, desta vez não é a Senhora Merkel. Posicionam-se à frente vários figurantes nacionais."
Quem?
Pode descobrir lendo as minhas notas para o Conselho Superior da ANTENA 1 de hoje, que reproduzi aqui http://aba-da-causa.blogspot.fr/2014/03/psdcds-101-dalmatas-quem-faz-de-cruella.html na ABA da CAUSA.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Constituição da UE
Publicado por
Vital Moreira
Desde há muito que defendo que a UE, como entidade política supraestatal com atribuições e instituições próprias, uma ordem jurídica autónoma e um bill of rights, só pode ser "lida" correctamente em termos constitucionais, mesmo que não tenha uma constituição formal (defendi extensamente esta ideia num artigo publicado nos estudos em homenagem ao Prof. J. J. Gomes Canotilho há dois anos). Por isso, não posso deixar de concordar com a afirmação de Paulo Rangel no Público de hoje, segundo a qual há uma verdadeira constituição europeia, que vincula os próprios tribunais constitucionais dos Estados-membros e que implica uma mudança substantiva no direito constitucional dos Estados-membros.
Vou, porém, para além dele em dois pontos. Primeiro, entendo que essa constituição da UE é em grande parte uma constituição escrita, através da interpretação dos Tratados por via do case law do TJUE (que tem sido uma espécie de sucedâneo do poder constituinte da União). Em segundo lugar, penso que no caso português a mudança constitucional interna não se limitou a ser feita, numa primeira fase, de forma implícita, sem alteração do texto constitucional (uma "mutação cosntitucional", tecnicamente falando), tendo assumido a forma de explícita autoderrogação constitucional com a revisão constitucional de 2004, que reconheceu a primazia do direito da União na ordem interna (CRP, art. 8º-4).
Vou, porém, para além dele em dois pontos. Primeiro, entendo que essa constituição da UE é em grande parte uma constituição escrita, através da interpretação dos Tratados por via do case law do TJUE (que tem sido uma espécie de sucedâneo do poder constituinte da União). Em segundo lugar, penso que no caso português a mudança constitucional interna não se limitou a ser feita, numa primeira fase, de forma implícita, sem alteração do texto constitucional (uma "mutação cosntitucional", tecnicamente falando), tendo assumido a forma de explícita autoderrogação constitucional com a revisão constitucional de 2004, que reconheceu a primazia do direito da União na ordem interna (CRP, art. 8º-4).
domingo, 9 de março de 2014
Depois da troika
Publicado por
Vital Moreira
A análise do Presidente da República sobre as perspetivas do País "depois da troika", exposta no prefácio a um novo volume das suas comunicações publicas, só pode surpreender os distraídos.
A estrita disciplina orçamental e a salvaguarda dos equilíbrios macroeconómicos vieram para ficar, aliás como obrigação reforçada face ao novo quadro da UE sobre o assunto, incluindo o chamado Tratado Orçamental, devidamente assegurada por novos mecanismos de supervisão e de sanção. A era da prodigalidade governativa a crédito e do endividamento irresponsável acabou. Felizmente!
O Presidente conclui a sua análise insistindo na necessidade de um consenso político de médio prazo entre os partidos do "arco da governação". Sem contestar o fundamento da proposta, continuo a pensar que, além de improvável, um tal pacto é no essencial desnecessário, justamente porque há agora um estrito quadro de disciplina orçamental que obriga todos os partidos de governo. O tal consenso foi de facto estabelecido com a aprovação parlamentar do pacto orçamental da UE. Deixou de haver margem para políticas contrárias a esses objectivos (cabendo, aliás, ao Presidente da República um papel nesse ponto). Mas dentro dessas estritas baias, não se vê por que é que os partidos se hão-de compromenter reciprocamente a autolimitar ainda mais as diferenças que os distinguem, e devem continuar a distinguir, para além dessas obrigações.
A estrita disciplina orçamental e a salvaguarda dos equilíbrios macroeconómicos vieram para ficar, aliás como obrigação reforçada face ao novo quadro da UE sobre o assunto, incluindo o chamado Tratado Orçamental, devidamente assegurada por novos mecanismos de supervisão e de sanção. A era da prodigalidade governativa a crédito e do endividamento irresponsável acabou. Felizmente!
O Presidente conclui a sua análise insistindo na necessidade de um consenso político de médio prazo entre os partidos do "arco da governação". Sem contestar o fundamento da proposta, continuo a pensar que, além de improvável, um tal pacto é no essencial desnecessário, justamente porque há agora um estrito quadro de disciplina orçamental que obriga todos os partidos de governo. O tal consenso foi de facto estabelecido com a aprovação parlamentar do pacto orçamental da UE. Deixou de haver margem para políticas contrárias a esses objectivos (cabendo, aliás, ao Presidente da República um papel nesse ponto). Mas dentro dessas estritas baias, não se vê por que é que os partidos se hão-de compromenter reciprocamente a autolimitar ainda mais as diferenças que os distinguem, e devem continuar a distinguir, para além dessas obrigações.
sábado, 8 de março de 2014
Balanço (2)
Publicado por
Vital Moreira
Nenhum balanço do programa de ajustamento pode prescindir de uma análise da relação entre resultados e custos.
Ora, neste aspecto, a conclusão só pode ser uma: os custos económicos e sociais foram muito maiores do que se tinha anunciado. A recessão foi mais funda e mais prolongada do que o planeado. Consequentemente, o desemprego atingiu níveis muito mais altos do que as projecções. Os cortes nos salários (no sector público e privado) e nas prestações sociais reduziram substancialmente o nível de vida da maior parte das pessoas. As sucessivos cortes orçamentais degradaram os serviços públicos, incluindo a protecção social, a saúde e a educação.
O Governo, que já está a reivindicar os louros do êxito da "saída" da troika, é também o responsável pelos seus sobrecustos e pelos sacrifícios suplementares escusados que impôs aos portugueses, mercê de um radicalismo austeritário inicial que agravou a retracção da procura interna e a recessão económica, com reflexos dramáticos no desemprego e na emigração.
Era evidente que o processo de reajustamento orçamental e da economia só podia ser feito à custa de uma redução generalizada do rendimento per capita e, logo, de algum empobrecimento do país. Mas tudo indica que o preço foi muito maior do que o que poderia ter sido com uma gestão menos radical e menos bruta e mais inteligente e moderada do programa de ajustamento.
Ora, neste aspecto, a conclusão só pode ser uma: os custos económicos e sociais foram muito maiores do que se tinha anunciado. A recessão foi mais funda e mais prolongada do que o planeado. Consequentemente, o desemprego atingiu níveis muito mais altos do que as projecções. Os cortes nos salários (no sector público e privado) e nas prestações sociais reduziram substancialmente o nível de vida da maior parte das pessoas. As sucessivos cortes orçamentais degradaram os serviços públicos, incluindo a protecção social, a saúde e a educação.
O Governo, que já está a reivindicar os louros do êxito da "saída" da troika, é também o responsável pelos seus sobrecustos e pelos sacrifícios suplementares escusados que impôs aos portugueses, mercê de um radicalismo austeritário inicial que agravou a retracção da procura interna e a recessão económica, com reflexos dramáticos no desemprego e na emigração.
Era evidente que o processo de reajustamento orçamental e da economia só podia ser feito à custa de uma redução generalizada do rendimento per capita e, logo, de algum empobrecimento do país. Mas tudo indica que o preço foi muito maior do que o que poderia ter sido com uma gestão menos radical e menos bruta e mais inteligente e moderada do programa de ajustamento.
Balanço (1)
Publicado por
Vital Moreira
A pouco mais de dois meses do fim do "programa de ajustamento", é natural que se multipliquem as visões sobre o saldo destes três anos. Os critérios usados para a avaliação devem ser antes de mais a realização, ou não, dos seus objectivos.
O primeiro objectivo era, naturalmente recuperar o acesso aos mercados financeiros, permitindo dispensar a assistência financeira da UE e do FMI. Com um taxa de juros a 10 anos em cerca de 4,5% e com tendência descendente, é inegável que neste aspecto o programa está em vias de ser bem-sucedido. Mas a confiança dos mercados é volátil e depende da realização dos demais objectivos.
O segundo objectivo era o saneamento das contas públicas, mediante a redução substancial do défice orçamental e o fim da espiral do endividamento público. Aqui, as coisas estão longe da meta, apesar da sobredose de cortes na factura de pessoal da função pública e na segurança social. O défice diminuiu, mas a um ritmo muito mais lento do que o previsto, mantendo-se ainda a um nível insustentável. Consequentemente, a dívida pública aumentou muito para além do planeado. Tudo somado, um desaire relativo.
O terceiro objectivo era recuperar a competitividade da economia, em virtude de reformas estruturais (trabalho, justiça, etc.) e da "desvalorização interna" (nomeadamente redução dos custos salariais). Neste ponto, as coisas agora não vão mal, tendo em conta o aumento consistente das exportações e o fim da recessão e início da retoma económica (mas mais uma vez com atraso de um ano em relação ao prometido e depois de uma recessão muito mais profunda do que o antecipado, que fez disparar o desemprego).
O primeiro objectivo era, naturalmente recuperar o acesso aos mercados financeiros, permitindo dispensar a assistência financeira da UE e do FMI. Com um taxa de juros a 10 anos em cerca de 4,5% e com tendência descendente, é inegável que neste aspecto o programa está em vias de ser bem-sucedido. Mas a confiança dos mercados é volátil e depende da realização dos demais objectivos.
O segundo objectivo era o saneamento das contas públicas, mediante a redução substancial do défice orçamental e o fim da espiral do endividamento público. Aqui, as coisas estão longe da meta, apesar da sobredose de cortes na factura de pessoal da função pública e na segurança social. O défice diminuiu, mas a um ritmo muito mais lento do que o previsto, mantendo-se ainda a um nível insustentável. Consequentemente, a dívida pública aumentou muito para além do planeado. Tudo somado, um desaire relativo.
O terceiro objectivo era recuperar a competitividade da economia, em virtude de reformas estruturais (trabalho, justiça, etc.) e da "desvalorização interna" (nomeadamente redução dos custos salariais). Neste ponto, as coisas agora não vão mal, tendo em conta o aumento consistente das exportações e o fim da recessão e início da retoma económica (mas mais uma vez com atraso de um ano em relação ao prometido e depois de uma recessão muito mais profunda do que o antecipado, que fez disparar o desemprego).
Basta
Publicado por
Vital Moreira
Se há alguma área onde o Governo dá largas ao seu vezo neoliberal é nas múltiplas tentativas de contornar a proibição constitucional do despedimento arbitrário.
Depois de outras tentativas surge agora a ideia de reduzir a indemnização por despedimento ilícito. Já não bastava ter-se admitido que os trabalhadores ilicitamente despedidos não sejam readmitidos, a troco de uma indemnização. Agora, querer reduzir a indemnização é o mesmo que liberalizar os despedimentos ilícitos.
Não pode ser. Já há uma razoável amplitude para os despedimentos lícitos. O despedimento livre não pode passar!
Depois de outras tentativas surge agora a ideia de reduzir a indemnização por despedimento ilícito. Já não bastava ter-se admitido que os trabalhadores ilicitamente despedidos não sejam readmitidos, a troco de uma indemnização. Agora, querer reduzir a indemnização é o mesmo que liberalizar os despedimentos ilícitos.
Não pode ser. Já há uma razoável amplitude para os despedimentos lícitos. O despedimento livre não pode passar!
quinta-feira, 6 de março de 2014
Baixo nível
Publicado por
Vital Moreira
No lançamento do seu manifesto eleitoral para as elieções europeias de maio, os dois principais candidatos da coligação PSD-CDS permitiram-se atirar-se ao líder do PS, por alegadamente este ter denegrido em Londres a obra do seu Governo em Portugal.
É uma jogada política de baixo nível. Faria algum sentido, se Seguro tivesse utilizado fora do país um discurso mais agreste do que aquele que usa em Portugal. Mas não foi o caso: ele disse em Londres exactamente o que diz em Portugal. Ora, mal iria à liberdade de expressão e de acção política, se o próprio líder da oposição não pudesse dizer do Governo lá fora o que diz cá dentro.
Como já foi notado, esta tentativa de acusar o líder da oposição por declarações feitas no estrangeiro (como se fosse um acto de deslealdade ao País...) faz lembrar outros tempos em que era crime qualificado dizer mal do Governo fora de portas (aliás também era crime mesmo dentro de portas...). Além disso, não fica bem que quem agora faz estas acusações se tenha notabilizado outrora em "crucificar" o Governo de José Sócrates, em pleno Parlamento Europeu, por alegada limitação da liberdade de imprensa em Portugal, como se os media estivessem sob alguma mordaça governamental.
Se é com este nível que começa a campanha eleitoral das europeias, receemos pelo que aí vem.
É uma jogada política de baixo nível. Faria algum sentido, se Seguro tivesse utilizado fora do país um discurso mais agreste do que aquele que usa em Portugal. Mas não foi o caso: ele disse em Londres exactamente o que diz em Portugal. Ora, mal iria à liberdade de expressão e de acção política, se o próprio líder da oposição não pudesse dizer do Governo lá fora o que diz cá dentro.
Como já foi notado, esta tentativa de acusar o líder da oposição por declarações feitas no estrangeiro (como se fosse um acto de deslealdade ao País...) faz lembrar outros tempos em que era crime qualificado dizer mal do Governo fora de portas (aliás também era crime mesmo dentro de portas...). Além disso, não fica bem que quem agora faz estas acusações se tenha notabilizado outrora em "crucificar" o Governo de José Sócrates, em pleno Parlamento Europeu, por alegada limitação da liberdade de imprensa em Portugal, como se os media estivessem sob alguma mordaça governamental.
Se é com este nível que começa a campanha eleitoral das europeias, receemos pelo que aí vem.
Alas do PS
Publicado por
Vital Moreira
Na sua coluna semanal no jornal i, o deputado socialista Pedro Nuno Santos (que admiro pela frontalidade, consistência e seriedade das suas posições) contesta a existência de uma alegada "ala esquerda" do PS, retorquindo que o que existe, isso sim, é uma "ala direita" (a qual aliás ele considera ter mais peso no Partido do que a sua real representatividade).
Permito-me discordar. A meu ver, a percepção exterior sobre a diversidade interna do PS corresponde grosso modo à realidade: o mainstream do Partido, que é um mix de convicções de esquerda temperadas pelo necessário pragmatismo de um partido de governo, é flanqueado por duas "sensibilidades" (digamos assim, à falta de melhor), uma mais à esquerda (mais "socialista") e outra menos à esquerda (mais "social-democrata"). Basta ver as nuances das posições e opiniões sobre o "programa de ajustamento" e sobre o tratado orçamental para perceber que aqueles diferenças não são uma invenção jornalística.
Acrescento aliás: ainda bem que é assim, nem se vê como poderia ser de outro modo. Nas sociedades pluriclassistas e multifacetadas de hoje os grandes partidos são necessariamente organizações de largo expectro político, o que é penhor da sua capacidade de atrair uma base de apoio eleitoral tão ampla quanto possível.
No caso do PS, essas sensibilidades "laterais" permitem ao Partido competir com o BE à esquerda e com o PSD ao centro. E são a razão por que posições tão distintas em alguns aspectos como as de PNS e as minhas coabitam livremente e fecundamente no PS.
Permito-me discordar. A meu ver, a percepção exterior sobre a diversidade interna do PS corresponde grosso modo à realidade: o mainstream do Partido, que é um mix de convicções de esquerda temperadas pelo necessário pragmatismo de um partido de governo, é flanqueado por duas "sensibilidades" (digamos assim, à falta de melhor), uma mais à esquerda (mais "socialista") e outra menos à esquerda (mais "social-democrata"). Basta ver as nuances das posições e opiniões sobre o "programa de ajustamento" e sobre o tratado orçamental para perceber que aqueles diferenças não são uma invenção jornalística.
Acrescento aliás: ainda bem que é assim, nem se vê como poderia ser de outro modo. Nas sociedades pluriclassistas e multifacetadas de hoje os grandes partidos são necessariamente organizações de largo expectro político, o que é penhor da sua capacidade de atrair uma base de apoio eleitoral tão ampla quanto possível.
No caso do PS, essas sensibilidades "laterais" permitem ao Partido competir com o BE à esquerda e com o PSD ao centro. E são a razão por que posições tão distintas em alguns aspectos como as de PNS e as minhas coabitam livremente e fecundamente no PS.
Um pouco mais de coerência, sff
Publicado por
Vital Moreira
«NATO diz que fronteiras da Europa não devem ser redesenhadas».
Salvo quando um novo desenho interessa à Nato, como sucedeu no caso do Kosovo, em que se fez uma guerra de agressão para cindir a Sérvia. Vá-se lá saber a diferença entre o Kosovo e a Crimeia...
Salvo quando um novo desenho interessa à Nato, como sucedeu no caso do Kosovo, em que se fez uma guerra de agressão para cindir a Sérvia. Vá-se lá saber a diferença entre o Kosovo e a Crimeia...
quarta-feira, 5 de março de 2014
Brasil
Publicado por
Vital Moreira
Excelente a entrevista do antigo Presidente do Brasil, Fernando Henriques Cardoso, a Teresa de Sousa, no Público.
Com serenidade e sem acrimónia face aos presidentes que lhe sucederam, FHC explica as dificuldades e limitações que o Brasil apresenta. E não são poucas, tantas como as potencialidades do País. Só que não é frequente vê-las reconhecidas por um político brasileiro do gabarito de FHC. Mas é em geral assim: um grande político não deixa os seus créditos por mãos alheias.
O problema é que, a não serem atempadamente enfrentadas, essas limitações (perda de competitividade, baixo nível de educação, défice de infraestruturas, burocracia, sistema político desfuncional, etc.) podem frustrar mais uma vez as expectativas de progresso do Brasil.
Com serenidade e sem acrimónia face aos presidentes que lhe sucederam, FHC explica as dificuldades e limitações que o Brasil apresenta. E não são poucas, tantas como as potencialidades do País. Só que não é frequente vê-las reconhecidas por um político brasileiro do gabarito de FHC. Mas é em geral assim: um grande político não deixa os seus créditos por mãos alheias.
O problema é que, a não serem atempadamente enfrentadas, essas limitações (perda de competitividade, baixo nível de educação, défice de infraestruturas, burocracia, sistema político desfuncional, etc.) podem frustrar mais uma vez as expectativas de progresso do Brasil.
terça-feira, 4 de março de 2014
Definição enxuta
Publicado por
Vital Moreira
Social-democracia = democracia liberal + economia de mercado + direitos sociais.
Congresso do PSE: discutir a Europa, mudar a UE
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AG
"A falta de cobertura do Congresso do PSE em Portugal permitiu também ao cabeça da lista conjunta PSD/PP às eleições europeias, Paulo Rangel, um número de malabarismo. Decerto para desviar atenções da sem-vergonha do regresso de Relvas à direcção política do PSD, do vazio de propostas da coligação governamental e do posicionamento de capacho do Governo Passos Coelho/Portas às ordens da Sra. Merkel, o deputado Paulo Rangel investiu em propalar que o PS não estaria em sintonia com os outros partidos da sua família política europeia. Eu, que estive no Congresso de Roma, que vi e que venho acompanhando e participando do trabalho político persistente do PS para mudar o caminho austericida e antidemocrático da UE, posso refutar Paulo Rangel e contrapor que, pelo Manifesto que se aprovou em Roma, não foi o PS que teve de fazer caminho para ficar em sintonia com os seus pares socialistas, muito pelo contrário. O Congresso de Roma consagrou teses que há muito o PS vem defendendo: foram outros partidos socialistas e sociais-democratas, incluindo o alemão, que fizeram o caminho de aproximação a ideias e propostas por que o PS se vem batendo na UE, pela Europa e por Portugal".
NOTA: Este é um extracto das notas que preparei para o meu habitual comentário às terças-feiras no Conselho Superior ANTENA 1 - que hoje acabou por não ter lugar, por ser semi-feriado. Porque me esqueci disso e as escrevi, deixei-as na ABA DA CAUSA, onde podem ser lidas na íntegra.http://aba-da-causa.blogspot.be/2014/03/congresso-do-pes-discutir-europa-mudar.html
NOTA: Este é um extracto das notas que preparei para o meu habitual comentário às terças-feiras no Conselho Superior ANTENA 1 - que hoje acabou por não ter lugar, por ser semi-feriado. Porque me esqueci disso e as escrevi, deixei-as na ABA DA CAUSA, onde podem ser lidas na íntegra.http://aba-da-causa.blogspot.be/2014/03/congresso-do-pes-discutir-europa-mudar.html
segunda-feira, 3 de março de 2014
Pacto de regime
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Vital Moreira
Segundo o DN de hoje, o PS reivindica o direito de indicar o próximo comissário europeu do País no seguimento das próximas eleições europeias, como contrapartida do facto de há cinco anos o Governo do PS ter abdicado de indicar um comissário socialista e ter nomeado Durão Barroso, para lhe permitir continuar a ser presidente da Comissão Europeia.
Sem negar alguma lógica no argumento (que obviamente o Governo negará...), penso que seria mais defensável propor que doravante o comissário nacional seja nomeado de acordo com o partido mais votado nas eleições europeias no nosso país.
Há três bons argumentos para fundamentar esta solução. Primeiro, havendo hoje consenso em que o próximo presidente da Comissão seja o candidato do partido europeu mais votado na União, outro tanto se deveria passar a nível nacional, para reforçar a legitimidade democrática da Comissão. Segundo, com essa solução, a composição política da Comissão reflectiria a paisagem política da União e a relação de forças no Parlamento mais adequadamente do que se os comissários forem designados de acordo com a cor política dos governos em funções, como até aqui, caso em que a Comissão tenderá a reflectir a composição do Conselho e não a do Parlamento Europeu, o que é um contrassenso. Em terceiro lugar, se as eleições europeias também servirem para determinar a escolha do comissário europeu ao nivel nacional isso contribuirá para "europeizar" as eleições, para reduzir o apelo dos partidos antieuropeistas e para dar mais importância ao voto dos eleitores, assim contribuindo para reforçar a participação eleitoral e diminuir a abstenção.
Eis um pacto de regime virtuoso que valia a pena tentar.
Sem negar alguma lógica no argumento (que obviamente o Governo negará...), penso que seria mais defensável propor que doravante o comissário nacional seja nomeado de acordo com o partido mais votado nas eleições europeias no nosso país.
Há três bons argumentos para fundamentar esta solução. Primeiro, havendo hoje consenso em que o próximo presidente da Comissão seja o candidato do partido europeu mais votado na União, outro tanto se deveria passar a nível nacional, para reforçar a legitimidade democrática da Comissão. Segundo, com essa solução, a composição política da Comissão reflectiria a paisagem política da União e a relação de forças no Parlamento mais adequadamente do que se os comissários forem designados de acordo com a cor política dos governos em funções, como até aqui, caso em que a Comissão tenderá a reflectir a composição do Conselho e não a do Parlamento Europeu, o que é um contrassenso. Em terceiro lugar, se as eleições europeias também servirem para determinar a escolha do comissário europeu ao nivel nacional isso contribuirá para "europeizar" as eleições, para reduzir o apelo dos partidos antieuropeistas e para dar mais importância ao voto dos eleitores, assim contribuindo para reforçar a participação eleitoral e diminuir a abstenção.
Eis um pacto de regime virtuoso que valia a pena tentar.
Saída dupla
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Vital Moreira
Numa entrevista ao jornal I hoje, o antigo dirigente parlamentar do PCP, Octávio Teixeira, declara -- e aqui com razão -- que a única alternativa à política de "desvalorização interna" em curso é a saída do euro, para permitir uma desvalorização externa da moeda. Nisto é mais coerente do que outros "antiausteritários", que não ousam tirar a mesma conclusão.
Onde OT falha, porém, é na tentativa de desvalorizar o impacto negativo da saída do euro, na desvalorização drástica da moeda, na inflação, na crise bancária, na baixa do nível de vida, etc. Além de que a saída do euro arrastaria muito provavelmente a saída da UE, visto que a adopção do euro é obrigatória para os Estados-membros da União (salvo os que fizeram opting out na altura própria). Como membro do PCP, OT talvez se regozijasse com isso. Duvido que muitos outros portugueses o acompanhassem no júbilo...
Onde OT falha, porém, é na tentativa de desvalorizar o impacto negativo da saída do euro, na desvalorização drástica da moeda, na inflação, na crise bancária, na baixa do nível de vida, etc. Além de que a saída do euro arrastaria muito provavelmente a saída da UE, visto que a adopção do euro é obrigatória para os Estados-membros da União (salvo os que fizeram opting out na altura própria). Como membro do PCP, OT talvez se regozijasse com isso. Duvido que muitos outros portugueses o acompanhassem no júbilo...
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Onde o Código Penal não deve ser chamado
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Vital Moreira
Esta semana no Parlamento Europeu votei contra uma recomendação de criminalizar os clientes de prostituição.
Seja qual for o juízo que fizermos sobre a prostituição em si mesma, tenho por certo que a criminalização dos clientes de um serviço sexual voluntário entre adultos não seria uma solução adequada, por mais positiva que se julgue ser a chamada "solução nórdica" (o que está longe de ser consensual). Sempre defendi que a criminalização é uma solução de último recurso e que há áreas em que ela pode ser um problema, mais do que uma solução. Esta é uma delas. No caso, a criminalização só contribuiria para clandestinizar a prostituição e para tornar ainda mais vulneráveis as prostitutas (e já agora os prostitutos...) à sua exploração por "gangs" organizados e pelos proxenetas.
Tudo o que importa ser penalizado nesta matéria já é crime: tráfico de mulheres, prostituição forçada, exploração económica da prostituição. Deixemos de lado o Código Penal lá onde ele não é chamado.
A situação na Venezuela
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AG
"A violência contra manifestantes na #Venezuela, que já causou 50 mortos - segundo ontem admitiu o próprio Presidente Maduro- centenas de feridos e centenas de prisioneiros, é inaceitável.
O povo venezuelano - nomeadamente os estudantes, jornalistas, oposição e activistas da sociedade civil - clama por soluções para o elevado crime, a inflação, as lojas vazias de produtos essenciais, contra a corrupção, a impunidade e a repressão do exercício legítimo dos seus direitos de reunião, associação e manifestação, bem como as liberdades essenciais de expressão e de imprensa, garantidos pela Constituição venezuela.
O governo, em vez de retorquir com armas e desculpar-se com um "golpe de estado em marcha" e uma "conspiração do imperialismo americano" deve estabelecer um diálogo pacífico e inclusivo com quem protesta, integrando todos os segmentos da sociedade venezuelana, em particular os mais descontentes.
Esta resolução do PE é equilibrada e clara: o desarmamento de milícias pró-governo, a libertação dos presos, uma investigação independente sobre a violência contra manifestantes e o fim da perseguição e censura dos média são passos indispensáveis e urgentes para envolver os vários agentes políticos e a sociedade civil, se é que o Presidente Maduro ainda quer dar resposta às aspirações do povo venezuelano."
NOTA: minha intervenção no debate do PE sobre a Venezuela.
O povo venezuelano - nomeadamente os estudantes, jornalistas, oposição e activistas da sociedade civil - clama por soluções para o elevado crime, a inflação, as lojas vazias de produtos essenciais, contra a corrupção, a impunidade e a repressão do exercício legítimo dos seus direitos de reunião, associação e manifestação, bem como as liberdades essenciais de expressão e de imprensa, garantidos pela Constituição venezuela.
O governo, em vez de retorquir com armas e desculpar-se com um "golpe de estado em marcha" e uma "conspiração do imperialismo americano" deve estabelecer um diálogo pacífico e inclusivo com quem protesta, integrando todos os segmentos da sociedade venezuelana, em particular os mais descontentes.
Esta resolução do PE é equilibrada e clara: o desarmamento de milícias pró-governo, a libertação dos presos, uma investigação independente sobre a violência contra manifestantes e o fim da perseguição e censura dos média são passos indispensáveis e urgentes para envolver os vários agentes políticos e a sociedade civil, se é que o Presidente Maduro ainda quer dar resposta às aspirações do povo venezuelano."
NOTA: minha intervenção no debate do PE sobre a Venezuela.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Comoção
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Vital Moreira
A decisão do Tribunal Constitucional alemão de considerar inconstitucional a chamada "cláusula barreira" no acesso ao Parlamento Europeu -- que exigia pelo menos 3% de votos para que um partido pudesse eleger deputados -- causou uma verdadeira comoção política na Alemanha, tanto mais que ela vai conduzir inevitavelmente à eliminação da mesma cláusula nas eleições federais, aliás mais elevada (5%) .
Em qualquer caso, a decisão do Tribunal vai permitir aos micropartidos entra no PE, à custa dos grandes partidos, fragmentando a representação parlamentar.
Sempre achei inconstitucional a cláusula barreira na Alemanha, por não ter base constitucional. Mas não vejo razão para tanto alarido. Há uma alternativa óbvia à cláusula barreira. Para obter o mesmo resultado, basta dividir o círculo eleitoral nacional por círculos regionais que elejam não mais de vinte deputados. Resta saber se há vontade política para isso.
Em qualquer caso, a decisão do Tribunal vai permitir aos micropartidos entra no PE, à custa dos grandes partidos, fragmentando a representação parlamentar.
Sempre achei inconstitucional a cláusula barreira na Alemanha, por não ter base constitucional. Mas não vejo razão para tanto alarido. Há uma alternativa óbvia à cláusula barreira. Para obter o mesmo resultado, basta dividir o círculo eleitoral nacional por círculos regionais que elejam não mais de vinte deputados. Resta saber se há vontade política para isso.
A Ucrânia, a UE e a Rússia
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AG
"O que se joga na Ucrânia, está para além dela. É também a relação da UE com a Rússia. Não se trata de instigar a Ucrânia a escolher entre a Europa e a Rússia: tanto a Ucrânia, como a UE, têm de viver e conviver com a vizinha Rússia. A UE - e os EUA - não podem é, de modo nenhum, aceitar que Putin putinize à força, contra a sua vontade, os ucranianos".
Este é um extracto do meu comentário no "Conselho Superior" na ANTENA 1 de 25.2.2014. O texto integral pode ler-se na ABA DA CAUSA aqui: http://aba-da-causa.blogspot.fr/2014/02/a-ucrania-ue-e-russia.html
Este é um extracto do meu comentário no "Conselho Superior" na ANTENA 1 de 25.2.2014. O texto integral pode ler-se na ABA DA CAUSA aqui: http://aba-da-causa.blogspot.fr/2014/02/a-ucrania-ue-e-russia.html
Kiev, Ucrânia, Europa
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AG
A 18 de Fevereiro, escrevia eu:
"Estou para escrever sobre a Ucrânia desde que vim de Kiev, no final de Janeiro, como membro de uma delegação do Parlamento Europeu que falou com os principais actores no conflito. Tardei em escrever por me custar transpor para papel o pessimismo com que regressei: pesava-me a suspeita de que, com o fim dos Jogos Olímpicos de Sochi, viria o enfrentamento violento, de tal modo as posições estavam extremadas e irredutíveis, facultando a Putin pretextos para intervir... Enganei-me apenas no "timing": na noite em que finalmente escrevo, os Jogos ainda prosseguem, Putin degusta a extravagância olimpicamente, mas Kiev já está há horas a arder..."
O texto integral está na ABA DA CAUSA, aqui http://aba-da-causa.blogspot.fr/2014/02/em-kiev-ucrania-europa.html
"Estou para escrever sobre a Ucrânia desde que vim de Kiev, no final de Janeiro, como membro de uma delegação do Parlamento Europeu que falou com os principais actores no conflito. Tardei em escrever por me custar transpor para papel o pessimismo com que regressei: pesava-me a suspeita de que, com o fim dos Jogos Olímpicos de Sochi, viria o enfrentamento violento, de tal modo as posições estavam extremadas e irredutíveis, facultando a Putin pretextos para intervir... Enganei-me apenas no "timing": na noite em que finalmente escrevo, os Jogos ainda prosseguem, Putin degusta a extravagância olimpicamente, mas Kiev já está há horas a arder..."
O texto integral está na ABA DA CAUSA, aqui http://aba-da-causa.blogspot.fr/2014/02/em-kiev-ucrania-europa.html
Comparação
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Vital Moreira
Sem dúvida que, apesar das melhorias em curso na situação económica e orçamental e no acesso aos mercados da dívida, o que mais marca a situação nacional é a enorme a enorme crise social (desemprego, perda de rendimentos, pobreza, aumento da desigualdade), que os excessos da austeridade decretada pelo Governo tornaram mais penosa e mais demorada do que o necessário.
Há, porém, outra comparação a fazer: entre o estado actual do País e aquele em que estaria se não tivesse havido a assistência externa...
Há, porém, outra comparação a fazer: entre o estado actual do País e aquele em que estaria se não tivesse havido a assistência externa...
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O problema...
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Vital Moreira
... das finanças públicas não é a disciplina orçamental, mas sim a falta dela.
(Dedicado aos que receiam o impacto do Tratado Orçamental, que limita o défice estrutural a 0,5%, sobre as contas públicas portuguesas).
(Dedicado aos que receiam o impacto do Tratado Orçamental, que limita o défice estrutural a 0,5%, sobre as contas públicas portuguesas).
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Custos do trabalho
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Vital Moreira
Não pode ignorar-se que, ceteris paribus (nomeadamente para um certo nível de produtividade e de crescimento económico), existe uma correlação directa entre custos do trabalho e emprego. A subida daqueles tende a reduzir o segundo, e vice-versa.
Sucede que os custos do trabalho não se limitam aos salários. Há também os custos não salariais, nomeadamente as contribuições das empresas para a segurança social. Por isso, parece-me fazer sentido a ideia de redução dos custos não salariais do trabalho como parte de uma estratégia de criação de emprego, tornando menos onerosa a contratação de trabalhadores (e compensando por outros meios a perda de receita da segurança social).
Sempre me surpreendeu que esta ideia não encontre tracção nos sindicatos nem na esquerda política.
Adenda
Um leitor observa que o aumento de salários pode alargar a procura interna e dessa maneira fazer crescer a economia. Assim poderia ser numa economia fechada ao exterior. Numa economia aberta, porém, a consequência pode ser o crescimento das importações e a diminuição das exportações, por efeito da quebra de competitividade, com a consequente perda de emprego...
Sucede que os custos do trabalho não se limitam aos salários. Há também os custos não salariais, nomeadamente as contribuições das empresas para a segurança social. Por isso, parece-me fazer sentido a ideia de redução dos custos não salariais do trabalho como parte de uma estratégia de criação de emprego, tornando menos onerosa a contratação de trabalhadores (e compensando por outros meios a perda de receita da segurança social).
Sempre me surpreendeu que esta ideia não encontre tracção nos sindicatos nem na esquerda política.
Adenda
Um leitor observa que o aumento de salários pode alargar a procura interna e dessa maneira fazer crescer a economia. Assim poderia ser numa economia fechada ao exterior. Numa economia aberta, porém, a consequência pode ser o crescimento das importações e a diminuição das exportações, por efeito da quebra de competitividade, com a consequente perda de emprego...
Regimes especiais
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Vital Moreira
«Agricultores que ganhem até 1670 € anuais ficam isentos de declaração IRS [e de inscrição na segurança social]».
Sim, a medida até parece justa em abstracto e fica bem a uma ministra do "partido da lavoura". Mas porquê mais regimes tributários especiais? Por que é que não há-de haver um regime uniforme para todas as actividades económicas? Por que é que a agricultura, para além dos muitos subsídios agrícolas (europeus e nacionais), há-de beneficiar de mais uma excepção, especialmente quando País ainda tem muito para fazer em prol da consolidação orçamental e quando todos os regimes especiais "cheiram" a privilégio?
Sim, a medida até parece justa em abstracto e fica bem a uma ministra do "partido da lavoura". Mas porquê mais regimes tributários especiais? Por que é que não há-de haver um regime uniforme para todas as actividades económicas? Por que é que a agricultura, para além dos muitos subsídios agrícolas (europeus e nacionais), há-de beneficiar de mais uma excepção, especialmente quando País ainda tem muito para fazer em prol da consolidação orçamental e quando todos os regimes especiais "cheiram" a privilégio?
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Incerteza
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Vital Moreira
Confirmando estudos anteriores, o último prognóstico sobre as eleições europeias de Maio (baseado na agregação das sondagens efectuadas a nível nacional) dá uma ligeira vantagem aos socialistas europeus, em resultado de uma subida em relação há cinco anos e de uma significativa queda dos partidos reunidos no PPE. Confirma-se também a subida eleitoral da direita nacionalista e da esquerda radical, aumentando a expressão parlamentar das forças anti-europeístas.
Fora isso, as coisas não estão mal para o PSE e o seu candidato à presidência da Comissão Europeia, Martin Schultz. Mas a campanha ainda nem sequer começou e a três meses de distância o resultado só pode ser incerto.
Como dizia o outro, "prognósticos só no fim do jogo"...
Fora isso, as coisas não estão mal para o PSE e o seu candidato à presidência da Comissão Europeia, Martin Schultz. Mas a campanha ainda nem sequer começou e a três meses de distância o resultado só pode ser incerto.
Como dizia o outro, "prognósticos só no fim do jogo"...
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Contrapartidas dos Submarinos: Justiça ao fundo!
Publicado por
AG
"Enfim, na Alemanha há condenados por corrupção em Portugal e na Grécia na compra de submarinos.
Na Grécia, o ministro que assinou o contrato e recebeu luvas já está preso.
Em Portugal não há corruptos, não há corrupção. Só submarinos e a facturar milhões, em pequenas reparações, confiadas a empresas alemãs, pois claro, porque até as garantias também foram contra os interesses do Estado. Submarinas, afundadas, andam as responsabilidades de Barroso e de Portas. Submarina, afundada também, anda a Justiça!
Notas em que me baseei para o "Conselho Superior" na ANTENA 1 esta manhã podem ser lidas em
http://aba-da-causa.blogspot.be/2014/02/contrapartidas-dos-submarinos-justica.html
Na Grécia, o ministro que assinou o contrato e recebeu luvas já está preso.
Em Portugal não há corruptos, não há corrupção. Só submarinos e a facturar milhões, em pequenas reparações, confiadas a empresas alemãs, pois claro, porque até as garantias também foram contra os interesses do Estado. Submarinas, afundadas, andam as responsabilidades de Barroso e de Portas. Submarina, afundada também, anda a Justiça!
Notas em que me baseei para o "Conselho Superior" na ANTENA 1 esta manhã podem ser lidas em
http://aba-da-causa.blogspot.be/2014/02/contrapartidas-dos-submarinos-justica.html
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Exagero
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Vital Moreira
«Ideia de que o Bloco está para acabar é exagerada».
Pois, está somente a definhar...
Pois, está somente a definhar...
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Hipocrisia helvética
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Vital Moreira
«Três em cada quatro suíços querem manter acordos com UE».
O problema é que os tais acordos com a UE incluíam a liberdade de circulação de pessoas, contra a qual os mesmos suíços agora votaram em referendo. Ora, não se pode seleccionar os acordos que se quer. Se quebram um deles, quebram também os outros, ou seja, os que permitem à Suíça beneficiar do mercado interno da União.
A União não pode deixar de tirar as consequências devidas desta quebra unilateral dos acordos por parte da Suíça. Pese embora a hipocrisia dos helvéticos...
O problema é que os tais acordos com a UE incluíam a liberdade de circulação de pessoas, contra a qual os mesmos suíços agora votaram em referendo. Ora, não se pode seleccionar os acordos que se quer. Se quebram um deles, quebram também os outros, ou seja, os que permitem à Suíça beneficiar do mercado interno da União.
A União não pode deixar de tirar as consequências devidas desta quebra unilateral dos acordos por parte da Suíça. Pese embora a hipocrisia dos helvéticos...
O inimigo
Publicado por
Vital Moreira
«Semedo: Convergência à esquerda seria «dar a mão» a futuro governo liderado por Seguro».
Ora, como sabemos desde o derube do Governo Sócrates às mãos solidárias do BE, do PCP e dos partidos de direita, a esquerda de protesto prefere derrubar governos do PS e não "dar-lhe a mão".
Nada que surpreenda aqui: para o BE, tal como para o PCP, o PS é que é o inimigo a abater...
Ora, como sabemos desde o derube do Governo Sócrates às mãos solidárias do BE, do PCP e dos partidos de direita, a esquerda de protesto prefere derrubar governos do PS e não "dar-lhe a mão".
Nada que surpreenda aqui: para o BE, tal como para o PCP, o PS é que é o inimigo a abater...
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Longe da meta
Publicado por
Vital Moreira
O Governo anunciou que o "défice estrutural" das contas públoicas em 2013 foi pouco superior a 3%do PIB . É um défice inferior ao défice nominal, que ficou em cerca de 5%, dado que aquele desconta os efeitos do ciclo económico, que na atual situação da economia, ainda a recuperar da recessão, puxam o défice nominal para cima (menos receitas tributárias e mais despesa social do que o normal). Todavia, trata-se de um défice estrutural muito acima da meta do equilíbrio das contas públicas, que o Pacto Orçamental fixou em 0,5% do PIB; seis vezes superior!
Se a isto se acrescentar que o saldo orçamental primário (descontado dos encargos da dívida) ainda é negativo -- pelo que o "stock" da dívida pública continua a aumentar --, fácil é verificar que os foguetes que o Governo está a lançar sobre a "recuperação financeira" não têm fundamento. Sim, a queda já se inverteu e as coisas estão a ficar menos más, mas o que resta fazer em matéria de disciplina orçamental é ainda muito e não consente ilusões nem complacência.
Nesta circunstâncias, começar a falar em descida de impostos, como o CDS vem insistindo, ou em suprimir as medidas de austeridade, como alguma esquerda vem exigindo, não passa de demagogia eleitoralista, que bem custosa pode sair ao País.
Adenda
Na verdade, como bem observa Luís Aguiar-Conraria num email que me dirigiu, para que a dívida pública deixe de crescer não basta que o saldo primário seja positivo; é necessário que ele seja suficiente para cobrir os juros da própria dívida. De outro modo, é preciso contrair nova dívida para os pagar.
Se a isto se acrescentar que o saldo orçamental primário (descontado dos encargos da dívida) ainda é negativo -- pelo que o "stock" da dívida pública continua a aumentar --, fácil é verificar que os foguetes que o Governo está a lançar sobre a "recuperação financeira" não têm fundamento. Sim, a queda já se inverteu e as coisas estão a ficar menos más, mas o que resta fazer em matéria de disciplina orçamental é ainda muito e não consente ilusões nem complacência.
Nesta circunstâncias, começar a falar em descida de impostos, como o CDS vem insistindo, ou em suprimir as medidas de austeridade, como alguma esquerda vem exigindo, não passa de demagogia eleitoralista, que bem custosa pode sair ao País.
Adenda
Na verdade, como bem observa Luís Aguiar-Conraria num email que me dirigiu, para que a dívida pública deixe de crescer não basta que o saldo primário seja positivo; é necessário que ele seja suficiente para cobrir os juros da própria dívida. De outro modo, é preciso contrair nova dívida para os pagar.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
E por que não os submarinos?
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Vital Moreira
«Governo vende 10 aviões da Força Aérea».
Não sei por que se não vendem também os submarinos com que em má hora a mania das grandezas militares resolveu afundar o orçamento do Estado.
Não sei por que se não vendem também os submarinos com que em má hora a mania das grandezas militares resolveu afundar o orçamento do Estado.
Coerência
Publicado por
Vital Moreira
Um leitor pergunta-me por que é que, dada a minha confortável situação económica, defendo a criação de um imposto sobre o património e o reestabelecimento do imposto sobre sucessões e doações, o que vai obvimente contra os meus interesses.
A minha resposta é simples: pela mesma razão por que há muitos anos, estando os meus filhos na universidade, defendi as propinas no ensino superior público; ou por que, sendo funcionário público (e com muita honra!), sempre denunciei as prerrogativas da função pública; ou por que, sendo um próximo aposentado da função pública, não considerei intolerável a redução das pensões da CGA no contexto do ajustamento das finanças públicas; ou por que, sendo beneficiário da ADSE, ousei propor a sua extinção; ou por que, tendo alguns rendimentos de capital, sempre defendi o aumento do respectivo imposto, bem como das mais-valias mobiliárias.
Poderia dar outros exemplos. Do que se trata sempre é de ser coerente com as ideias que se defende. É o que me distingue dos que, sendo titulares de nutridas pensões públicas (bem acima das contribuições que fizeram para o efeito...), acham que os sacrifícios podem impender sobre todos os rendimentos menos sobre os deles, sem ao menos se darem ao cuidado de uma declaração de interesses...
A minha resposta é simples: pela mesma razão por que há muitos anos, estando os meus filhos na universidade, defendi as propinas no ensino superior público; ou por que, sendo funcionário público (e com muita honra!), sempre denunciei as prerrogativas da função pública; ou por que, sendo um próximo aposentado da função pública, não considerei intolerável a redução das pensões da CGA no contexto do ajustamento das finanças públicas; ou por que, sendo beneficiário da ADSE, ousei propor a sua extinção; ou por que, tendo alguns rendimentos de capital, sempre defendi o aumento do respectivo imposto, bem como das mais-valias mobiliárias.
Poderia dar outros exemplos. Do que se trata sempre é de ser coerente com as ideias que se defende. É o que me distingue dos que, sendo titulares de nutridas pensões públicas (bem acima das contribuições que fizeram para o efeito...), acham que os sacrifícios podem impender sobre todos os rendimentos menos sobre os deles, sem ao menos se darem ao cuidado de uma declaração de interesses...
ADSE
Publicado por
Vital Moreira
Faz todo o sentido a proposta do PS de entregar a gestão da ADSE aos sindicatos da função pública ou a associações de beneficiários, logo que ela seja integralmente financiada por contribuições dos interessados numa base voluntária.
Desde há muito que defendo que não faz sentido que, havendo um SNS universal sustentado pelo Estado, este tenha um sistema de saúde privativo para os funcionários públicos, em parte financido pelos contribuintes que também sustentam o SNS.
Desde há muito que defendo que não faz sentido que, havendo um SNS universal sustentado pelo Estado, este tenha um sistema de saúde privativo para os funcionários públicos, em parte financido pelos contribuintes que também sustentam o SNS.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Um pouco mais de rigor, sff
Publicado por
Vital Moreira
A proposta do líder do PS para a criação de um tribunal dedicado a litígios de investimento levantou uma onda de críticas tão absurdas, que só o desconhecimento pode justificar. Não se trata obviamente de um "tribunal criminal especial" nem de uma "justiça dourada" para investidores estrangeiros, mas sim simplesmente de um tribunal de competência especializada, como vários outros na nossa ordem judiciária, como por exemplo os tribunais de comércio ou o tribunal de concorrência e regulação.
A ideia pode obviamente ser discutida quanto ao seu mérito, mas não ser acusada de inconstitucional ou de ser um privilégio para investidores chineses.
A demagogia não é boa conselheira. Um pouco mais de rigor se faz favor...
A ideia pode obviamente ser discutida quanto ao seu mérito, mas não ser acusada de inconstitucional ou de ser um privilégio para investidores chineses.
A demagogia não é boa conselheira. Um pouco mais de rigor se faz favor...
Tribunais (2)
Publicado por
Vital Moreira
Já não acompanho o compromisso de reestabelecer no futuro os tribunais que vão ser extintos no âmbito da reforma do mapa judiciário em curso.
Primeiro, penso que a actual rede de tribunais não é defensável, conjugando muitos tribunais de comarca sem movimento que os justifique com tribunais especializados em número insuficiente, neste caso com grave desigualdade territorial no acesso à justiça (tribunais de trabalho, tribunais de família, tribunais comerciais, para não falar dos tribunais administrativos e fiscais). Segundo, tal com sucede com o direito à saúde ou o direito à educação, o direito à justiça não inclui necessariamente um tribunal a dois passos de casa.
Além disso, restabelecer instituições ou estabelecimentos públicos extintos (freguesiais, tribunais, escolas, instituições de saúde, etc.) não é simples nem barato. Sabendo-se que nos próximos anos, mesmo depois do fim da austeridade propriamente dita, não vai haver muita folga financeira, pode ser temerário tomar compromissos que envolvem avultados custos orçamentais. Mais vale ser prudente...
Primeiro, penso que a actual rede de tribunais não é defensável, conjugando muitos tribunais de comarca sem movimento que os justifique com tribunais especializados em número insuficiente, neste caso com grave desigualdade territorial no acesso à justiça (tribunais de trabalho, tribunais de família, tribunais comerciais, para não falar dos tribunais administrativos e fiscais). Segundo, tal com sucede com o direito à saúde ou o direito à educação, o direito à justiça não inclui necessariamente um tribunal a dois passos de casa.
Além disso, restabelecer instituições ou estabelecimentos públicos extintos (freguesiais, tribunais, escolas, instituições de saúde, etc.) não é simples nem barato. Sabendo-se que nos próximos anos, mesmo depois do fim da austeridade propriamente dita, não vai haver muita folga financeira, pode ser temerário tomar compromissos que envolvem avultados custos orçamentais. Mais vale ser prudente...
Tribunais (1)
Publicado por
Vital Moreira
Pode fazer sentido a ideia de A. J. Seguro de criação de um tribunal especializado para os litígios emergentes de contratos de investimento, especialmente os que envolvam investimento estrangeiro. Um dos factores que pesam numa decisão de investimento estrangeiro é naturalmente a segurança jurídica, incluindo desde logo a rapidez na decisão judicial definitiva, o que está longe de estar assegurado em Portugal (tantas vezes condenado no TEDH justamente por atraso excessivo na justiça).
É por isso, entre outras razões, que muitos acordos internacionais de investimento estrangeiro entre Estados (e muitos contratos de investimento estrangeiro entre Estados e investidores estrangeiros) prevêem mecanismos alternativos de resolução de litígios, nomeadamente a via arbitral, com a consequente desjudicialização desses litígios. Mas a via arbitral para os litígios de investimento estrangeiro é tudo menos incontroversa hoje em dia.
É por isso, entre outras razões, que muitos acordos internacionais de investimento estrangeiro entre Estados (e muitos contratos de investimento estrangeiro entre Estados e investidores estrangeiros) prevêem mecanismos alternativos de resolução de litígios, nomeadamente a via arbitral, com a consequente desjudicialização desses litígios. Mas a via arbitral para os litígios de investimento estrangeiro é tudo menos incontroversa hoje em dia.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Opção
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Vital Moreira
Alguns críticos apressados "crucificaram" o deputado socialista João Galamba, por este ter defendido que, entre cortar nas despesas sociais e subir impostos, optaria pela segunda via.
Não compartilho de muitas opiniões de JG sobre alguns temas. Mas, embora assaz "ortodoxo" em matéria de discipina orçamental e de controlo da despesa pública (durante muitos anos sem muita companhia mesmo entre os atuais fundamentalistas da austeridade a todos os azimutes...), também eu defendo que entre pôr em causa os fundamentos do Estado social pelo corte da despesa (escola pública, SNS, proteção social) e subir impstos, só é justo optar pela segunda alternativa.
Convém aliás referir que ao longo dos anos tenho defendido repetidamente, de novo sem muita companhia, mesmo à esquerda, a recuperação do imposto sucessório (que considero o mais justo dos impostos sob o ponto de vista da igualdade tributária) e a criação de um imposto sobre as fortunas.
De novo, peço meças...
Não compartilho de muitas opiniões de JG sobre alguns temas. Mas, embora assaz "ortodoxo" em matéria de discipina orçamental e de controlo da despesa pública (durante muitos anos sem muita companhia mesmo entre os atuais fundamentalistas da austeridade a todos os azimutes...), também eu defendo que entre pôr em causa os fundamentos do Estado social pelo corte da despesa (escola pública, SNS, proteção social) e subir impstos, só é justo optar pela segunda alternativa.
Convém aliás referir que ao longo dos anos tenho defendido repetidamente, de novo sem muita companhia, mesmo à esquerda, a recuperação do imposto sucessório (que considero o mais justo dos impostos sob o ponto de vista da igualdade tributária) e a criação de um imposto sobre as fortunas.
De novo, peço meças...
Separação de poderes
Publicado por
Vital Moreira
Embora pense que uma remodelação do mapa judiciário é imprescindível (e só peca por atraso), sou bastante crítico da reforma em curso, desde logo pela escolha dos distritos administrativos como base das novas "supercomarcas".
Todavia, seja qual for a posição política sobre o novo mapa judiciário, mal de nós se qualquer decisão política sobre essa matéria ou, em geral, sobre a organização territorial dos serviços públicos (sejam tribunais, escolas ou serviços de saúde) pudesse ser travada quanto ao fundo por uma decisão judicial.
Os tribunais não têm legitimidade para decidir sobre o mérito ou demérito político das políticas públicas. Isso é matéria para os partidos políticos e para os cidadãos eleitores. À política o que é da política!
Todavia, seja qual for a posição política sobre o novo mapa judiciário, mal de nós se qualquer decisão política sobre essa matéria ou, em geral, sobre a organização territorial dos serviços públicos (sejam tribunais, escolas ou serviços de saúde) pudesse ser travada quanto ao fundo por uma decisão judicial.
Os tribunais não têm legitimidade para decidir sobre o mérito ou demérito político das políticas públicas. Isso é matéria para os partidos políticos e para os cidadãos eleitores. À política o que é da política!
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Imunidades
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Vital Moreira
Já sabíamos da jurisprudência que confere imunidade às injúrias ou insultos de jornalistas aos titulares de cargos políticos. Agora ficamos a saber da imunidade dos sindicalistas, mesmo quando são funcionários públicos. A doutrina é: se o alvo são os políticos, o Código Penal e o estatuto disciplinar deixam de ter aplicação...
Será que as mesmas imunidades também se aplicariam se os visados fossem juízes?
Será que as mesmas imunidades também se aplicariam se os visados fossem juízes?
Prudência
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Vital Moreira
«Rui Rio defende saída da troika com programa cautelar para evitar problemas».
Mas será que o Governo resiste à tentação de um show-off político à beira das eleições europeias, mesmo que isso traga riscos para o País?
Mas será que o Governo resiste à tentação de um show-off político à beira das eleições europeias, mesmo que isso traga riscos para o País?
domingo, 26 de janeiro de 2014
Portucaliptal
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Vital Moreira
Não temos um partido verde nem uma consciência política ambiental. Se tivéssemos, o desastre ecológico que é a contínua eucalipatização do país, sem paralelo em nenhum outro país europeu, não continuaria, com o solícito apoio de todos os governos.
Ao contrário do que corre como verdade convencional, o principal lóbi do País não é a banca mas sim a indústria da celulose, à qual vamos sacrificando a paisagem e a diversidade florestal, assim como os aquíferos do país, para além de combustível fácil para os incêndios florestais do verão...
Ao contrário do que corre como verdade convencional, o principal lóbi do País não é a banca mas sim a indústria da celulose, à qual vamos sacrificando a paisagem e a diversidade florestal, assim como os aquíferos do país, para além de combustível fácil para os incêndios florestais do verão...
Sucesso, mas...
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Vital Moreira
Sim, o Governo tem razões para estar contente com os consistentes sinais positivos na frente orçamental e económica: redução do défice orçamental, baixa dos juros da dívida pública, retoma económica, saldo comercial externo positivo, inversão da curva do desemprego e, até, redução do rácio da dívida pública. Se as coisas continuarem neste ritmo, o Governo vai sentir-se tentado a arriscar sair do programa de ajustamento "à irlandesa", ou seja, sem o conforto de um "programa cautelar", quanto mais não seja para "show-off" eleitoral (e mesmo que isso seja pouco prudente).
Mas o júbilo do Governo deveria ser "temperado" por alguns "senões" importantes: primeiro, por culpa do Governo (sobredosagem de austeridade), os resultados positivos vêm com um ano de atraso em relação ao previsto, tendo custado aos portugueses sacrifícios mais fundos e mais prolongados do que o necessário; segundo, as metas da redução do défice estão a ser alcançadas também com muito atraso em relação ao calendário inicial, e mais à custa do aumento da receita (aumento de impostos) do que da despesa, que continua a aumentar, apesar do substancial corte das despesas com pessoal; terceiro, as contas públicas continuam sem atingir um saldo primário positivo (sem os encargos da dívida), o que quer dizer que continuamos a aumentar o stock da dívida pública; por último, com um défice orçamental ainda próximo de 5%, estamos muito longe não somente do défice de 3% do "pacto de estabilidade" da União Europeia mas também dos 0,5% de défice estrutural do "pacto orçamental".
São tão irresponsáveis os festejos do Governo quanto o "estado de negação" da oposição.
Mas o júbilo do Governo deveria ser "temperado" por alguns "senões" importantes: primeiro, por culpa do Governo (sobredosagem de austeridade), os resultados positivos vêm com um ano de atraso em relação ao previsto, tendo custado aos portugueses sacrifícios mais fundos e mais prolongados do que o necessário; segundo, as metas da redução do défice estão a ser alcançadas também com muito atraso em relação ao calendário inicial, e mais à custa do aumento da receita (aumento de impostos) do que da despesa, que continua a aumentar, apesar do substancial corte das despesas com pessoal; terceiro, as contas públicas continuam sem atingir um saldo primário positivo (sem os encargos da dívida), o que quer dizer que continuamos a aumentar o stock da dívida pública; por último, com um défice orçamental ainda próximo de 5%, estamos muito longe não somente do défice de 3% do "pacto de estabilidade" da União Europeia mas também dos 0,5% de défice estrutural do "pacto orçamental".
São tão irresponsáveis os festejos do Governo quanto o "estado de negação" da oposição.
"Declínio europeu"
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Vital Moreira
A história do "declínio europeu" está mal contada.
Mesmo depois de quatro anos de crise, de que só agora está a sair, a União Europeia continua a ser a maior economia do mundo, o maior bloco comercial (com um excedente comercial assinalável), o segundo maior investidor global, com cinco países entre os dez mais competitivos do mundo...
Mesmo depois de quatro anos de crise, de que só agora está a sair, a União Europeia continua a ser a maior economia do mundo, o maior bloco comercial (com um excedente comercial assinalável), o segundo maior investidor global, com cinco países entre os dez mais competitivos do mundo...
sábado, 18 de janeiro de 2014
Pós-troika
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Vital Moreira
A aposta no falhanço do programa de "ajustamento" económico e orçamental -- e na esperada queda do Governo -- está em vias de esgotar-se. Para depois da troika exige-se da oposição algo mais sofisticado e mais mobilizador...
Sem precedente
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Vital Moreira
O presidente do CDS tem razão quando assinala que, salvo percalço inesperado, este será o primeiro governo de coligação a completar uma legislatura (aliás mais prolongada do que o normal) desde o inicío da era constitucional em 1976. Todos os anteriores governos de coligação, em diversas combinações (PS-CDS, PSD-CDS, PS-PSD) ficaram pelo caminho.
Mas Portas deveria ser último a celebrar antecipadamente o feito, pois, se isso se verificar, o mérito não é seu, antes pelo contrário, pois por vontade sua o Governo teria caído antes do verão do ano passado, quanto tomou a decisão "irrevogável" de se demitir. Não fica bem a ninguém ufanar-se daquilo que só aconteceu apesar dos seus caprichos políticos
Mas Portas deveria ser último a celebrar antecipadamente o feito, pois, se isso se verificar, o mérito não é seu, antes pelo contrário, pois por vontade sua o Governo teria caído antes do verão do ano passado, quanto tomou a decisão "irrevogável" de se demitir. Não fica bem a ninguém ufanar-se daquilo que só aconteceu apesar dos seus caprichos políticos
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Alvo errado
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Vital Moreira
Há quem insista em fazer da troika o responsável pelas medidas de austeridade e pelos seus efeitos económicos e sociais. Passsos Coelho e Paulo Portas agradecem: enquanto se ataca a troika, o Goveno folga...
Referendos
Publicado por
Vital Moreira
Partidário da democracia representativa e parlamentar por princípio, não tenho simpatia pelo referendo (que entre nós é sempre um plebiscito, tecnicamente falando), justamente por ele ser uma derrogação daquela, embora não o exclua de todo em todo, em circunstâncias especiais.
O que não me parece muito curial é que, tratando-se de substituir a democracia representativa pela democracia directa (abdicando o parlamento do seu poder legislativo), um partido imponha disciplina de voto na necessária decisão parlamentar de recurso ao referendo. Se a disciplina de voto é em princípio justificável, e mesmo necessária, num regime parlamentar assente em partidos, como o nosso (como condição da responsabilidade política dos partidos e da estabilidade governamental), já me parece que os deputados -- que por definição representam todos os cidadãos -- não deveriam ser "forçados" a auto-expropriarem-se do poder de legislar que lhes foi conferido pelos eleitores nas eleições parlamentares, aliás sem reservas (salvo as que decorrem da Constituição).
O que não me parece muito curial é que, tratando-se de substituir a democracia representativa pela democracia directa (abdicando o parlamento do seu poder legislativo), um partido imponha disciplina de voto na necessária decisão parlamentar de recurso ao referendo. Se a disciplina de voto é em princípio justificável, e mesmo necessária, num regime parlamentar assente em partidos, como o nosso (como condição da responsabilidade política dos partidos e da estabilidade governamental), já me parece que os deputados -- que por definição representam todos os cidadãos -- não deveriam ser "forçados" a auto-expropriarem-se do poder de legislar que lhes foi conferido pelos eleitores nas eleições parlamentares, aliás sem reservas (salvo as que decorrem da Constituição).
Social-democracia em França!
Publicado por
Vital Moreira
Para surpresa de muitos, o Presidente Hollande veio declarar-se "social-democrata", o que na esquerda francesa soa como heresia. Resta saber com que convicção e com que resultados.
Já não é há pouco tempo que venho manifestando as minhas preocupações com a França: perda de dinamismo económico e de competitividade externa, finanças públicas desequilibradas, crescimento da direita radical, perda de influência na União Europeia, etc.
A reorientação estratégica era necessária e as primeiras medidas anunciadas pelo Presidente vão no bom sentido. Temos de esperar para saber se vão ser efectivamente aplicadas e se não chegam demasiado tarde.
Já não é há pouco tempo que venho manifestando as minhas preocupações com a França: perda de dinamismo económico e de competitividade externa, finanças públicas desequilibradas, crescimento da direita radical, perda de influência na União Europeia, etc.
A reorientação estratégica era necessária e as primeiras medidas anunciadas pelo Presidente vão no bom sentido. Temos de esperar para saber se vão ser efectivamente aplicadas e se não chegam demasiado tarde.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Não é bem assim (2)
Publicado por
Vital Moreira
A propósito de uma troca de impressões pública entre o eurodeputado Paulo Rangel e eu próprio no sábado passado em Coimbra, o Jornal de Notícias afirma que o primeiro defendeu a "voto preferencial" (em que cada eleitor tem a possiblidade de indicar a sua preferência no boletim de voto quanto aos candidatos do partido em que vota) e que eu teria concordado.
Não é bem assim, porém. Depois de levantar várias objeções a esse sistema (a principal das quais é que uma tal solução geraria uma campanha paralela entre os candidatos de cada partido, lutando entre si pela preferência dos eleitores), o máximo que concedi foi admitir um ensaio experimental a título de teste.
Continuo sem estar convencido sobre se os méritos dessa soluação superan os seus riscos...
Não é bem assim, porém. Depois de levantar várias objeções a esse sistema (a principal das quais é que uma tal solução geraria uma campanha paralela entre os candidatos de cada partido, lutando entre si pela preferência dos eleitores), o máximo que concedi foi admitir um ensaio experimental a título de teste.
Continuo sem estar convencido sobre se os méritos dessa soluação superan os seus riscos...
Não é bem assim
Publicado por
Vital Moreira
O semanário Sol decidiu titular a minha entrevista da semana passada com uma afirmação minha, segundo a qual "a fase aguda da crise já passou", deixando entender que a frase se referia ao caso nacional. Mas quem ler a entrevista, verá que o comentário foi feito a propósito da União Europeia em geral e não a propósito da situação em Portugal -- o que não é a mesma coisa.
A liberdade editorial na escolha do título das entrevistas não autoriza nenhuma distorção do sentido do que foi dito.
A liberdade editorial na escolha do título das entrevistas não autoriza nenhuma distorção do sentido do que foi dito.
Falsificação
Publicado por
Vital Moreira
A afirmação de Paulo Portas no Congresso do CDS segundo a qual as próximas eleições europeias «são escolha entre quem lançou país no resgate e quem trabalhou para sair dele» não passa de um exercício de falsificação histórica e política.
Quem provocou deliberadamente o pedido de resgate foram o PSD e o CDS, com a prestimosa colaboração da esquerda radical, ao chumbarem o chamado "PEC IV" e ao derrubarem o Governo, sabendo que, nas circunstâncias europeias da época, a consequência inevitável era o pedido de resgate. Como sucedeu pouco depois.
Quem provocou deliberadamente o pedido de resgate foram o PSD e o CDS, com a prestimosa colaboração da esquerda radical, ao chumbarem o chamado "PEC IV" e ao derrubarem o Governo, sabendo que, nas circunstâncias europeias da época, a consequência inevitável era o pedido de resgate. Como sucedeu pouco depois.
"Espiral"
Publicado por
Vital Moreira
Na primeira fase da crise, quando os efeitos recessionistas da austeridade (queda do consumo, do investimento e do emprego) se revelaram muito mais fundos do que o que se tinha antecipado, lançou-se apressadamente a ideia de uma catastrófica "espiral recessiva".
Agora que parece começar a registar-se uma inversão do fenómeno, apesar de a austeridade não ter aliviado, pelo contrário, o que é que os precipitados analistas de ontem vão dizer se os arautos do Governo começarem a falar numa "espiral expansiva", ainda em plena austeridade orçamental!?
Agora que parece começar a registar-se uma inversão do fenómeno, apesar de a austeridade não ter aliviado, pelo contrário, o que é que os precipitados analistas de ontem vão dizer se os arautos do Governo começarem a falar numa "espiral expansiva", ainda em plena austeridade orçamental!?
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