quarta-feira, 3 de agosto de 2005

O jornal fantasma

Tenho duas más notícias: a primeira é que A Capital teve a sua última edição no sábado passado; a segunda é que, precisamente em consequência disso, estou de volta à Causa.
Abaixo deste, estão publicados os meus dois últimos textos para o diário lisboeta. Inéditos. Escrevi-os de avanço, na esperança de que a péssima notícia, afinal, não se concretizasse. Um seria o meu texto de humor na segunda-feira, o outro a página de domingo. Deixo-os aqui.

Finalmente, escrevo este post da minha secretária no jornal. À minha volta, ninguém. As televisões desligadas, as mesas abandonadas e com os jornais de há vários dias atrás. Notam-se agora, muito melhor, as imperfeições todas: a humidade nas paredes, o vidro partido, as ventoinhas avariadas. Algumas secretárias foram esvaziadas das toneladas de papel, livros e lembretes pessoais dos seus ocupantes. Lá em baixo, na redacção, duas ou três pessoas limpam os discos dos seus computadores, disquete atrás de disquete.
Somos quase ninguém e os poucos que somos não têm vontade de conversar. De que se fala quando já não há um prazo diário a cumprir? De que se conversa num jornal quando já só existe o edifício?

ps: peço desculpa pela má edição dos textos abaixo mas o blogger diz-me que eles estão perfeitos na caixa de "Edit". Não sei que se passa - mas não é a primeira vez nem será a última.

ps2: o "Sit-Dowm Comedy", crónica de humor sobre a actualidade, que assinei diariamente durante mais de um ano n'A Capital, continuará no CN após uns dias de descanso.