Excelente o discurso que o Presidente da República Cavaco Silva acaba de fazer diante do Parlamento Europeu!
Um discurso centrado em preocupações sociais-democratas, contra o acentuar da desigualdade causada pelo desemprego e pelo crescimento económico indiferente às implicações sociais e políticas.
Um discurso realmente ancorado nos valores e ideais europeus.
Um discurso que talvez seja mais fácil de fazer quando não se tem responsabilidades executivas, mas que também podia não se fazer, reforçando-se antes a cartilha direitista das "competividades" e das "eficiências"...
Um discurso que deverá ser lido em Portugal como recado ao actual governo socialista. Pela esquerda.
Blogue fundado em 22 de Novembro de 2003 por Ana Gomes, Jorge Wemans, Luís Filipe Borges, Luís Nazaré, Luís Osório, Maria Manuel Leitão Marques, Vicente Jorge Silva e Vital Moreira
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Grátis?!
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Vital Moreira
O semanário Sol, dando uma ajudinha ao lóbi pró-aeroporto na margem sul do Tejo, diz que «Alcochete fica grátis», porque os terrenos são públicos. Só se "esqueceu" de dizer quanto custa mudar o campo de tiro para outro lado (novo terreno, mudança de instalações e equipamentos, etc.)...
Assim se faz jornalismo entre nós!
Assim se faz jornalismo entre nós!
Empréstimos no ensino superior
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Vital Moreira
Para uma análise informada e profunda sobre o tema em epígrafe, incluindo uma apreciação das críticas movidas contra a novo regime legal, ver os textos de J. Vasconcelos Costa, referidos aqui.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Um espectro assola a América
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Vital Moreira
É o espectro do "socialismo". A ideia de o Estado garantir a todos o direito à saúde, mediante um seguro de saúde universal obrigatório, subsidiando o Estado os que não podem suportar os respectivos encargos, ganha terreno nos Estados Unidos, não somente entre os Democratas, onde é desde há muito acarinhado, mas (ó desgraça!) entre os próprios Republicanos, tendo já sido adoptado no Massachussets pelo Governador Mitt Romney (aliás, candidato à nomeação presidencial Republicana), e recolhendo também a simpatia de outros Republicanos, como o governador da Califórnia, Schwartzenegger.
Liberais radicais de todo o mundo, uni-vos contra este atentado qualificado do Welfare state aos fundamentos do Estado liberal!
Liberais radicais de todo o mundo, uni-vos contra este atentado qualificado do Welfare state aos fundamentos do Estado liberal!
Não há financiamentos grátis (8)
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Vital Moreira
A conspiração de silêncio no caso Somague-PSD, ou a omertà à portuguesa...
Cimeira EU-África
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AG
Já está disponível na Aba da Causa (com quase dois meses de atraso) a minha contribuição de Julho para o Courrier Internacional.
Timor
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AG
Já está disponível na Aba da Causa a minha última contribuição para o Courrier Internacional, desta feita sobre Timor. Aqui fica uma amostra:
"Em Abril, Maio e Junho, por três vezes se verificou o afluxo massivo dos timorenses às urnas, com civismo, ordem e confiança. Poucos povos terão prestado mais pungentes provas de empenho na democracia, desmentindo quem propala a “inviabilidade” de Timor. As contagens decorreram regularmente. Os resultados foram normais e como se podia antecipar depois da primeira volta das presidenciais: nas legislativas confirmou-se o que o povo já dissera nas urnas a 9 de Abril e 9 de Maio - que não queria a FRETILIN a dominar o Estado, como antes. E por isso não lhe deu a presidência da República, nem maioria para governar."
"Em Abril, Maio e Junho, por três vezes se verificou o afluxo massivo dos timorenses às urnas, com civismo, ordem e confiança. Poucos povos terão prestado mais pungentes provas de empenho na democracia, desmentindo quem propala a “inviabilidade” de Timor. As contagens decorreram regularmente. Os resultados foram normais e como se podia antecipar depois da primeira volta das presidenciais: nas legislativas confirmou-se o que o povo já dissera nas urnas a 9 de Abril e 9 de Maio - que não queria a FRETILIN a dominar o Estado, como antes. E por isso não lhe deu a presidência da República, nem maioria para governar."
A imoralidade dos moralistas
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Vital Moreira
O que sobressai na história do senador Republicano Larry Craig, que acaba de se demitir do Senado norte-americano depois de conhecido publicamente o episódio da tentativa de contacto sexual com outro homem no mictório de um aeroporto, é a extraordinária contradição entre essa conduta e o seu moralismo ultraconservardor e reaccionário enquanto político, contrário aos casamentos gay, às políticas de combate à discriminação de género, etc. Entre outras coisas, o ex-senador Craig foi um dos mais severos críticos do ex-presidente Clinton no caso Lewinski, por "conduta imoral."
Há um nome para isso: hipocrisia. E há uma lição a tirar: nada mais imoral do que a imoralidade dos moralistas.
Há um nome para isso: hipocrisia. E há uma lição a tirar: nada mais imoral do que a imoralidade dos moralistas.
sábado, 1 de setembro de 2007
Jornalistas
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Vital Moreira
A oposição profissional ao novo Estatuto dos Jornalistas já percebeu (não era difícil...) que o veto presidencial não lhe serve de grande coisa (foi mais um "flirt" de Belém com a profissão...), pelo que defende agora que uma lei destas "não deve ser aprovada só por um partido", pretendendo consagrar uma espécie de "poder de veto da oposição" nesta matéria, a somar ao do Presidente da República.
De onde é que surgiu esta ideia de que não basta uma maioria para legitimar politicamente um estatuto profissional dos jornalistas, não se sabe ao certo. Será que tem a ver com algum desconhecido privilégio da profissão?
De onde é que surgiu esta ideia de que não basta uma maioria para legitimar politicamente um estatuto profissional dos jornalistas, não se sabe ao certo. Será que tem a ver com algum desconhecido privilégio da profissão?
Privatizações
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Vital Moreira
No seu artigo de ontem no Público, Luís Campos e Cunha (que foi o primeiro, e breve, ministro das Finanças do actual Governo) pergunta qual é o sentido, se sentido tem, a privatização de empresas públicas gestoras de infra-estruturas que são monopólios naturais, como é o caso da REN (que na próxima privatização deixará de ter maioria de capital público). Não posso senão concordar com a questão, tanto mais que suponho ter sido primeiro a suscitá-la publicamente, em termos discordantes, aliás mais do que uma vez.
E também compartilho da estranheza de estas questões não serem objecto de discussão política, especialmente no PS. De facto, como diz o autor, a privatização de infra-estruturas não é o mesmo que a privatização de empresas que operam em ambiente concorrencial, como uma cimenteira ou uma seguradora.
E também compartilho da estranheza de estas questões não serem objecto de discussão política, especialmente no PS. De facto, como diz o autor, a privatização de infra-estruturas não é o mesmo que a privatização de empresas que operam em ambiente concorrencial, como uma cimenteira ou uma seguradora.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
OGM em Portugal
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AG
Já está disponível na ABA DA CAUSA um artigo meu sobre os OGM em Portugal, publicado ontem no Diário de Leiria.
Excesso legislativo
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Vital Moreira
«Publicação de escutas só com OK dos visados», mesmo que constem de peças processuais que não se encontrem protegidas pelo segredo de justiça. De facto, tal parece ser o único sentido da norma do nº 4 do art. 88º novo Código de Processo Penal, segundo o qual
«Não é permitida, sob pena de desobediência simples, a publicação, por qualquer meio, de conversações ou comunicações interceptadas no âmbito de um processo, salvo se não estiverem sujeitas a segredo de justiça e os intervenientes expressamente consentirem na publicação».A não haver outro entendimento possível, então trata-se de uma restrição claramente desproporcionada ao conhecimento público dos processos penais. Por minha parte, apoio a solução de vincular os média pelo segredo de justiça -- desde que reduzido este ao mínimo indispensável --, mas não considero aceitável ir além disso, até a uma proibição automática, geral e permanente de divulgação de conversas telefónicas constantes dos autos não protegidos pelo segredo, determinado nos termos da lei.
Um pouco mais de seriedade, sff.
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Vital Moreira
Decididamente, Marques Mendes não está a passar por um bom momento. Depois da leviana visita de solidariedade à directora do MNAA, resolveu celebrar efusivamente os vetos legislativos presidenciais, que considerou serem "fruto da arrogância do Governo".
Ora, uma das leis vetadas, a que reformula o regime da responsabilidade civil extracontratual do Estado -- por sinal, aquela de que o Presidente mais discorda, incluindo a sua filosofia --, foi aprovada por unanimidade, contando portanto com o voto do do PSD, a que Marques Mendes preside e do qual é também deputado.
Há fenómenos de notável irresponsabilidade, não há?!
Ora, uma das leis vetadas, a que reformula o regime da responsabilidade civil extracontratual do Estado -- por sinal, aquela de que o Presidente mais discorda, incluindo a sua filosofia --, foi aprovada por unanimidade, contando portanto com o voto do do PSD, a que Marques Mendes preside e do qual é também deputado.
Há fenómenos de notável irresponsabilidade, não há?!
Contra, porque sim
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Vital Moreira
A propósito do novo regime de empréstimos garantidos pelo Estado para a frequência do ensino superior, sustentei que ele constitui uma vantagem adicional para os seus beneficiários, bem como um apoio (e um encargo financeiro) adicional do Estado, que se soma aos apoios existentes, proporcionando a possibilidade de frequência do ensino superior a quem de outro modo não poderia fazê-lo ou só o poderia fazer com muitas dificuldades.
Os críticos do referido regime (aqui e aqui), em vez de contestarem essa mais-valia (não vejo como), desviam a conversa para outros temas que não estão em discussão, como as propinas e a acção social escolar, sabendo bem que nem as primeiras vão aumentar nem a segunda vai diminuir (pelo contrário). Quando não convém conversar sobre alhos, fala-se em bugalhos...
Os críticos do referido regime (aqui e aqui), em vez de contestarem essa mais-valia (não vejo como), desviam a conversa para outros temas que não estão em discussão, como as propinas e a acção social escolar, sabendo bem que nem as primeiras vão aumentar nem a segunda vai diminuir (pelo contrário). Quando não convém conversar sobre alhos, fala-se em bugalhos...
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Justiça
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Vital Moreira
No Chile, um dos generais de Pinochet, responsável pelo assassínio de vários opositores à ditadura, foi condenado a prisão perpétua.
Nem sempre justiça tardia deixa de ser justiça.
Em contrapartida, nos Estados Unidos, um tribunal militar absolveu um oficial que era responsável pela prisão de Abu Ghraib ao tempo das torturas e dos maus-tratos a prisioneiros, acusado de omissão de vigilância e de "cobertura" dos crimes. Nenhum oficial foi condenado no âmbito desse processo. Como diz o New York Times de hoje, os Estados Unidos desejam pôr Abu Ghraib "debaixo de tapete".
Nem sempre a aparência de justiça é justiça.
Nem sempre justiça tardia deixa de ser justiça.
Em contrapartida, nos Estados Unidos, um tribunal militar absolveu um oficial que era responsável pela prisão de Abu Ghraib ao tempo das torturas e dos maus-tratos a prisioneiros, acusado de omissão de vigilância e de "cobertura" dos crimes. Nenhum oficial foi condenado no âmbito desse processo. Como diz o New York Times de hoje, os Estados Unidos desejam pôr Abu Ghraib "debaixo de tapete".
Nem sempre a aparência de justiça é justiça.
Espanha e Portugal: um destino comum na Europa
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AG
Li com muito interesse este artigo do socialista espanhol Enrique Barón Crespo, meu colega no Parlamento Europeu, aliás ex-Presidente desta instituição, um ilustre europeu e um distinto europeísta.
Não posso concordar com a mensagem iberista do artigo, como também discordei das mais recentes provocações de José Saramago no mesmo sentido: a aproximação política entre os dois países vizinhos, o forte incremento das trocas comerciais, a integração económica, as fronteiras abertas e, claro, uma longa e próspera paz entre ambos, não devem ser confundidos com uma antecâmara de uma fusão política. Ou será que se perspectiva também a fusão entre a França e a Alemanha? Ou entre a Holanda e a Alemanha?
A história do sucesso da cooperação ibérica (apesar dos diferentes graus de desenvolvimento entre Portugal e Espanha, ambos deixaram para trás para sempre a miséria e o obscurantismo) é indissociável do projecto europeu e do seu progresso.
E aqui Barón Crespo tem toda a razão em lembrar que "la aventura europea nos ha permitido reencontrarnos". Permitiu a duas nações soberanas e distintas colher os frutos da cooperação, do desenvolvimento económico e da integração, deixando para trás séculos de guerras, mesquinhez dinástica e nacionalismos complexados.
Cabe agora a Portugal - onde infelizmente alguns, enredados em mentalidades ultrapassadas, nunca deixaram de confundir partilha de soberania com perda de independência - assumir as suas responsabilidades europeias liderando as negociações que culminarão numa reforma substancial dos Tratados europeus existentes: um novo Tratado de Lisboa para a União Europeia.
A união na diversidade é a força da Europa.
Não posso concordar com a mensagem iberista do artigo, como também discordei das mais recentes provocações de José Saramago no mesmo sentido: a aproximação política entre os dois países vizinhos, o forte incremento das trocas comerciais, a integração económica, as fronteiras abertas e, claro, uma longa e próspera paz entre ambos, não devem ser confundidos com uma antecâmara de uma fusão política. Ou será que se perspectiva também a fusão entre a França e a Alemanha? Ou entre a Holanda e a Alemanha?
A história do sucesso da cooperação ibérica (apesar dos diferentes graus de desenvolvimento entre Portugal e Espanha, ambos deixaram para trás para sempre a miséria e o obscurantismo) é indissociável do projecto europeu e do seu progresso.
E aqui Barón Crespo tem toda a razão em lembrar que "la aventura europea nos ha permitido reencontrarnos". Permitiu a duas nações soberanas e distintas colher os frutos da cooperação, do desenvolvimento económico e da integração, deixando para trás séculos de guerras, mesquinhez dinástica e nacionalismos complexados.
Cabe agora a Portugal - onde infelizmente alguns, enredados em mentalidades ultrapassadas, nunca deixaram de confundir partilha de soberania com perda de independência - assumir as suas responsabilidades europeias liderando as negociações que culminarão numa reforma substancial dos Tratados europeus existentes: um novo Tratado de Lisboa para a União Europeia.
A união na diversidade é a força da Europa.
Mais uma medida de "destruição do Estado social"
Publicado por
Vital Moreira
«A comparticipação do Estado destinada à compra de manuais escolares para as famílias mais carenciadas com filhos no 10.º, 11.º ou 12.º anos subiu 27,7 por cento.» (do Público de hoje).
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