segunda-feira, 9 de junho de 2008

Afeganistão - estratégia precisa-se



250 milhões de mulheres na UE


Nos próximos doze meses, há quatro cargos de topo para distribuir na UE: Presidente do Conselho da UE, Presidente da Comissão, Presidente do Parlamento Europeu e Alto Representante para a Política Externa e de Segurança.
O que é que têm em comum os nomes mais falados pela imprensa? Todos vestem fato e gravata. É este o traje que domina as fotos de família dos líderes europeus... desde sempre. Os dirigentes europeus devem ser escolhidos entre as pessoas mais competentes e ser representativos. Não acredito que entre 250 milhões de mulheres europeias, nem uma esteja à altura!
A discriminação, na maioria das vezes indirecta, continua ainda hoje a impedir que os tectos de vidro sejam quebrados - como é bem visível nos cargos políticos de topo.
Acho que é tempo de vermos pelo menos uma mulher entre os mais altos dirigentes da UE. Por isso, já assinei esta petição, lançada há dias, por uma eurodeputada dinamarquesa: http://www.femalesinfront.eu/.

Desparasitagem

Na passada quinta-feira à noite escrevi um post sobre a entrada em cena de José Lello no debate sobre a actuação de Manuel Alegre, disparando acusações de "parasitagem".
Ao acordar, de manhã, retirei-o. Por indigestos: o post e Lello. Mas houve quem tivesse lido o post. E por isso aqui fica a súmula: "Com defensores destes, o PS não precisa de detractores".

Imprevidência

O Governo deixou passar complacentemente as graves violações da liberdade e da legalidade perpetradas pela "greve" dos armadores de pesca (e ainda os premiou com várias cedências...). Agora parece ir também fechar os olhos à anunciada limitação da liberdade de circulação rodoviária pela "greve" das empresas de transporte.
Quando um grupo profissional ou sindical decidir paralisar à força a entrada numa cidade ou a circulação numa auto-estrada, que vai fazer o Governo?

"Free riders"

Faz sentido que quem quer beneficiar da acção colectiva dos outros -- como sucede com a acção sindical na negociação colectiva de trabalho -- seja obrigado a pagar uma contribuição? A meu ver, faz todo o sentido, desde que fique à liberdade de escolha do interessados a decisão de beneficiar, ou não, das vantagens em causa.
Com efeito, o que caracteriza os grandes grupos é o facto de só uma parte dos seus membros participarem e suportarem os encargos da acção colectiva do grupo (quotas de inscriação sindical, greves, etc.), indo os restantes à boleia, acabando por beneficiar à borla do esforço alheio.

Liberdade de circulação

«Um grupo de camionistas vai concentrar-se às 00:00 de segunda-feira, no IC1, junto a São Bartolomeu de Messines para se distribuírem por vários pontos estratégicos da região e tentar impedir a entrada de camiões no Algarve (...)».
Há quem pense que as ameaças à liberdade só vêm do Estado. Mas quando vêm dos privados, como neste caso, quem é que a pode defender?

sábado, 7 de junho de 2008

Táxis

Na sua crónica no Expresso de hoje Daniel Bessa declara que os taxistas são os mais prejudicados com a subida dos preços dos combustíveis, visto que não podem repercuti-la nos preços, sugerindo portanto uma actualização das tarifas.
A questão é de saber por que é que se não liberalizam os preços, juntamente com a própria actividade dos táxis. Qual é a razão para a contingentação administrativa dos táxis e a fixação administrativa dos preços?

Contradição...

...é ver partidos ditos ecologistas ou defensores de causas ecologistas a defender a descida do preço dos combustíveis. Mas o lado bom dos preços altos é justamente a baixa do seu consumo.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Liberdades jornalísticas

Um diário económico anuncia hoje como certo, com base num parecer do Provedor de Justiça, que a taxa de regulação da Entidade Reguladora da Comunicação Social, cobrada às empresas de media, é inconstitucional.
É uma precipitação jornalística. O parecer do Provedor é só isso, um parecer (aliás errado, na minha opinião), e a maior aparte das decisões judicias sobre o assunto não têm seguido essa posição.

Touradas na TV

Um tribunal proibiu a transmissão de touradas na televisão antes do horário nocturno. Do mal o menos!
Mas o que devia ter sido proibido era que a RTP transmitisse touradas em qualquer hora e, antes disso, que fosse organizadora de touradas. A que propósito é que a barbaridade da tourada faz parte das missões de serviço público da RTP?

Malthusianismo profissional

«Ordem dos Dentistas pondera impedir acesso à profissão».
Quando é que as ordens profissionais se convencem, de uma vez por todas, que a liberdade de profissão está constitucionalmente garantida e que não pode haver contingentação administrativa no acesso às profissões?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Obama (2)

O candidato presidencial Democrata andou mal em assegurar "apoio incondicional" a Israel no conflito com os palestinianos, incluindo na integração israelita de Jerusalém Oriental. Para além apoiar uma posição iníqua, e de revelar uma inaceitável dose de oportunismo, só para atrair o apoio voto judeu norte-americano, Obama abdicou desde já de exercer um mínimo de arbitragem imparcial no conflito (caso seja eleito), que não terá fim sem a pressão dos Estados Unidos sobre o seu aliado para um compromisso de paz na Palestina.
Começa mal nos seus compromisso internacionais.

Obama

Por mim, preferia Hillary Clinton, mas sólida, mais progressista e com melhores possibilidades de vitória sobre o candidato Republicano. Mas os eleitores do Partido Democrático preferiram Obama. Seja então ele o candidato nomeado.
A partir de agora é também o "meu" candidato na disputa presidencial norte-americana!

Alegre (2)

Manuel Alegre denunciou aquilo que chamou "socialismo capitalista". Sendo evidente que ele não defende as alternativas ao capitalismo que o século passado gerou em nome do "socialismo" (cujos avatares ainda se observam na China, em Cuba ou na Coreia do Norte), Alegre não esclareceu, porém, em que consistiria o novo socialismo "não capitalista".
Em vez de um desafio ao debate político e doutrinário, uma frase bem-achada pode não passar de uma fácil arma de arremesso político, ou de simples sofisma...

Alegre

É evidente que Manuel Alegre decidiu acentuar a sua divergência com o PS, ao ser protagonista de um comício ostensivamente hostil ao Governo socialista. Mas não me parece que as nervosas e destemperadas reacções de alguns dirigentes do PS ajudem a resolver o diferendo. Antes pelo contrário, só o agravam, dando-lhe aliás mais visibilidade --, o que Alegre agradece. E a oposição...

Dever de cidadania

Foi o que invocou o Prof. Almiro de Oliveira para vir agora denunciar a brutal fraude contra o Estado cometida por responsáveis políticos e não só ligados à aquisição do SIRESP por um preço cinco vezes superior ao orçamentado.
Não conheço o Prof. Almiro de Oliveira, mas quero vivamente saudá-lo por ter cumprido o seu dever de cidadania.
Vem-me à cabeça como era importante que outros lhe seguissem o exemplo.
Por exemplo, nas Forças Armadas portuguesas.
Não há nas FA ninguém a sentir o dever de cidadania de denunciar publicamente as escandalosas negociatas em equipamento militar feitas pelo Ministro Paulo Portas (e não só, e não só...) e que custaram, custam e vão custar milhões ao Estado (ou seja a cada um dos portugeses contribuintes)?
Estou a lembrar-me dos submarinos, por exemplo, que custaram logo mais 30 milhões pelos honorários da ESCOM(GES), mal o Ministro Portas a encarregou de negociar em nome do Estado. E depois mais 35% do custo global (que ascende aos mil milhões de euros) mal a ESCOM começou a negociar comissões à esquerda e à direita.

SIRESP - Sistema Integrado das Redes Saqueadoras do Estado Português

A PGR já reabriu o processo de suspeitas de tráfico de influências (e não só...) que foi arquivado pelo MP em Março passado, face à denúncia agora feita pelo Presidente do Grupo de Trabalho responsável pela aquisição do equipamento do SIRESP, Prof. Almiro de Oliveira, no sentido de que ela custou ao Estado - que gastou 485 milhões de euros - cinco vezes mais do que valia, segundo noticiado pelo PÚBLICO, a 2 de Junho?
E já agora pode a PGR explicar por que é que o Presidente do Grupo de Trabalho nunca foi ouvido no processo arquivado?
E o Governo?
já está a promover inquérito ou qualquer coisa que dê sinal de que quer apurar o que efectivamente se passou, recuperar o que o Estado pagou a mais e punir exemplarmente os responsáveis deste Sistema Integrado das Redes Saqueadoras do Estado ?
ou bloqueia, face aos nomes de Daniel Sanches, Dias Loureiro e outros nomes santificados no firmamento Centrão?

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Património do Estado vendido por ajuste directo

"Milhões sem concurso - Património do Estado avaliado em 324 milhões de euros vendido por ajuste directo".
Muito preocupante esta reportagem do SOL, de 31 de Maio último, que revela que apenas 10% do património do Estado que o Governo vendeu por ajuste directo em 2006 e 2007 à PARPUBLICA (a holding estatal gestora de participações sociais) está a ser colocado no mercado por concurso público.
A revenda, pela ESTAMO e a SOGESTAMO (ambas empresas de capitais exclusivamente públicos, dependentes da PARPUBLICA) está a ser feita, diz o jornal, essencialmente com recurso à venda directa ou à venda por negociação com empresas interessadas. Mas a ESTAMO e a SOGESTAMO não se chegam à frente, facultando a consulta à documentação dos negócios feitos e em preparação, apesar de instadas pelos jornalistas há meses.
Preocupantes são os negócios que o SOL detalha, em ilustração dos esquemas de secretismo das vendas e revendas, que exigem que tudo seja de facto publicamente esclarecido: o Estabelecimento Prisional de Lisboa; a Quinta da Cartuxa em Oeiras, onde a Ministra da Justiça (Celeste Cardona) do Governo Durão Barroso queria instalar a PJ; um andar em Matosinhos vendido a um ex-director do Estabelecimento Prisional do Porto que ilegalmente o ocupava; e a compra e revenda do Palácio Belmarço em Faro, judicialmente contestada pelo Presidente da Câmara local (o socialista José Apolinário).
Mais preocupante, ainda, é constatar que há um Ministério - o da Justiça - que aparece envolvido nos quatro obscuros casos de alienação de imóveis do Estado. E em três casos intervem também a ESTAMO.
Mas afinal, onde é que estamos quanto à PARPUBLICA/ESTAMO e a sua secretiva actividade de compra e venda de edificios e terrenos que são propriedade do Estado e poderiam passar a ser de qualquer um, se a alienação se fizesse por concurso público (e houvesse fundos para os comprar) ? Porque é que não se fazem concursos públicos sobre todo o património do Estado que há para vender? Porque é estas três empresas do Estado andam a esconder o que andam a fazer? Quem são os gestores, administradores e advogados destas empresas do Estado e como e quando foram nomeados?

P.S. - Será que também vão parar às secretivas PARPUBLICA/ESTAMO/GESTAMO a venda e revenda dos 150 edificios do património militar que o Ministério da Defesa Nacional tenciona alienar - sem ainda ter indicado quais - nos termos da Lei de Programação de Infra-estruturas Militares na semana passada aprovada pela AR na generalidade?

P.S. - De que é que o Ministério das Finanças está à espera para ordenar à tripla PARPUBLICA/ESTAMO/SOGESTAMO que respondam às perguntas de jornalistas e esclareçam como se estão a fazer os negócios com o património do Estado? Ou vai deixar que se adensem as suspeitas de corrupção e fraude contra o Estado?

Notícias de corrupção em Portugal

Resenha, não exaustiva, de títulos dos jornais que li na segunda-feira, no avião a caminho de Bruxelas:

“Operação Furacão apanha Joe Berardo e Horácio Roque” (PÚBLICO, 29 de Maio)

“Quadros superiores do BPN entregaram às autoridades queixas contra o banco” (PÚBLICO, 31 de Maio)

“Milhões sem concurso – património do Estado avaliado em 324 milhões de euros vendido por ajuste directo” (SOL, 31 de Maio)

“PJ faz buscas a casa de Horta e Costa por suspeitas de corrupção nos CTT” (PÚBLICO, 2 Junho)

“Suspeitas de ‘Carrossel do IVA’ via Madeira a caminho de África” (DN, 2 Junho)

“Estado gastou 485 milhões em negócio que valia um quinto” (PÚBLICO, 2 Junho)

Como é óbvio, os temas destes artigos foram tratados noutros jornais e media. Se se somarem as notícias de processos e investigações há muito em curso e que tardam a produzir conclusões (Felgueiras, Oeiras, Portucale, Furacão, Submarinos, etc...), mais as respeitantes às suspeitas de cartelização das empressas petrolíferas (que o relatório da Autoridade da Concorrência ontem só veio adensar), mais páginas e páginas mediáticas que abordam a corrupção no futebol português, então o cheiro a putrefacção torna-nos o ar irrespirável.
Por isso falei de luta contra a corrupção na última reunião da Comissão Nacional do PS. Deixei até um pedido, em que vou insistir até ser satisfeito:
- Que o Ministro das Finanças se apresse a obter do governo alemão a prometida lista dos depositantes portugueses nos off-shores do Liechenstein, conforme anunciou em 24 de Abril passado. E a torná-la publica de imediato, evidentemente.