Ai! Ouve-se cada uma aos nossos comentadores de bancada sobre a luta pela libertação de Tripoli, na Líbia.
Mas alguns perguntadores às vezes também não ajudam.
Foi o caso de Sandra Felgueiras, normalmente bem preparada, mas hoje infeliz numa entrevista a Marina Costa Lobo na RTP-N.
"E o povo líbio, estará preparado para a democracia?..." foi neste sentido a pergunta.
E que povo está preparado para a democracia, antes de começar a praticá-la? pergunto eu. É que a aprendizagem da democracia só se faz de uma maneira - praticando-a.
Enfim, a pergunta da jornalista não releva, realmente, uma questão de preparação. Releva, de facto, da geração: se a Sandra fosse da minha e tivesse vivido na ditadura e depois a libertação do 25 de Abril de 1974, saberia que nós, portugueses, também não estavamos nada preparados. E, no entanto, isso não nos tirou o direito, nem a oportunidade, de querer viver em democracia.
Tal qualzinho como querem os líbios - e acontece que já estão há seis meses a preparar-se. Mais do que nós em 1974.
E olhe-se para nós: cá andamos, continuando a procurar aprender.
Blogue fundado em 22 de Novembro de 2003 por Ana Gomes, Jorge Wemans, Luís Filipe Borges, Luís Nazaré, Luís Osório, Maria Manuel Leitão Marques, Vicente Jorge Silva e Vital Moreira
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Mercado protegido
Publicado por
Vital Moreira
O relatório do Tribunal de Contas sobre o mercado dos medicamentos veio comprovar mais uma vez os custos da falta de concorrência no mercado do retalho farmacêutico, que se traduz quer na deficente cobertura do território nacional quer em margens de comercialização muito acima da média do comério retalhista em Portugal. O SNS e os portugueses pagam a factura...
Não existe nenhuma justificação para as barreiras legais à abertura de novas farmácias -- nomeadamente a distância mínima em relação a farmácias existentes e a quota populacional a nível municipal --, que não têm paralelo em relação a outros estabelecimentos retalhistas de bens e serviços, nem sequer na área da saúde (consultórios médicos, laboratórios de análises clínicas, etc.).
Também não deixa de ser estranho que um Governo tão assertivo em matéria de liberalismo económico, não dê prioridade à liberalização definitiva do sector das farmácias.
Não existe nenhuma justificação para as barreiras legais à abertura de novas farmácias -- nomeadamente a distância mínima em relação a farmácias existentes e a quota populacional a nível municipal --, que não têm paralelo em relação a outros estabelecimentos retalhistas de bens e serviços, nem sequer na área da saúde (consultórios médicos, laboratórios de análises clínicas, etc.).
Também não deixa de ser estranho que um Governo tão assertivo em matéria de liberalismo económico, não dê prioridade à liberalização definitiva do sector das farmácias.
Mais impostos sobre quem foge aos impostos
Publicado por
AG
Fazer os nossos milionários pagar mais impostos, além da contribuição para o equilibrio orçamental através do aumento das receitas do Estado, seria sobretudo importante para fazer sentir às familias da classe média e baixa a quem o Governo está a impor pesados sacrificios, que ao menos procura reparti-los por todos os portugueses com equidade, com um mínimo de justiça.
Mas tão importante como sobretaxar o património e rendimentos dos muito ricos, era fazer pagar impostos aos bancos e empresas portuguesas que se aproveitam da desarmonização fiscal a nível europeu e dos paraísos fiscais para fugir aos impostos. Designadamente às 19 empresas do PSI 20 que têm as as suas "holdings" na Holanda, Luxemburgo, Bélgica, etc, como expôs recente reportagem no PÚBLICO (sobre o tema falei no meu comentário desta semana no Conselho Superior na ANTENA UM).
É por isso que é indispensável taxar as transacções financeiras e em especial mais fortemente as que se destinam a "off-shores" e jurisdisções de conveniência como as acima referidas, incluindo o esquema do "off-shore" da Madeira.E não nos venham com a treta (como veio o Ministro Teixeira dos Santos, em 2010) de que isso é muito dificil de concretizar, porque vários parceiros europeus já o fazem, unilateralmente ou na base de acordos bilaterais. Como o recentemente assinado entre a Alemanha e a Suiça, para assegurar a devida cobrança de impostos (26 a 34%) a capitais de individuos ou sociedades alemãs parqueados na Suiça.
Que impede o governo de Passos Coelho de propor e exigir que um tal acordo se estenda a toda a Europa e se replique relativamente a outras jurisdisções de conveniência?
Eurobonds
Publicado por
Vital Moreira
A Alemanha e os outros países da UE que se opõem à emissão conjunta de títulos de dívida (eurobonds) para financiar os orçamentos nacionais tem dois argumentos a seu favor. Primeiro, se eles garantissem a dívida de países em dificuldades financeiras -- e que por isso pagam juros muito altos -- também eles seriam penalizados, vendo subir as taxas de juro dos seus próprios empréstimos. Segundo, se os países mais indisciplinados financeiramente tivessem acesso ao crédito com juros mais baixos deixariam de ter incentivo para se corrigirem.
Todavia, ao primeiro argumento pode responder-se que os custos acrescidos para a Alemanha e outros países -- que por acaso são quem mais proveito tira do Euro -- seriam um baixo preço quando comparado com o risco de desmoronamento do Euro. Ao segundo argumento pode responder-se que a aceitação da emissão de eurobonds poderia ter justamente como condição a adopção pelos países beneficiários de medidas mais estritas de disciplina financeira.
Em vez de aguardar por uma integração mais avançada para considerar os eurobonds, os países liderantes da zona euro deveriam utilizá-los como alavança para "forçar" uma integração mais rápida e mais profunda das políticas orçamental, económica e tributária, sem a qual o Euro continuará sujeito a crises de estabilidade.
Todavia, ao primeiro argumento pode responder-se que os custos acrescidos para a Alemanha e outros países -- que por acaso são quem mais proveito tira do Euro -- seriam um baixo preço quando comparado com o risco de desmoronamento do Euro. Ao segundo argumento pode responder-se que a aceitação da emissão de eurobonds poderia ter justamente como condição a adopção pelos países beneficiários de medidas mais estritas de disciplina financeira.
Em vez de aguardar por uma integração mais avançada para considerar os eurobonds, os países liderantes da zona euro deveriam utilizá-los como alavança para "forçar" uma integração mais rápida e mais profunda das políticas orçamental, económica e tributária, sem a qual o Euro continuará sujeito a crises de estabilidade.
Mais impostos sobre os mais ricos
Publicado por
AG
Warren Buffett, um dos mais ricos do mundo, foi um dos que começou a defendê-los, compreendendo como a crise evoluiria, da economia para a política. Uns mais ricos franceses, historicamente escaldados desde 1789, ouviram-no, perceberam logo e alinharam. Espanhois e outros preparam-se para ir atrás. E os governos respectivos "obligent", atentos, veneradores e obrigados...
Mas por cá os mais ricos - que o ano passado aumentaram em média os ganhos em 20%, apesar da crise - estarão "indisponíveis ou relutantes", dizem os media, recorrendo a eufemismos para disfarçar a oposição, a resistência.
Não é por súbito acesso de generosidade ou de loucura que Buffett e milionários franceses se aprestam a pagar mais impostos: é por elementar bom senso, de quem percebe que é preferível redistribuir um bocadinho para que o sistema em que ganha faraonicamente possa continuar; de quem percebe que se não partilhar um pouquinho se arrisca a vir a ser alvo de furia popular - o seu negócio ou mesmo a sua cabeça poderão rolar.
Buffett e os outros já perceberam e admoestam os políticos que pagam a não arrastar mais os pés, pondo-lhes o fisco à porta, a cobrar mais e ruidosamente.
Os nossos, novos-ricos, gananciosos e toscos, não.
É, em última análise, como tudo o que explica atrasos de Portugal, uma questão de educação. De nível de educação.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
O próximo
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Vital Moreira
Chipre pode ser o próximo Estado-membro da UE a ter de pedir ajuda financeira externa, dada a incapacidade do governo minoritário (comunista) de lidar com o crescente défice público.
Entre as peculiaridades financeiras cipriotas conta-se o facto de os funcionários públicos não contribuírem para o sistema público de pensões...
Peranbte a imimnência de mais este descarrilamento, não é de admirar que Bruxelas lute por medidas mais estritas para fazer cumprir a disciplina orçamental a nível nacional e que a Alemanha e outros países se recusem a admitir a mutualização da dívida soberana mediante a emissão de "eurobonds"...
Entre as peculiaridades financeiras cipriotas conta-se o facto de os funcionários públicos não contribuírem para o sistema público de pensões...
Peranbte a imimnência de mais este descarrilamento, não é de admirar que Bruxelas lute por medidas mais estritas para fazer cumprir a disciplina orçamental a nível nacional e que a Alemanha e outros países se recusem a admitir a mutualização da dívida soberana mediante a emissão de "eurobonds"...
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Execução orçamental
Publicado por
Vital Moreira
As contas provisórias do Estado relativas aos primeiros sete meses do ano -- em grande parte ainda da responsabilidade do governo socialista -- deve enterrar definitivamene o paleio sobre o "desvio colossal" com que o actual governo tentou manchar a herança recebida do anterior.
De facto, os números mostram que o défice do Estado diminuiu cerca de 25% em relação ao do período homólogo do ano passado (de quase 9000 milhões para menos de 6700 milhões) e que, se isso se ficou a dever ao aumento da receita (mais 4,4%), não se ficou a dever menos, pelo contrário, ao corte na despesa (menos 4,8%). Cai também a acusação tantas vezes repetida de que a correcção orçamental se estava a fazer essencialmente por via do aumento da receita e não pela redução da despesa.
Não há portanto nenhuma razão para não atingir a meta da redução do défice global prevista no orçamento para este ano (a não ser que haja surpresas da Madeira ou das autarquias locais...).
De facto, os números mostram que o défice do Estado diminuiu cerca de 25% em relação ao do período homólogo do ano passado (de quase 9000 milhões para menos de 6700 milhões) e que, se isso se ficou a dever ao aumento da receita (mais 4,4%), não se ficou a dever menos, pelo contrário, ao corte na despesa (menos 4,8%). Cai também a acusação tantas vezes repetida de que a correcção orçamental se estava a fazer essencialmente por via do aumento da receita e não pela redução da despesa.
Não há portanto nenhuma razão para não atingir a meta da redução do défice global prevista no orçamento para este ano (a não ser que haja surpresas da Madeira ou das autarquias locais...).
Libia Hourra! Tripoli Hourra!
Publicado por
AG
"Cobre-te canalha na mortalha,
hoje o rei vai nu,
os velhos tiranos há mil anos morrem como tu..."
É o velho Zeca que cantarolo assistindo, contente, às manifestações populares em Tripoli celebrando a entrada dos rebeldes e o fim do tirano. Como supus, o povo de Tripoli estava tão deserto como o de todas as outras regiões por se ver livre do torcionário - ou porventura mais, dado tem sido ainda mais martirizado, como refém do regime nos ultimos meses.
Vejo a praça da Liberdade a abarrotar em Benghazi, a demonstrar como têm estado errados os comentadores de bancada, em Portugal e não só, que papagueiam as teses khadaffianas de que não há sentido de unidade nacional na Libia, de que a fragmentação tribal impede, bloqueia, dificulta, bla, bla, bla.... Não há pachorra!...
Dois aviões sul-africanos estão estacionados em Tripoli, diz a Al Jazeera, para levar Khadaffy para o exilio, no Zimbabwe ou em Angola. Os povos obviamente não o merecem, mas os dirigentes daqueles países são anfitriões à altura do exilado, sem dúvida nenhuma. Deixá-lo ir, se for - não perderá pela demora.
Dois ou três filhos do louco assassino terão sido entretanto detidos, incluindo o odiado/desprezado Saif Al Islam. Ao menos que esses sejam levados a julgamento.
Cobre-te canalha na mortalha....
E os canalhas não são só Khadaffy, filhos e os lacaios do regime que restam. Há a corte internacional, incluindo lusa, que se esmerou no beija-mão do torcionário, à conta dos proventos petrolíferos e outros. Cubram-se, canalhas, pelas migalhas...
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Subiu-lhes o poder à cabeça
Publicado por
Vital Moreira
A confirmar-se (pelo menos não foi desmentida) a notícia de que o Ministro Miguel Relvas convidou pessoalmente um jornalista para representante da RTP em Washington, trata-se de um facto da maior gravidade, pelo que significa de violação da independência da RTP e de invasão pelo Governo da esfera de competência própria da estação pública.
Decididamente, há neste Governo ministros a quem o poder subiu à cabeça e os leva a emular Alberto João Jardim. Só a benévola cumplicidade da imprensa pode deixar passar isto sem a condenação que merece. Imagine-se que algo de semelhante tivesse sucedido no mandato do anterior Governo, quando o PSD inventava um suposto controlo governamental dos media, para não falar da famosa "asfixia democrática"!...
Aditamento
Mário Crespo declara que não recebeu nenhuma abordagem "directa" do Governo. Para bom entendedor...
Decididamente, há neste Governo ministros a quem o poder subiu à cabeça e os leva a emular Alberto João Jardim. Só a benévola cumplicidade da imprensa pode deixar passar isto sem a condenação que merece. Imagine-se que algo de semelhante tivesse sucedido no mandato do anterior Governo, quando o PSD inventava um suposto controlo governamental dos media, para não falar da famosa "asfixia democrática"!...
Aditamento
Mário Crespo declara que não recebeu nenhuma abordagem "directa" do Governo. Para bom entendedor...
"Enkontrus de Baucau" - X
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AG
"Enkontrus de Baucau" - IX
Publicado por
AG
Não havia Enkontrus sem a Felicidade Ximenes e o Bispo D. Basilio do Nascimento despertarem o interesse do Rui Tavares, sem o Rui ter a ideia e a partilhar comigo, sem a minha assistente Helena Soares e a Marta Loja Neves, assistente do Rui, se meterem entusiasticamente ao trabalho, agregando pelo caminho a Gei, e depois embarcarem o António Loja Neves, que trouxe o cineasta brasileiro Amaury Tangará e a produtora Tati (que além de assegurarem as sessões de cinema, iniciaram a fazer cinema um grupo de jovens de Baucau e o filme que resultou foi passado na sessão final dos Enkontrus e mal esteja pronto será aqui difundido).
E, claro, não havia Enkontrus dignos desse significado, sem o inestimável "Takas", Luis Cardoso, o grande escritor timorense, que além de animar entusiástica, pedagógica e criativamente diversas sessões com crianças, jovens e menos jovens, acabou por ser nosso precioso intérprete em muitos momentos de comunicação/comunhão. Sem "Takas" nunca tinhamos "atacado" tão bem os Enkrontus de Baucau. Sem "Takas" nunca tínhamos tocado nada de jeito e com tanta sensibilidade. Vivó "Takas"!
Mas que teríamos nós feito sem o apoio logistico e de segurança e o companheirismo da uma simpatica equipa da GNR?
E sem o companheirismo do Fernando Moreira e do João Leitão, dirigentes da Escola Superior de Turismo do Estoril, que vieram por sua conta e risco ver como era e que acabaram embrenhados no apoio à formação em Baucau?
E sem o apoio financeiro e em espécie das entidades que acreditaram no projecto e que o tornaram possível (com muito pouco dinheiro, de que em breve prestaremos contas publicamente). Destaco: o IPAD, o Instituto Camões, a Embaixada de Portugal em Dili, a Fundação Oriente/Hotel Timor, o Montepio Geral, a Timor Telecom, a parceria Entreposto/Ensu.
Sem esquecer o meu velho amigo Zé Alberto de Sousa, que já está "cafriali-timorizado", e nos deu os mais preciosos jeitos, conselhos e avisos.
Ah, e claro, nada teriamos feito sem o apoio do PR Ramos Horta, do PM Xanana Gusmão, do Parlamento Nacional Timorense, do MRE (e o Ministro das Relações Exteriores, Zacarias da Costa, juntamente com D. Basilio do Nascimento veio participar no debate com os jovens no ultimo dia dos Enkontrus), e as autorizações e facilitações necessárias do Ministro da Cultura e do Ministro do Turismo de Timor Leste, do Administrador de Baucau, da Policia de Baucau, do Padre Mário da Diocese de Baucau, dos "Na Terra", da Associação de Artes e Cultura de Baucau, da Carpintaria de Baucau, a Fundação Alola e etc...
Se estou a esquecer-me de alguém, terei pressa em corrigir.
OBRIGADU BARAK a todos!
PS. - Ah, não. Não estou a esquecer-me de agradecer à Comissão Europeia, que tem uma Delegação em Dili. É que não temos mesmo nada para lhe agradecer, apesar da Delegção da UE em Timor Leste ter muito dinheiro para aplicar e dever ter o maior interesse em apoiar iniciativas destas. Porque elas não acontecem todos os dias fora de Dili, mesmo na segunda maior cidade de Timor Leste. E sobretudo não acontecem assim tantas, por empenho e trabalho de deputados do Parlamento Europeu.
Pois é, a delegação da UE devia ter-se interessado. Mas não interessou - e não foi porque não lhe tivessemos facultado ampla informação sobre o projecto, inclusivé em contactos pessoais.
Enfim, o embaixador de Portugal deu-se ao trabalho de aparecer duas vezes por Baucau, no inicio e no encerramento dos Enkontrus. E manteve lá sempre a sua conselheira para a Cooperação (obrigadissimo por tudo e mais pelo entusiasmo, Maria de Jesus!)
O embaixador da União Europeia, designado pelo Presidente Durão Barroso, deve ter estado muito achacado, durante essa semana em Dili. Ou então teve imenso, imenso, que fazer... É a crise europeia a absorver a Delegação em Dili!
E, claro, não havia Enkontrus dignos desse significado, sem o inestimável "Takas", Luis Cardoso, o grande escritor timorense, que além de animar entusiástica, pedagógica e criativamente diversas sessões com crianças, jovens e menos jovens, acabou por ser nosso precioso intérprete em muitos momentos de comunicação/comunhão. Sem "Takas" nunca tinhamos "atacado" tão bem os Enkrontus de Baucau. Sem "Takas" nunca tínhamos tocado nada de jeito e com tanta sensibilidade. Vivó "Takas"!
Mas que teríamos nós feito sem o apoio logistico e de segurança e o companheirismo da uma simpatica equipa da GNR?
E sem o companheirismo do Fernando Moreira e do João Leitão, dirigentes da Escola Superior de Turismo do Estoril, que vieram por sua conta e risco ver como era e que acabaram embrenhados no apoio à formação em Baucau?
E sem o apoio financeiro e em espécie das entidades que acreditaram no projecto e que o tornaram possível (com muito pouco dinheiro, de que em breve prestaremos contas publicamente). Destaco: o IPAD, o Instituto Camões, a Embaixada de Portugal em Dili, a Fundação Oriente/Hotel Timor, o Montepio Geral, a Timor Telecom, a parceria Entreposto/Ensu.
Sem esquecer o meu velho amigo Zé Alberto de Sousa, que já está "cafriali-timorizado", e nos deu os mais preciosos jeitos, conselhos e avisos.
Ah, e claro, nada teriamos feito sem o apoio do PR Ramos Horta, do PM Xanana Gusmão, do Parlamento Nacional Timorense, do MRE (e o Ministro das Relações Exteriores, Zacarias da Costa, juntamente com D. Basilio do Nascimento veio participar no debate com os jovens no ultimo dia dos Enkontrus), e as autorizações e facilitações necessárias do Ministro da Cultura e do Ministro do Turismo de Timor Leste, do Administrador de Baucau, da Policia de Baucau, do Padre Mário da Diocese de Baucau, dos "Na Terra", da Associação de Artes e Cultura de Baucau, da Carpintaria de Baucau, a Fundação Alola e etc...
Se estou a esquecer-me de alguém, terei pressa em corrigir.
OBRIGADU BARAK a todos!
PS. - Ah, não. Não estou a esquecer-me de agradecer à Comissão Europeia, que tem uma Delegação em Dili. É que não temos mesmo nada para lhe agradecer, apesar da Delegção da UE em Timor Leste ter muito dinheiro para aplicar e dever ter o maior interesse em apoiar iniciativas destas. Porque elas não acontecem todos os dias fora de Dili, mesmo na segunda maior cidade de Timor Leste. E sobretudo não acontecem assim tantas, por empenho e trabalho de deputados do Parlamento Europeu.
Pois é, a delegação da UE devia ter-se interessado. Mas não interessou - e não foi porque não lhe tivessemos facultado ampla informação sobre o projecto, inclusivé em contactos pessoais.
Enfim, o embaixador de Portugal deu-se ao trabalho de aparecer duas vezes por Baucau, no inicio e no encerramento dos Enkontrus. E manteve lá sempre a sua conselheira para a Cooperação (obrigadissimo por tudo e mais pelo entusiasmo, Maria de Jesus!)
O embaixador da União Europeia, designado pelo Presidente Durão Barroso, deve ter estado muito achacado, durante essa semana em Dili. Ou então teve imenso, imenso, que fazer... É a crise europeia a absorver a Delegação em Dili!
"Enkontrus de Baucau" - VIII
Publicado por
AG
A Pousada de Baucau já foi "Hotel Flamboyant" de má memória, e não só para os interrogados e torturados.
Desde 2002, voltou a ser a Pousada de Baucau, por impulso de Xanana, empenho de D. Basilio, esforço e perseverança do meu amigo Dr. Henriques de Jesus e de todos quantos lá trabalham e trabalharam, ao longo destes nove anos, incluindo a espantosa Felicidade, que nos deu a felicidade de ser pilar dos Enkontrus e a D. Norberta, hoje empresária e cozinheira da «Pérola de Baucau», onde empanturrou de saborosa comida a equipa dos Enkontrus. Ah, é claro, e com apoio da Direcção Geral de Economia de Portugal (obrigadinha oh Mena!, a obra lá está e recomenda-se).
Agora a Pousada está a alargar-se e vai depois ser renovada.
A nova sala de conferâncias estava a montar o telhado e os construtores não dispensaram o tradicional sacrificio de uma cabra para molhar com sangue dela o "gamut" e abençoar a construção...
Junto à Pousada, nos tempos de má memória do "Flamboyant", apareceram várias vazes corpos a boiar na piscina. Depois, sempre que lá fui, estava vazia e abandonada. Agora, pela primeira vez, via-a cheia e com miudagem a mergulhar.
Na Pousada os Enkontrus proporcionaram um encontro entre responsáveis de Baucau com interesse em desenvolver o turismo e a hotelaria e os dirigentes da Escola Superior de Turismo do Estoril, Fernando Moreira e João Leitão, que se agregaram à equipa dos Enkontrus (e se mostraram uns companheirões). Incentivaram o Eco-turismo e o Turismo de Aldeia. E no próximo ano já vão ter sete formandos timorenses no Estoril, nos termos de um protocolo assinado com a embaixada de Timor Leste em Lisboa. Incluindo a nossa providencial Felicidade.
"Enkontrus de Baucau" - VII
Publicado por
AG
"NA TERRA" é uma ONG portuguesa de Macau que está em Baucau há dois anos, a disseminar a Permacultura (eu fiquei convertida).
Um trabalho notável, implicando um extraordinário enraizamento nas gentes timorenses.
Sem o apoio do Fernando e seus "NA TERRA", nós tinhamos ficado em terra sem apanhar o combóio dos "Enkontrus".
Obrigado Fernando! Se há ONGs portuguesas que mereçam ser apoiadas pela UE e pelo IPAD (e há), esta é, sem dúvida, uma delas.
Enkontrus de Baucau - VI
Publicado por
AG
Nas Madres Canossianas de Baucau ministra-se um curso em nove meses de "Mestras de Campanha", para jovens que vêm das zonas rurais de todos os distritos de Timor Leste.
Aprendem bordados e costura, cozinha, mas também inglês, português (o possível, pedem material audio-visual), informática, musica, artesanato, cuidados de saúde básico, rudimentos de turismo e hotelaria, etc.
Vieram participar no encerramento do "Enkontrus de Baucau", descendo a majestosa escadaria de velas acesas e entoando um cântico tradicional (a Gei ajudou a encenar numas horas)tornando o cenário ainda mais mágico do que a iluminação já o fazia.
"Enkontrus de Baucau" - V
Publicado por
AG
Lola Câncio.
Cantou nos Enkontrus de Baucau.
Com o pessoal todo a aplaudir e cantarolar com ela.
Quem não conhece a Lola em Baucau?
Apesar de carregar uma história triste, nos seus magros 14 anos, já ganhou um concurso nacional de cantorias em Dili e está determinada em tornar-se cantora.
A Lola canta e encanta.
"Enkontrus de Baucau" - IV
Publicado por
AG
Abrimos a primeira Sala de Leitura Pública de Baucau.
Com 60 caixotes de livros que reunimos em Portugal em poucas semanas e que a GNR amavelmente levou no avião com o seu último contingente.
Por ideia da Marta, convidamos as crianças a vir descobrir a Sala de Leitura, no alto de Baucau, ajudando a transportar os livros do espaço do Mercado. A miudagem encheu umas sete microletes, cantou, riu, bateu o ritmo e bateu muitas palmas. Nem um livrinho ficou em falta. Como já nem sequer um dos lápis de cor das sessões de pintura e desenho deixara de ser devolvido.
Na sessão de abertura da Sala de Leitura, o "Takas" atacou, encenando improvisadamente a «Lenda do Crocodilo» com a miudagem presente.
Soube muito, muito bem, garanto.
A incrível "Carpintaria de Baucau" (hoje a produzir móveis de qualidade para todas as entidades em Timor Leste, sob a direcção experiente e competente do portugûes António de Sousa), simpaticanmente "desenrascou-nos" no fornecimento das estantes para a Sala de Leitura Pública.
"Enkontrus de Baucau" - III
Publicado por
AG
Dupla função
Publicado por
Vital Moreira
Sem ser uma novidade, a proposta de taxa sobre as transacções financeiras tem agora a benção do eixo franco-alemão.
Se a proposta vingar, para o que tem de vencer a oposição de vários governos, e se for destinada a financiar o orçamento da União, tratar-se-á de um enorme passo em frente na integração europeia. Primeiro, porque dará à União os recursos próprios de que tanto carece, substituindo e/ou reforçando as contribuições nacionais; segundo porque será um valioso instrumento de regulação das transacções financeiras, moderando os movimentos especulativos baseados em maciças operações instantâneas.
Se a proposta vingar, para o que tem de vencer a oposição de vários governos, e se for destinada a financiar o orçamento da União, tratar-se-á de um enorme passo em frente na integração europeia. Primeiro, porque dará à União os recursos próprios de que tanto carece, substituindo e/ou reforçando as contribuições nacionais; segundo porque será um valioso instrumento de regulação das transacções financeiras, moderando os movimentos especulativos baseados em maciças operações instantâneas.
"Enkontrus de Baucau" II
Publicado por
AG
Maior integração
Publicado por
Vital Moreira
Considero positivas as propostas saídas da cimeira franco-alemã, que vão no bom sentido.
Se houve alguma coisa que a crise global iniciada em 2008 mostrou foi que a integração monetária traduzida no Euro reclama maior integração orçamental, económica e mesmo fiscal a nível da UE ou pelo menos da zona euro. Por isso são bem-vindas as propostas de tornar mais eficaz a disciplina orçamental a nível nacional, de aprofundar os mecanismos de governação económica, de criar uma taxa europeia sobre as transacções financeiras e de avançar na harmonização fiscal, pelo menos no que respeita à tributação das empresas.
Passo a passo, a União vai tirando lições da crise.
Se houve alguma coisa que a crise global iniciada em 2008 mostrou foi que a integração monetária traduzida no Euro reclama maior integração orçamental, económica e mesmo fiscal a nível da UE ou pelo menos da zona euro. Por isso são bem-vindas as propostas de tornar mais eficaz a disciplina orçamental a nível nacional, de aprofundar os mecanismos de governação económica, de criar uma taxa europeia sobre as transacções financeiras e de avançar na harmonização fiscal, pelo menos no que respeita à tributação das empresas.
Passo a passo, a União vai tirando lições da crise.
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