domingo, 18 de janeiro de 2026

Eleições presidenciais 2026 (38): Ganhadores e perdedores

 1. Conhecidas as sondagens à boca das urnas - todas convergentes quanto ao ranking provável dos candidatos - e pressupondo a sua fiabilidade, parece óbvio que, com um resultado bem acima das previsões, o grande ganhador da 1ª volta das presidenciais é indibutavelmente A. J. Seguro e o grande perdedor é Marques Mendes, muito abaixo das previsões, que já eram baixas.

A vitória de Seguro premeia a sua atitude de autoconfiança e de contenção política na campanha, sem entrar no ataque aos adversários nem recorrer a declarações bombásticas, tendo sido capaz não somente de superar as reservas que suscitava no PS mas também de obter um considerável apoio além do eleitorado socialista. Em suma, "melhor do que encomenda"!

O humilhante resultado de Marques Mendes - com cerca de um terço dos votos de Seguro e também abaixo dos outros candidatos da direita, Ventura e talvez mesmo de Cotrim - condena tanto a sua falta de carisma pessoal como o seu medíocre desempenho na campanha, designadamente o seu autoconfinamento como candidato oficial de Montenegro e do Governo (como mostrei AQUI), o ter priviligiado o ataque a Gouveia e Melo, em vez de denunciar os excessos dos candidatos à sua direita e de se demarcar deles. 

Em suma, nesta disputa eleitoral uma vitória e uma derrota merecidas, que legitimam a nossa democracia eleitoral.

2. Com um resultado claramente abaixo das expectativas, a derrota de Gouveia e Melo, embora com uma campanha que não foi brilhante, mostra mais uma vez como o confisco partidário das eleições presidenciais - que desta vez foi particularmente intenso (como mostrei AQUI) - retira qualquer chance de êxito a candidaturas independentes, que não podem competir com os aparelhos partidários em matéria de recursos e de meios, tanto materiais como humanos, incluindo nos média.  

Depois de mais este insucesso, cabe duvidar se no futuro alguma personalidade independente, por mais credenciada que seja para o exercício da magistratura presidencial - que, aliás, supõe um "poder neutro", com mostrei no meu recente livro sobre o Presidente da República -, pode avançar para a candidatura presidencial sem opoio de algum grande partido -, o que é um empobrecimento democrático.

3. Mercê desta vitória do seu candidato - que abre boas perspetivas à eleição na 2ª volta - o PS sai politicamente reforçado destas eleições, dando excelentes condições ao seu novo líder para se afirmar sem contestação no próximo congresso do partido, para superar o trauma da pesada derrota nas eleições parlamentares do ano passado e para travar em melhores condições a oposição ao governo da AD. 

Inversamente, ao tornar Marques Mendes, desde o início, como seu candidato oficial, cuja campanha ostensivamente avocou, a AD (melhor dizendo, o PSD, pois o CDS desapareceu) sai politicamente muito ferida desta comprometedora derrota, não somente face ao PS mas também perante os seus aliados da direita, a IL e o Chega, cujos candidatos fizeram bem melhor. Não é preciso ser politicamente vidente para imaginar que as condições de governo do PM e do PSD enfraqueceram.