[Torre de Almedina, antigos paços muncipais medievais de Coimbra]
Ora, se o ano de 1834 assinala a recuperação do sistema constitucional liberal, sob a égide da Carta Constitucional, após o triunfo na guerra civil contra a usurpação miguelista (1828-1834), o início da poder local democrático na moderna era constitucional deve ser reportado a 1822, 12 anos antes, quando a Constituição de 1822 estabeleceu a eleição direta das câmaras municipais «por escrutínio secreto e assembleia pública», sendo presidente da Câmara «o vereador que obtiver mais votos» (art. 220.º dessa Constituição), sendo esse, portanto, o verdadeiro ano da tal "profunda transformação da organização municipal no contexto das reformas administrativas do liberalismo".
2. Acresce que as eleições de 1822 foram bem mais democráticas do que as de 1834, dada a diferente amplitude do direito de voto.
Em ambos os momentos (1822 e 1834) houve correspondência entre a capacidade eleitoral para as eleições parlamentares e para as eleições municipais. Contudo, em 1822, o sistema de eleição das câmaras municipais apresentava um carácter consideravelmente mais abrangente, uma vez que reconhecia o direito de voto à generalidade dos moradores do sexo masculino, com exceção dos militares. Em 1834, pelo contrário, o exercício do sufrágio encontrava-se muito mais limitado, em consequência das restrições "censitárias" diretamente previstas na Carta Constitucional.
As únicas eleições locais "vintistas" realizaram-se efetivamente no dia 13 de outubro de 1822, em conformidade com a lei de 20 de julho de 1822, e não consta que Coimbra tenha ficado de fora, pelo que o primeiro presidente da CM de Coimbra do constitucionalismo liberal terá sido eleito em 1822 e não em 1834. Era muito interessante recuperar o seu nome e o seu lugara histórico. O seu a seu dono!
