terça-feira, 13 de outubro de 2026

Antes que seja tarde (5): A violência política do Chega.

Nenhum regime constitucional pode tolerar a ação violenta contra as liberdades constitucionais protagonizada diretamente pelos dirigentes de um partido político, como ocorrido ontem com a invasão e interrupção da emissão em direto da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), sediada no edifício da AAC, por uma missão do Chega, liderada por duas deputadas desse partido.

Era de prever que, tarde ou cedo, o Chega não resistisse a seguir a via da "ação direta" que caracteriza os partidos extremistas antirregime, que se consideram acima dos limites constitucionais e legais à ação política. Historicamente, foi assim que se iniciou a tomada do poder pelos fascistas na Itália e pelos nazis na Alemanha, incluindo a criação pelos respectivos partidos de "comandos", cujos primeiros alvos foram justamente os jornais tidos como hostis, a que se seguiu depois o boicote a comícios de outros partidos, o assédio e a intimidação seletiva de adversários políticos, antes de passarem à invasão e destruição de sedes de sindicatos e partidos e à eliminação física dos "inimigos".

Além de poder servir de indicador do que seria capaz um governo do Chega, esta operação tem de ser vista na lógica de legitimação da ação política assumidamente à margem da lei, pelo que não pode merecer qualquer complacência do poder democrático. Por isso, este crime qualificado contra a liberdade de imprensa do Chega (invasão de estúdio e interrupção de emissão), por ter motivos claramente políticos, não pode passar impune.

Adenda.
Subscrevo este comentário de Daniel Oliveira sobre o assunto no Expresso online: https://expresso.pt/opiniao/2026-10-13-o-chega-explicou-na-ruc-o-que-fara-no-poder-6273fdd0