1. Agrava-se a situação política em França, quer no plano da segurança e da paz pública, quer no plano das finanças públicas, com o Governo do Presidente Macron a manifestar-se incapaz de assegurar as primeiras e de sanear as segundas.
Mais uma vez na sua história, a França parece ingovernável, com o poder público impotente para controlar as ruas, tomadas de assalto por motins multitudinários. E na preocupante situação financeira em que se encontra — a maior despesa pública da União e a terceira maior dívida pública —, não existe nenhuma margem para ir ao encontro das reivindicações dos manifestantes.
A França tornou-se o "país doente" da Europa.
2. Se não houver solução a curto prazo da atual crise social e política, quem lucra politicamente com a situação é obviamente a candidatura presidencial da direita radical de Marine le Pen, com o seu mix de populismo, autoritarismo, nacionalismo e retórica anti-Islão. As eleições presidenciais do próximo ano podem estar a ser pré-decididas nesta crise.
O problema maior é saber que a UE não pode resistir incólume nem à ingovernabilidade da França — a segunda maior economia da Europa e um país-chave na condução política da União —, nem ao autoritarismo nacionalista de Le Pen, caracterizadamente anti-Bruxelas.
