Blogue fundado em 22 de Novembro de 2003 por Ana Gomes, Jorge Wemans, Luís Filipe Borges, Luís Nazaré, Luís Osório, Maria Manuel Leitão Marques, Vicente Jorge Silva e Vital Moreira
terça-feira, 4 de maio de 2004
a bondade dos desconhecidos IV
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Da terceira vez que me esmurraram foi por desespero. O desconhecido nunca me perdoou. A namorada dele pôs-me o mercurocromo.
a bondade dos desconhecidos III
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A segunda vez que me esmurraram na vida eu merecia. Mas o desconhecido deixou-me responder. Ficámos amigos.
a bondade dos desconhecidos II
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A primeira vez que me esmurraram na vida foi por engano. O soco era para outro. Mas o desconhecido levou-me ao hospital.
a bondade dos desconhecidos I
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"Toda a vida dependi da bondade dos desconhecidos."
in "Tudo sobre a minha mãe", de Pedro Almodóvar
in "Tudo sobre a minha mãe", de Pedro Almodóvar
Compagnon de Rute
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LFB
A Rute era uma das pessoas mais próximas de mim. Perdi-a no meio de uma intriga absurda que nunca cheguei a perceber donde veio, como começou ou quem a criou. Deixámos de ser amigos de um dia para o outro, sem explicação.
Passaram (e passam) 5 anos sem a ver.
Não posso dizer - sequer - que sinta a falta dela, tal a forma como cortámos relações. Mas ontem, por um absurdo da vida, conheci acidentalmente uma pessoa íntima da minha ex-amiga.
Contou-me que ela acabou o curso, voltou para o Alentejo, prepara-se para entrar para a PJ. Fico estranhamente feliz. Um, dois, três. Numa frase, a desconhecida resumiu os 3 sonhos simples que a Rute acalentava. E que referia, vezes sem conta, nas demasiadas horas difíceis que a vida lhe deu. Realizou-os todos. E eu, a contas com os meus desejos por concretizar e as metas que os amigos próximos continuam a perseguir, não pude evitar uma imensa felicidade pelo presente de uma amiga que nunca mais terei.
Passaram (e passam) 5 anos sem a ver.
Não posso dizer - sequer - que sinta a falta dela, tal a forma como cortámos relações. Mas ontem, por um absurdo da vida, conheci acidentalmente uma pessoa íntima da minha ex-amiga.
Contou-me que ela acabou o curso, voltou para o Alentejo, prepara-se para entrar para a PJ. Fico estranhamente feliz. Um, dois, três. Numa frase, a desconhecida resumiu os 3 sonhos simples que a Rute acalentava. E que referia, vezes sem conta, nas demasiadas horas difíceis que a vida lhe deu. Realizou-os todos. E eu, a contas com os meus desejos por concretizar e as metas que os amigos próximos continuam a perseguir, não pude evitar uma imensa felicidade pelo presente de uma amiga que nunca mais terei.
aforismos de directa (10:01 a.m.)
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Um vinho com 100 anos e sessenta minutos é uma hora na vida de um homem.
Tiago Rodrigues
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actor, argumentista, poeta, produtor, encenador - leiam-no no seu Mundo Perfeito.
Novas lógicas
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Anónimo
Subscrevo, em geral, o comentário de Vital Moreira sobre a recente entrevista de João Salgueiro (JS) à Rádio Renascença. Só não entendo a lógica do raciocínio de JS sobre os mercados e as suas putativas parecenças com as causas da política. Olhemos de perto:
«Porque há muita coisa no curto prazo que não pode ser resolvida pelo mercado”. É bem verdade, mas se com isso JS pretende dizer que o mercado tudo resolve no longo prazo, é porque já se perdeu nas causas apostólicas de João César das Neves, coisa de que duvido. Se, pelo contrário, a sua descrença é intemporal, ficamos à espera de uma nova revelação.
“Nós hipertrofiamos a função de mercado, o que tem lógica porque o mercado estava muito recalcado pelo condicionamento industrial e pelo proteccionismo [que raio de lógica é esta?], mas não se pode dispensar uma estratégia de médio e longo prazo, e que as empresas têm, mas o país não.». Alguém é capaz de descortinar estratégias de longo prazo no mundo dos negócios? Se é certo que os políticos são falhos de visão, não é certamente o tecido empresarial que tem lições de futuro a dar-lhes.
«Porque há muita coisa no curto prazo que não pode ser resolvida pelo mercado”. É bem verdade, mas se com isso JS pretende dizer que o mercado tudo resolve no longo prazo, é porque já se perdeu nas causas apostólicas de João César das Neves, coisa de que duvido. Se, pelo contrário, a sua descrença é intemporal, ficamos à espera de uma nova revelação.
“Nós hipertrofiamos a função de mercado, o que tem lógica porque o mercado estava muito recalcado pelo condicionamento industrial e pelo proteccionismo [que raio de lógica é esta?], mas não se pode dispensar uma estratégia de médio e longo prazo, e que as empresas têm, mas o país não.». Alguém é capaz de descortinar estratégias de longo prazo no mundo dos negócios? Se é certo que os políticos são falhos de visão, não é certamente o tecido empresarial que tem lições de futuro a dar-lhes.
Apostilas das terças
Publicado por
Vital Moreira
1. Cheiro a esturro
Com dois ex-ministros do PSD a
aparecerem como face visível da Carlyle no negócio da privatização da Galp (Ângelo Correia e Martins da Cruz, este saído do presente Governo e recentemente enviado em representação oficial à Africa do Sul!), e ainda por cima dispondo do financiamento da CGD, o banco do Estado presidido por outro ex-Ministro do PSD, como é que se espera que uma eventual vitória no concurso não fique a cheirar a esturro? A pergunta é feita por Nicolau Santos no Expresso online, e tem toda a pertinência.
2. Judicialização da política
O ministro Paulo Portas desafiou o deputado Francisco Louçã a prescindir da imunidade parlamentar para responder pelas acusações que o segundo fez ao governo sobre uma alegado envolvimento governamental no apoio da CGD ao grupo norte-americano Carlyle na candidatura à privatização da Galp.
Trata-se de tontice ou de má-fé. Portas sabe: a) que a imunidade parlamentar não é renunciável; b) que, mesmo sendo infundada, a referida acusação é irrelevante sob o ponto de vista penal; c) que num debate parlamentar a uma acusação política se responde com uma refutação política. Nós ficámos a saber: a) que se não houvesse imunidades parlamentares Portas accionaria judicialmente meia oposição por injúria ao governo; b) que Portas não distingue entre a esfera da controvérsia política e o campo da lei penal.
A barra dos tribunais não foi feira para dirimir combates políticos entre o Governo e a oposição, como se sabe desde os primórdios do governo representativo. Pelos vistos há quem ainda não se não tenha dado conta disso.
Com dois ex-ministros do PSD a
2. Judicialização da política
O ministro Paulo Portas desafiou o deputado Francisco Louçã a prescindir da imunidade parlamentar para responder pelas acusações que o segundo fez ao governo sobre uma alegado envolvimento governamental no apoio da CGD ao grupo norte-americano Carlyle na candidatura à privatização da Galp.
Trata-se de tontice ou de má-fé. Portas sabe: a) que a imunidade parlamentar não é renunciável; b) que, mesmo sendo infundada, a referida acusação é irrelevante sob o ponto de vista penal; c) que num debate parlamentar a uma acusação política se responde com uma refutação política. Nós ficámos a saber: a) que se não houvesse imunidades parlamentares Portas accionaria judicialmente meia oposição por injúria ao governo; b) que Portas não distingue entre a esfera da controvérsia política e o campo da lei penal.
A barra dos tribunais não foi feira para dirimir combates políticos entre o Governo e a oposição, como se sabe desde os primórdios do governo representativo. Pelos vistos há quem ainda não se não tenha dado conta disso.
segunda-feira, 3 de maio de 2004
João Salgueiro
Publicado por
Vital Moreira
Há personalidades assim. Sabedoras, ponderadas, politicamente moderadas e pessoalmente independentes, apesar da filiação partidária. Refiro-me a João Salgueiro, presidente da SEDES e da Associação de Bancos, membro mais ou menos distanciado do PSD, longe da proeminência que teve há vinte anos. Perante a entrevista à Rádio Renascença e ao Público, hoje publicada neste último, sentimos que mesmo quando não compartilhamos da sua visão política nem podemos acompanhá-lo nas suas opiniões temos de reconhecer a pertinência dos seus alertas e a consistência das suas posições.
Uma pequena antologia:
O mercado
«Porque há muita coisa no curto prazo que não pode ser resolvida pelo mercado. Tudo o que não tem que ver com os bens de mercado, os bens públicos, a redistribuição, a implantação regional o planeamento urbano, o mercado não pode resolver. Nós hipertrofiamos a função de mercado, o que tem lógica porque o mercado estava muito recalcado pelo condicionamento industrial e pelo proteccionismo, mas não se pode dispensar uma estratégia de médio e longo prazo, e que as empresas têm, mas o país não.»
A crise
«Desta vez, a crise que atravessamos tem uma nova natureza. O quadro mundial é outro, diferente de há dez anos, e altera-se de dia para dia, vejam os efeitos da China no comércio mundial, ao nível das matérias-primas e dos produtos acabados, e nos serviços da União Indiana. Já não podemos desvalorizar a moeda e apagar os erros, como acontecia antes. E um processo de ajustamento sem desvalorizar é mais difícil. Em terceiro lugar, começa haver desemprego de pessoas com formação superior e até com mestrados. É a primeira vez que está a acontecer. E temos a concorrência dos países do alargamento na captação de investimento estrangeiro. Há agora uma conjugação de factores muito grande que nos levará a perceber que ou mudamos de vida, ou vamos pagar a conta daqui a alguns anos e não serão muitos.»
Sociedade civil
«A sociedade civil tinha possibilidade de ter muito mais influência na vida politica, sem substituir os partidos. Temos uma democracia representativa mas é preciso que funcione. Há passividade dos cidadãos que se limitam a votar, e no intervalo não exigem dos eleitos o que eles prometeram fazer, há ineficácia das instituições, e há o escasso prestígio de que muitos políticos gozam.»
Constituição europeia
«Deveríamos ter já suscitado o problema da lógica regional e da coesão em novas coordenadas, porque com a Europa a 25 terão de existir novas coordenadas. Ora este problema não foi debatido em nenhuma universidade, não foi posto à discussão. Não é possível haver Constituição europeia sem haver finanças europeias. Não há políticas comuns, sem recursos comuns. Ficou completamente à margem da discussão sobre a Constituição europeia o problema do federalismo fiscal ou da revisão do orçamento europeu. Isto não é aceitável.»
Uma pequena antologia:
O mercado
«Porque há muita coisa no curto prazo que não pode ser resolvida pelo mercado. Tudo o que não tem que ver com os bens de mercado, os bens públicos, a redistribuição, a implantação regional o planeamento urbano, o mercado não pode resolver. Nós hipertrofiamos a função de mercado, o que tem lógica porque o mercado estava muito recalcado pelo condicionamento industrial e pelo proteccionismo, mas não se pode dispensar uma estratégia de médio e longo prazo, e que as empresas têm, mas o país não.»
A crise
«Desta vez, a crise que atravessamos tem uma nova natureza. O quadro mundial é outro, diferente de há dez anos, e altera-se de dia para dia, vejam os efeitos da China no comércio mundial, ao nível das matérias-primas e dos produtos acabados, e nos serviços da União Indiana. Já não podemos desvalorizar a moeda e apagar os erros, como acontecia antes. E um processo de ajustamento sem desvalorizar é mais difícil. Em terceiro lugar, começa haver desemprego de pessoas com formação superior e até com mestrados. É a primeira vez que está a acontecer. E temos a concorrência dos países do alargamento na captação de investimento estrangeiro. Há agora uma conjugação de factores muito grande que nos levará a perceber que ou mudamos de vida, ou vamos pagar a conta daqui a alguns anos e não serão muitos.»
Sociedade civil
«A sociedade civil tinha possibilidade de ter muito mais influência na vida politica, sem substituir os partidos. Temos uma democracia representativa mas é preciso que funcione. Há passividade dos cidadãos que se limitam a votar, e no intervalo não exigem dos eleitos o que eles prometeram fazer, há ineficácia das instituições, e há o escasso prestígio de que muitos políticos gozam.»
Constituição europeia
«Deveríamos ter já suscitado o problema da lógica regional e da coesão em novas coordenadas, porque com a Europa a 25 terão de existir novas coordenadas. Ora este problema não foi debatido em nenhuma universidade, não foi posto à discussão. Não é possível haver Constituição europeia sem haver finanças europeias. Não há políticas comuns, sem recursos comuns. Ficou completamente à margem da discussão sobre a Constituição europeia o problema do federalismo fiscal ou da revisão do orçamento europeu. Isto não é aceitável.»
A derrota de Sharon
Publicado por
Vital Moreira
A pesada derrota de Sharon no referendo interno dentro do Likud sobre o plano de retirada da faixa de Gaza não deixa dúvidas sobre a resistência da direita israelita a qualquer cedência no que respeita aos territórios ocupados. Dali ninguém os tira a bem. Encorajados pelo partido na política de colonização judaica dos territórios, os membros do partido governamental, muitos com interesses directos nos colonatos, não aceitam nenhum abandono, mesmo a troco da anexação definitiva de Jerusalém e da Cisjordânia, que Sharon lhes garantia.
Depois disto como pode ainda haver ilusões de que a retirada israelita dos territórios ocupados e a criação de um Estado palestiniano pode depender da boa vontade do Governo israelita?
Depois disto como pode ainda haver ilusões de que a retirada israelita dos territórios ocupados e a criação de um Estado palestiniano pode depender da boa vontade do Governo israelita?
Vocação minoritária
Publicado por
Vital Moreira
A propósito do post antecedente do Luís Nazaré sobre a vitória do Benfica noto que existe uma clara maioria benfiquista tanto no Causa Nossa como no meu círculo de familiares e amigos. Definitivamente não consigo pertencer à maioria em nada!...
domingo, 2 de maio de 2004
Adoro a segunda circular
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Anónimo
A vitória sobre os leões soube-me pela vida. Eles até jogaram melhor, nem mereciam perder, mas a bola é assim mesmo. Já que fomos escandalosamente prejudicados na primeira volta – como é usual acontecer nos jogos com o Sporting –, ao menos que a sorte, por uma vez, nos acompanhasse. Para o próximo ano cá estaremos, contra o Porto de Camacho e o Sporting de Queiroz.
Luís Nazaré
Luís Nazaré
O "sindicato" mundial das entidades locais
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Vital Moreira
O Presidente da República Jorge Sampaio, também na sua qualidade de antigo presidente da Câmara municipal de Lisboa e de presidente da Federação Mundial das Cidades Unidas (FMCU), participa hoje em Paris na sessão inaugural do congresso fundador da Organização Mundial de Cidades e Autarquias Locais Unidas (United Cities and Local Governments), produto da fusão da referida FMCU com a União Internacional de Autoridades Locais (UIAL), decidida em 2001 no congresso do Rio de Janeiro.
A nova organização internacional vai ser seguramente uma das mais influentes entre as numerosas organizações internacionais de organismos públicos intra-estaduais, que se vão multiplicando em todas as áreas (universidades, entidades reguladoras, tribunais de contas, tribunais constitucionais, ordens profissionais, etc., etc.) e que testemunham a crescente expressão internacional de entidades públicas internas, que no quadro da concepção “westfaliana” do Estado estavam confinadas às fronteiras nacionais. Juntamente com as ONGs internacionais, produto da nova “sociedade civil mundial”, as organizações internacionais de entidades públicas internas são outra das novas categorias de protagonistas da cena internacional, a par dos Estados e das organizações inter-estaduais.
A nova organização internacional vai ser seguramente uma das mais influentes entre as numerosas organizações internacionais de organismos públicos intra-estaduais, que se vão multiplicando em todas as áreas (universidades, entidades reguladoras, tribunais de contas, tribunais constitucionais, ordens profissionais, etc., etc.) e que testemunham a crescente expressão internacional de entidades públicas internas, que no quadro da concepção “westfaliana” do Estado estavam confinadas às fronteiras nacionais. Juntamente com as ONGs internacionais, produto da nova “sociedade civil mundial”, as organizações internacionais de entidades públicas internas são outra das novas categorias de protagonistas da cena internacional, a par dos Estados e das organizações inter-estaduais.
Tortura e humilhação de prisioneiros no Iraque
Publicado por
Vital Moreira
A Amnistia Internacional emitiu um comunicado declarando que os casos de tortura e maus tratos de prisioneiros pelas forças de ocupação no Iraque não são casos isolados e exige uma investigação completa, bem como a punição dos culpados.
«Our extensive research in Iraq suggests that this is not an isolated incident. It is not enough for the USA to react only once images have hit the television screens.
Amnesty International has received frequent reports of torture or other ill-treatment by Coalition Forces during the past year. Detainees have reported being routinely subjected to cruel, inhuman or degrading treatment during arrest and detention. Many have told Amnesty International that they were tortured and ill-treated by US and UK troops during interrogation. Methods often reported include prolonged sleep deprivation; beatings; prolonged restraint in painful positions, sometimes combined with exposure to loud music; prolonged hooding; and exposure to bright lights. Virtually none of the allegations of torture or ill-treatment has been adequately investigated by the authorities.»
Como se já não bastasse a ocupação em si mesma, ainda a tornam mais detestável com estas sórdidas violações dos direitos humanos. Imagine-se que os Estadios Unidos não tinham ido invadir e ocupar o Iraque supostamente para implantar a democracia e os direitos humanos!...
Actualização
Entretanto o Independent de hoje revela a existência de um relatório militar americano contendo "revelações horrendas" sobre numerosos casos de tortura e maus tratos de prisioneiros iraquianos. A pergunta que se coloca é obvia: sendo os abusos do conhecimento das autoridades militares, pelo menos, porque não fizeram nada para punir os culpados? Se não tivesse havido a fuga das fotografias publicadas há dias, algum vez teria vindo a público a informação sobre os acontecimentos?
«Our extensive research in Iraq suggests that this is not an isolated incident. It is not enough for the USA to react only once images have hit the television screens.
Amnesty International has received frequent reports of torture or other ill-treatment by Coalition Forces during the past year. Detainees have reported being routinely subjected to cruel, inhuman or degrading treatment during arrest and detention. Many have told Amnesty International that they were tortured and ill-treated by US and UK troops during interrogation. Methods often reported include prolonged sleep deprivation; beatings; prolonged restraint in painful positions, sometimes combined with exposure to loud music; prolonged hooding; and exposure to bright lights. Virtually none of the allegations of torture or ill-treatment has been adequately investigated by the authorities.»
Como se já não bastasse a ocupação em si mesma, ainda a tornam mais detestável com estas sórdidas violações dos direitos humanos. Imagine-se que os Estadios Unidos não tinham ido invadir e ocupar o Iraque supostamente para implantar a democracia e os direitos humanos!...
Actualização
Entretanto o Independent de hoje revela a existência de um relatório militar americano contendo "revelações horrendas" sobre numerosos casos de tortura e maus tratos de prisioneiros iraquianos. A pergunta que se coloca é obvia: sendo os abusos do conhecimento das autoridades militares, pelo menos, porque não fizeram nada para punir os culpados? Se não tivesse havido a fuga das fotografias publicadas há dias, algum vez teria vindo a público a informação sobre os acontecimentos?
O milagre da multiplicação dos deputados
Publicado por
Vital Moreira
No Independente a jornalista Maria Guiomar Lima refere-se ao Causa Nossa como “blog de deputados socialistas”. O Vicente Jorge Silva deixa assim de estar sozinho e os restantes autores do blogue são promovidos expeditamente a representantes da Nação. Infelizmente, não fomos eleitos e não há mais vagas na AR...
sábado, 1 de maio de 2004
Regozijo
Publicado por
Vital Moreira
Pouco tempo passado sobre a sua última experiência de encenador de teatro, o nosso Luís Osório – de quem partiu originariamente a ideia do Causa Nossa – já está noutra, a saber, o cargo de director do diário lisboeta A Capital. O lamento pela perda da sua disponibilidade bloguística não pode obnubilar o regozijo pela sua nova e desafiadora tarefa.
Felicidades, Luís!
Felicidades, Luís!
Augúrios eleitorais
Publicado por
Vital Moreira
1. A caminho da derrota
Particularmente más são as perspectivas eleitorais da coligação governamental, segundo o "Barómetro" de Abril da Marktest para o DN e a TSF. Por junto os dois partidos somam menos de 39%, bem abaixo do PS sozinho, que perfaz 42%. Somados os três partidos de esquerda, eles valem 56%. Um desastre eleitoral em perspectiva para a direita.
O único ponto de relativo alívio para o PSD, com uns respeitáveis 36,5% de intenções de voto, é a distância ainda não dramática para o PS, que se fica pelos 42%. Já o CDS/PP tem razões para muito maior preocupação, reduzido que está a uns ridículos 2,6%, ficando em 5º lugar no ranking partidário, muito abaixo do PCP e do BE!
2. Nada de brilhante
Apesar de aparecer à frente da coligação governamental, o PS não tem razões para embandeirar em arco com estes resultados. Primeiro, porque um score de menos de 42% nesta altura de intensas dificuldades governamentais não é propriamente brilhante, ficando aquém dos resultados eleitorais do partido em 1995 e 1999. Depois, porque no contexto da esquerda o PS não conquista terreno ao PCP e deixa fugir eleitorado para o BE, que aparece surpreendentemente a par daquele. A explicação para estes resultados está na imagem fracamente atraente de Ferro Rodrigues e no défice de estratégia e de "elan" oposicionista dos socialistas, frequentemente superados pelos partidos à sua esquerda. O PS está a precisar manifestamente de estimulantes!
3. Imitar os Verdes?
O CDS-PP revela-se crescentemente abandonado nas preferências dos inquéritos eleitorais. Nas próximas eleições a lista conjunta com o PSD vai esconder essa rarefacção política do partido de Paulo Portas. A pergunta que se põe é a de saber se o CDS/PP voltará a deixar-se contar separadamente em eleições nos próximos anos. Será que o seu destino é o de imitar os Verdes, limitando-se a parasitar eleitoralmente o PSD enquanto convier a este? E quando PSD concluir que é um mau negócio manter esse apêndice, ainda por cima ideologicamente comprometedor?
Particularmente más são as perspectivas eleitorais da coligação governamental, segundo o "Barómetro" de Abril da Marktest para o DN e a TSF. Por junto os dois partidos somam menos de 39%, bem abaixo do PS sozinho, que perfaz 42%. Somados os três partidos de esquerda, eles valem 56%. Um desastre eleitoral em perspectiva para a direita.
O único ponto de relativo alívio para o PSD, com uns respeitáveis 36,5% de intenções de voto, é a distância ainda não dramática para o PS, que se fica pelos 42%. Já o CDS/PP tem razões para muito maior preocupação, reduzido que está a uns ridículos 2,6%, ficando em 5º lugar no ranking partidário, muito abaixo do PCP e do BE!
2. Nada de brilhante
Apesar de aparecer à frente da coligação governamental, o PS não tem razões para embandeirar em arco com estes resultados. Primeiro, porque um score de menos de 42% nesta altura de intensas dificuldades governamentais não é propriamente brilhante, ficando aquém dos resultados eleitorais do partido em 1995 e 1999. Depois, porque no contexto da esquerda o PS não conquista terreno ao PCP e deixa fugir eleitorado para o BE, que aparece surpreendentemente a par daquele. A explicação para estes resultados está na imagem fracamente atraente de Ferro Rodrigues e no défice de estratégia e de "elan" oposicionista dos socialistas, frequentemente superados pelos partidos à sua esquerda. O PS está a precisar manifestamente de estimulantes!
3. Imitar os Verdes?
O CDS-PP revela-se crescentemente abandonado nas preferências dos inquéritos eleitorais. Nas próximas eleições a lista conjunta com o PSD vai esconder essa rarefacção política do partido de Paulo Portas. A pergunta que se põe é a de saber se o CDS/PP voltará a deixar-se contar separadamente em eleições nos próximos anos. Será que o seu destino é o de imitar os Verdes, limitando-se a parasitar eleitoralmente o PSD enquanto convier a este? E quando PSD concluir que é um mau negócio manter esse apêndice, ainda por cima ideologicamente comprometedor?
Welcome to the club!
Publicado por
Vital Moreira
Sendo a maior parte deles antigos membros do antigo bloco “socialista”, incluindo três Estados da ex-União Soviética, também eles vêem abrir-se-lhes a porta da UE, catorze anos depois da transição democrática – um pouco mais do que Portugal, que demorou 12 anos. Tirando os “outsiders” por opção (Suíça e Noruega), a vocação de todos as democracias europeias é a entrada na UE. Chamar "Europa" à UE é cada vez menos uma sinédoque.
sexta-feira, 30 de abril de 2004
Passados e presentes
Publicado por
Anónimo
No Abrupto, José Pacheco Pereira (JPP) morde a cabeça do blog Barnabé e interpela, de modo intelectualmente marialva, a sua suposta retaguarda político-partidária, o Bloco de Esquerda (BE).
Não tenho qualquer procuração do Barnabé ou do BE (embora esteja preparado para uma acusação nesse sentido) nem tenciono voltar a imiscuir-me em polémicas estranhas, mas entendi, por uma vez, que a sobranceria intelectual tinha limites e justificava um reparo desabrido, à moda do Porto.
Como todos os espíritos superiores, JPP tem dificuldade em enxergar-se. Quem verbera o passado-presente dos outros nos termos em que ele o faz – recomendo uma leitura atenta ao seu post de hoje, Memória Elástica –, enjeitando alegremente o seu próprio com uma arrogante fuga em ré menor – “Há muita gente que se incomoda com o seu passado, o que não é o meu caso como se sabe (…)” – não merece especiais temperos de linguagem.
Vamos a factos: JPP foi comunista, marxista-leninista-maoísta, em idade perfeitamente adulta, quando já nenhum sonho justificava a adesão a causa tão tonta. Sempre tive imensa dificuldade em entender a ligeireza com que os totalitaristas ideológicos da década de setenta se reconverteram, sem o mínimo rebuço, aos valores da liberdade “burguesa”. Pela minha parte, estou disposto a esquecer-me do passado politicamente infeliz de JPP (quem não teve desvarios?) desde que nos poupe a falsos exercícios de coerência evolutiva e de pretensa superioridade intelectual.
Luís Nazaré
Não tenho qualquer procuração do Barnabé ou do BE (embora esteja preparado para uma acusação nesse sentido) nem tenciono voltar a imiscuir-me em polémicas estranhas, mas entendi, por uma vez, que a sobranceria intelectual tinha limites e justificava um reparo desabrido, à moda do Porto.
Como todos os espíritos superiores, JPP tem dificuldade em enxergar-se. Quem verbera o passado-presente dos outros nos termos em que ele o faz – recomendo uma leitura atenta ao seu post de hoje, Memória Elástica –, enjeitando alegremente o seu próprio com uma arrogante fuga em ré menor – “Há muita gente que se incomoda com o seu passado, o que não é o meu caso como se sabe (…)” – não merece especiais temperos de linguagem.
Vamos a factos: JPP foi comunista, marxista-leninista-maoísta, em idade perfeitamente adulta, quando já nenhum sonho justificava a adesão a causa tão tonta. Sempre tive imensa dificuldade em entender a ligeireza com que os totalitaristas ideológicos da década de setenta se reconverteram, sem o mínimo rebuço, aos valores da liberdade “burguesa”. Pela minha parte, estou disposto a esquecer-me do passado politicamente infeliz de JPP (quem não teve desvarios?) desde que nos poupe a falsos exercícios de coerência evolutiva e de pretensa superioridade intelectual.
Luís Nazaré
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