quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Desejos para 2012

No Conselho Superior da Antena Um, ontem de manhã, expressei os meus desejos para 2012 com governação que nos faça sair da crise. Com pouca esperança que ela venha deste Governo.
Comecei por pedir ao meu partido, o PS, que peça a fiscalização sucessiva da Orçamento de Estado, pela iniquidade e inconstitucionalidade do confisco dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos.
Pedi que Assembleia da República, Presidente da República e Governo apelem à responsabilidade social dos portugueses mais ricos, designadamente empresários, para que não continuem a levar o dinheiro que ganham em Portugal para fora do país (e só no último dia de 2011 foram transferidos 4.6 mil milhões de euros, muito mais do que os chineses pagam pela parcela da EDP que compraram, como hoje sublinha um jornal)e tomem medidas para desencorajar comportamentos, porventura legais mas imorais, como a do patrão da Jerónimo Martins, que transferiu a sede para a Holanda para evitar pagar cá mais impostos,a pretexto que vai investir no estrangeiro (se os portugueses preferem investir no estrangeiro, como atrairemos os estrangeiros a investir em Portugal?). Antes que os portugueses se revoltem e decretem campanhas de boicote aos produtos deste azedo Pingo Doce, adverti. Medidas que incluem que Portugal exija na UE a harmonização fiscal, sem a qual a concorrência entre Estados Membros está viciada.
Desejei ainda que Portugal peça a renegociação do acordo com a ‘troika’, visando a descida dos juros, a extensão do prazo de reembolso do empréstimo e a obtenção de recursos para investir no crescimento da economia e na criação do emprego.

Balanço negativo deste governo em 2011

Uma pequena cirurgia à mão direita impediu-me de escrever nas ultimas semanas. Mas fui seguindo e comentando a actualidade.
Aqui fica o balanço de 2011 que fiz para o Conselho Superior da ANTENA UM .
Considerei este o governo dos cinco D`s - desemprego, desigualdade, destruição, demissão e descrença. Sublinhei não ter preparação nem estratégia de recuperação para o país, e fiz notar que a única exportação que promove é a de trabalhadores portugueses.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Tarefa inacabada

Desde 1976, com a criação do sistema integrado de segurança social, todas as caixas de previdência e sistemas privativos de pensões deveriam ter sido integrados naquele. Passados 35 anos ainda havia serviços por integrar...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Menos mau do que parece

Os madeirenses vão pagar o preço da irresponsabildiade financeira do goveno regional da Madeira . Mas vão continuar a beneficiar de um elevado montante anual de transferências do orçamento da República, para o qual não contribuem um cêntimo, e da isenção de contribuição para as despesas gerais da República, que só os contribuintes do Continente suportam.
Há privilégios que custam a desaparecer...

Sarkozy em maus lençois

Com a economia francesa em recessão, desemprego em alta histórica e em risco de a França perder a nota de triplo AAA das agências de rating, o sucesso da recandidatura de Sarkozy à presidência francesa parece cada vez mais comprometido.

Caderno de reclamações

No voo da TAP Lisboa - Salvador há dias, um grande número dos monitores de televisão individuais na classe económica não funcionava e de nada valeram as reclamações.
É o que faz falta de concorrência. Sem competição a TAP exagera nos preços e no modo como maltrata os passageiros.E mesmo assim consegue dar prejuízos!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um lamentável episódio

A cacofonia governamental sobre a emigração como solução para o desemprego reinante, depois das infelizes declarações do Primeiro-Ministro sobre o assunto, revelam a insensibilidade social da direita liberal em relação às vítimas da recessão económica e do duro programa de austeridade imposto ao País.
Mesmo se justificada a austeridade, como é, em nome da consolidação orçamental, há que manter pelo menos o respeito pelos que são mais afectados por ela. Depois da iniquidade social na repartição dos custos da austeridade, o mínimo que se exige ao Governo e à maioria parlamentar é um módico de decência política e moral

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O novo Tratado (3)

Desconhece-se a posição do Governo sobre o projecto de novo Tratado europea à margem dos existentes e sobre as suas implicações para Portugal, nomeadamente quanto às novas obrigações em matéria de disciplina orçamental e de redução da dívida pública.
Era importnate sabê-lo...

O novo Tratado (2)

O projecto de novo Tratado europeu procura dar força jurídica às decisões do Conselho Europeu de 9 de Dezembro. É evidente o considerável reforço da disciplina orçamental, bem além do disposto nos actuais Tratados e nos protocolos anexos.
Todavia, sendo muito exigente em matéria de disciplina orçamental, o projecto de novo Tratado fica bem aquém de uma verdadeira "união orçamental", abstendo-se de qualquer referência à garantia mútua das emissões de dívida pública (eurobonds), e tampouco à necessária harmonização fiscal que evite a competição fiscal na zona euro e crie um "level playing field" para as empresas europeias.
Ora, se havia um momento privilegiado para avançar decididamente para uma união orçamental era justamente este, através de um tratado baseado na adesão voluntária e como meio de compensar as novas e duras obrigações de disciplina orçamental.

O novo Tratado (1)

Como era de temer e muitos anteciparam, a obsessão de Merkel em relação à revisão dos Tratados da União só podia trazer dificuldades acrescidas à UE.
Vetada a revisão pelo Reino Unido e tomada a decisão de avançar para um tratado paralelo entre os países que se queiram associar -- o qual levanta sérias dúvidas de articulação com os Tratados em vigor e com as isntituições da União --, é evidente que isso só vai acrescentar um factor de incerteza institucional à situação de incerteza financeira que a crise da dívida pública gera desde há muito.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Apostar nas pessoas

De acordo com um estudo publicado este ano, Europe 2020 - Competitive or Complacent? de Daniel Hamilton, um dos desafios que a Europa tem de vencer para um cenário competitivo em 2020, ou seja, para um cenário positivo, é o da qualificação das pessoas. Mais, prevê-se mesmo que, além do esforço interno, seja necessário atrair de fora da Europa pessoas muito qualificadas.
Os professores que não encontram lugar em escolas portuguesas até podem preferir emigrar e encontrar, para isso, o apoio do Governo. Mas o Primeiro Ministro (et. al. ) não pode passar a vida a empurrar as pessoas qualificadas para fora da Europa. Parece que desistiu de qualquer saída para a crise portuguesa e europeia. Assim, cria desânimo à sua volta.
Façam as malas e salve-se quem puder é a receita para o desastre colectivo. Precisamos extactamente de quem puxe em sentido contrário. De quem nos ajude a não desistir.

Bem prega Frei Tomás, mas vejam lá o que ele faz

A Autoridade Tributária e Aduaneira tem nada mais nada menos do que 12 subdirectores-gerais, mais 4 directores equiparados a subdirectores-gerais e 34 directores de serviços. Tive que ler a nova orgânica no Diário da República para acreditar. É certo que reuniu numa só Direcção, a DGCI, a DGAEC (alfândegas) e a DGITA (informática dos impostos), ou seja absorveu duas direcções-gerais mais pequenas. Justificar-se-ia assim, admito, uma excepção à anteriormente prometida eliminação do cargo de sub-director geral, se bem ouvi, para acabar com as "gorduras". Digamos até, para ser justa, justificava-se mais do que um sub-director. Mas daí até 12+4 vai uma grande distância. Com que autoridade impõe o Ministro das Finanças restrições e cortes na despesa aos restantes colegas de Governo, às autarquias, a todos os funcionários públicos se dentro do seu Ministério se trata com esta enorme “generosidade”?
Se há qualquer outra explicação, temos direito, no mínimo, a conhecê-la. O facto de cobrarem os nossos impostos não lhes dá direito de os gastarem com estes privilégios!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Excelente escolha

A escolha de Teodora Cardoso para presidente do Conselho de Finanças Públicas não poderia ser mais feliz, pelo seu saber e pela sua independência.
Conheci-a há mais de uma década na Ecordep, a comissão nomeada pelo então Ministro das Finanças Pina Moura para eloborar um programa de disciplina da despesa pública (que infelizmente não foi executado depois da demissão do Ministro). Admirei a sua sabedoria e o seu carácter. Não estranhei quando mais tarde foi escolhida para o Banco de Portugal e agora para esta nova responsabilidade.
Prouvera que o País tivesse muitas outras pessoas deste gabarito!

Cesária

Vinte anos atrás, num daqueles finais de tarde mágicos do Mindelo, Ilha de São Vicente, amigos nossos, sabendo da nossa admiração por Cesária Évora, propuseram um copo num bar fora da cidade onde ela poderia estar. E lá estava ela, no bar ainda vazio, cantando sozinha para ninguém salvo ela mesma, sem acompanhamento instrumental, descalça como sempre, com a sua voz cálida e acariciadora. Um momento inesquecível.
Voltámos a escutá-la alguns dias depois na Baía da Gatas, numa das primeiras edições do festival que depois se tornou famoso. E nunca mais deixei de admirar esta fabulosa cabo-verdiana que como ninguém deu expressão, pela sua música, à alma crioula.
Cesária partiu. A sua música, essa, fica.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Hollande

É de prever que o candidato socialista, François Hollande, venha a ganhar as próximas eleições presidenciais francesas, desde logo pela hostilidade generalizada contra o Presidente cessante e recandidato da direita, Nicolas Sarkozy.
Todavia, as propostas do provável futuro Presidente são tudo menos entusiasmantes. Por exemplo, esta ideia de renegociar o minitratado em preparação para a "união orçamental" da zona euro, que provavelmente já estará concluído e até ratificado à data da eleição presidencial francesa, não faz muito sentido. E só acrescenta incerteza política à incerteza já existente, que é o que a União menos precisa.

Justíssimo

«Eduardo Lourenço distinguido com Prémio Pessoa».
Mais do que merecido. Depois de António Sérgio, ninguém como Lourenço meditou tão profundamente sobre o que fomos e o que somos. Todos lhe devemos alguma coisa, e não pequena coisa.

Nem todos os gatos são pardos

É evidente que o novo critério de disciplina orçamental aprovado na última cimeira europeia -- 0,5% de défice orçamental "estrutural" -- é mais exigente do que o actual critério, que permite défices orçamentais efectivos de 3%, em qualquer circunstâncias. Mas só uma crassa ignorância ou uma infrene demagogia é que pode comparar os dois parâmetros pelo seu valor facial.
O défice estrutural de 0,5% será sempre calculado em referência à hipótese de uma economia em plena expansão (receitas pública no seu melhor e reduzidos gastos de protecção social), o que pode porém coabitar com défices efectivos muito superiores em situações de recessão económica (baixa da receita pública e aumento dos gastos sociais), ao passo que o actual limite de 3% se refere sempre ao défice efectivo, independentemente do ciclo económico, o que pode alimentar pressões inflacionistas numa economia em pleno emprego e ser insuficiente em situações de recessão económica.
Por isso o critério do "défice estrutural" é muito mais razoável, não agravando os efeitos financeiros do ciclo económico, ou seja reduzindo o défice efectivo na fase alta da economia e permitindo um défice maior na fase baixa.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

E a rebelião contra a corrupção já chega ... à China!

Vejam, que vale a pena ver e ler, a reportagem da BBC World "INSIDE CHINA'S LAND REVOLT" sobre como o PCC perdeu controlo sobre os pescadores da aldeia WUKAN, no Sul da China, em rebelião contra autoridades corruptas que confiscaram terras para a especulação imobiliária.
Quem disse que o povo chinês continuará a deixar-se amordaçar?




Brincar com o fogo

A simples ameaça de deixar de pagar a dívida pública é brincar com o fogo.
Há coisas que nem a brincar se podem dizer. A ser levada a sério, quem é que continuaria a emprestar dinheiro a Portugal? E a que preço?

Nem Salazar...

«Nem Salazar se atreveu a tocar no feriado de 5 de Outubro, diz Manuel Alegre».
De facto...