sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"Franchise-se" "o Alvaro"!

Isto da bimbalhice tem nada a ver com vir da ruralidade de Cebolais de Baixo, do cosmopolitismo de Kinshasa ou da Porcalhota, do bulicio urbano de Londres ou da descontracção provinciana de Vancouver. Tem a ver com horizontes, mundo, "calçadão" como dizem no Brasil.
Aconteceu, mais uma vez, com Álvaro, o doutor que se julgava talhado para superministro da economia, transportes, comunicações e não sei que mais e, afinal, nem a mercearia domina.
Tadinho! hoje deu-lhe para investir nos pastéis de nata... Queixando-se que ninguém lhes ligava e os "franchisava" por esse mundo fora.
O problema não é a ideia, que é boa, tanto como são de comer e chorar por mais uns decentes pastéis nata. Por isso já há muito quem a tivesse passado à pratica.
O problema é que Álvaro não tem mesmo "calçadão" nenhum: vivesse lá na "estranja" onde viveu, nunca topou além da confeitaria da esquina.
E por isso nunca reparou que há cadeias de "franchising" de pastéis de nata por todo o mundo, de Nova Iorque a Jakarta, do Rio de Janeiro a Toronto, passando por Singapura. E até, em regra, dando crédito à origem lisboeta da iguaria. Nuns casos em cadeias exploradas por portugueses, noutros por estrangeiros com paladar e jeito para o negócio - coisa que Álvaro claramente não tem, qualquer que seja o ramo, pois nem a mais elementar prospecção de mercado consegue fazer, apesar de pagar bem a umas assessoras e pêras, lá na Horta Seca.
Mas nem tudo se perde: e se a gente investir antes em "franchisar" o "Álvaro", bimbo de borracha para ajudar a relaxar mesmo os mais sisudos cidadãos?



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Estão a mangar com a gente

"Passos «cumpre promessa» de libertar Estado do «amiguismo».
Depois das nomeações para os hospitais públicos e para a Águas de Portugal, só para citar alguns casos, esta declaração do chefe do Governo só pode soar a piada de mau gosto...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Contra Corrente: "hardcore" sénior

O novo "late night show" da SIC-Notícias, "Contra Corrente", estreou-se ontem como "um luxo" de seniores.
Pelas amostras de humor "hardcore", conviria que a profissionalissima Ana Lourenço ponderasse afixar circulozinho vermelho no canto direito de futuras emissões. Para tanto quanto possível as restringir a audiência também sénior, quiçá convenientemente jurássica e de sólido arcaboiço moral e psíquico. E a moderadora prepare armadura, antídotos e encomende-se ao Espírito Santo, que os fluxos contra-circulantes em todas as direcções podem tornar-se contagiosos.
Para preparos, o médico Sobrinho Simões mostrou ontem como a crise está a afectar mesmo os mais sãos, brindando-nos com a hipótese do SNS começar a poupar nas hemodiálises para septuagenários.
Não querendo ficar atrás, António Barreto questionou o direito a cirurgias depois dos 70, frisando que ele próprio já os ultrapassara (ele que já nasceu prá í com 60...).
"Não acha abominável que se discuta se alguém que tem 70 anos tem direito à hemodiálise ou não?", perguntou a estarrecida Ana Lourenço.
Naquele jeito carinhoso de nos iluminar definitivamente, a Dra. Manuela Ferreira Leite esclareceu:
"Tem sempre direito, se pagar".

A favor da corrente, pergunto eu:
E tratamento para a insensibilidade patológica, também "pagantibus", está bem de ver? Debita-se à paciente ou manda-se a factura ao Banco de Portugal? ou ao PSD?
E terapia ocupacional para septuagenários reincidentes? O "Pingo Doce" subsidia e abate nas transferências de capitais para a Holanda?



Uma vergonha

O que se passa na Hungria é um programa de deliberado esvaziamento da democracia política, de domínio de todas as instituições do Estado pelo partido do Governo e de tentativa de aniquilamento da oposição por parte do Governo de Direita, prevalecendo-se da sua maioria de 2/3 no parlamento.
O que é verdadeiramente escandaloso é que o Partido Popular Europeu, a que pertence o Fidezs, e os partidos parceiros do mesmo no PPE, como o PSD e o CDS entre nós, não só não condenem a deriva antidemocrática húngara, como ainda a tentem justificar.
Uma vergonhosa cumplicidade!

"Boys will be boys".

O Ministro das Finanças ontem, perante a AR, bem negou que o Governo tivesse alguma coisa a ver com a nomeação dos maduros "boys" e "girl" dos partidos do Governo para o Conselho de Supervisão da EDP.
O Ministro falou ainda mais vagarosamente do que é costume para se "defender": estava na cara e na "body language" que ele não acreditava minimamente no sentido das palavras que soletrava e com as quais procurava lavar a reputação governamental. Nem acreditava que quem quer que fosse engulisse tão barrenta mistela.
Não passaram 24 horas e já as nomeações de mais "boys" dos partidos do Governo para a Administração da "Águas de Portugal" arrastavam para o cano de esgoto o esforço branqueador de Vítor Gaspar.

Guantanamo: 10 anos de vergonha e retrocesso

Cumprem-se hoje, 11 de Janeiro de 2012, dez anos sobre o primeiro dia em que a Administração Bush começou a operar a transferência de prisioneiros para Guantanamo.Incluindo, nesse mesmo dia, passagem por território português. Aproveitando a distracção do governo que estava de saída, o de António Guterres (tenho elementos para crer, mas Amado nunca me facultou apurar e provar).
Passagem que se repetiu muitas vezes nos anos seguintes, até meados de 2007, com cumplicidade consciente, activa e encobridora (está provado, volto e voltarei a afirmá-lo) das duplas governamentais que se seguiram: Durão Barroso/Paulo Portas e Sócrates/Amado.
Lamentavelmente, desgraçadamente, vergonhosamente, o Presidente Obama - que eu continuo a apoiar, mas nunca acriticamente - que no seu primeiro dia de presidência prometeu encerrar Guantanamo, acabou por não o conseguir fazer. Pior, pior ainda - a 11 de Março de 2011 emitiu uma ordem admitindo a incivilizada e ilegal prisão perpétua arbitrária, sem julgamento, para certos suspeitos de terrorismo - como não se têm cansado de denunciar associações de direitos humanos americanas e internacionais, incluindo a ACLU -American Civil Liberties Union, a Human Rights Watch e a Amnistia Internacional.
Para assinalar esta década de retrocesso nos direitos humanos e no Estado de direito nos EUA e na Europa, a AMNISTIA INTERNACIONAL divulgou um relatório:
e um video .
O Parlamento Europeu ,entretanto, decidiu retomar o inquérito e a investigação que produziu em 2007 e avaliar como os governos e instituições europeias cumpriram - ou melhor, não cumpriram - as suas recomendações. Hélène Flautre, dos Verdes, será a Relatora. Eu fui nomeada, pelo meu Grupo Político, relatora-sombra para a Opinião com que a Comissão dos Negócios Estrangeiros vai contribuir para esse relatório.
Guantanamo e as prisões secretas da CIA são vergonha e retrocesso do Estado de Direito. Nos EUA e na Europa onde, apesar de tudo, funcionava. Admiram-se que ele hoje não funcione para o resto e sirva para arrasar as nossas economias, a democracia e o Estado social?

Maçonaria: contra declaração obrigatória

Discordo de Paula Teixeira da Cruz ao advogar a obrigatoriedade de declaração de pertença à Maçonaria por parte de políticos.
Sou, como explico no post anterior, pela declaração voluntária de quem seja membro de quaisquer associações cívicas, Maçonaria incluida. Cabe a quem for eventualmente exposto enfrentar as apreciações negativas que a omissão possa sugerir.
A posição da Ministra da Justiça suscita-me duas questões:
Também advoga a obrigatoriedade de registo de interesses para os políticos membros da Opus Dei?
E se advoga para os políticos, o que opina sobre magistrados e funcionários públicos: ou dispensam-se de transparência e isenção?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Os partidos nas empresas (2)

O loteamento das empresas públicas pelos dois partidos do Governo continua, agora nas Águas de Portugal.
Não era este o Governo que iria despartidarizar as administrações das empresas públicas e nomeá-las só pelo mérito!?

Maçons = homens bons. E os maus?

Na TVI24 com Henrique Garcia, na sexta feira passada, falei sobre a polémica que para aí vai sobre a Maçonaria. Ou melhor, sobre os Serviços ditos Secretos ao serviço das... maçonarias e das opus dos interesses.
Comecei por uma declaração de (des)interesse - não pertenço à Maçonaria ou a qualquer sociedade do género (quanto a Opus, vá-de-retro! prefiro a Opus Gay, eu que não sou "gay" mas defendo os direitos humanos dos que são). Embora tenha sido por três vezes convidada (na Suiça, em Portugal e nos EUA), por três vezes recusei: em democracia, não entendo as reservas, não me sujeito a secretismos, nem a obediências iniciáticas (o MRPP vacinou-me...) .
Não, não é nenhuma rejeição de princípio da conspiração, da clandestinidade, da reserva, do secretismo: se sentir a democracia em perigo, não hesitarei em trabalhar com quem for preciso, como for preciso, contra forças da opressão: não hesitei antes do 25 de Abril.
Mas democracia é claridade, responsabilização. E, para quem faz política, confiança e transparência perante quem elege.
Não desvalorizo, antes respeito e admiro, o papel histórico fundamental que a Maçonaria desempenhou, no mundo e em Portugal, pelo progresso, a justiça e a própria democracia. A Maçonaria que congrega homens bons (mulheres também) que procuram aperfeiçoar-se. A de homens honrados e dedicados à causa pública e ao bem da Humanidade, como incontestávelmente são, entre nós, António Arnault e António Reis. Que advogam que um Maçon pode/deve assumir-se como tal, assim só elevando a fasquia de exigência pessoal e pública.
Mas, exactamente por isso, confesso a minha maior reserva e suspeição perante homens e mulheres que, sendo Maçons ou membros da Opus Dei, o omitem, o iludem, o escondem, o negam. Em democracia, gente assim não pode ser fiável, nem confiável. E quanto a aperfeiçoamento - só se for do oportunismo, concluio e possível delinquência.

Os partidos nas empresas

A história da composição do novo Conselho de Supervisão da EDP, cheio de membros grados do PSD e do CDS, mostra que o Estado bem pode retirar-se das empresas, mas que os partidos do poder, não. Em vez de uma parceria entre o Estado e os demais accionistas de referência, como antes da privatização total, passaremos a ter uma aliança entre os segundos e os partidos que representam politicamente os interesses empresariais.
Quem acredita que as privatizações trazem uma virtuosa separação entre a economia e a política engana-se. O que passa a haver é a influência das empresas privatizadas no Estado, por via dos partidos do Governo cooptados pelas donos das empresas, que não querem passar sem o Governo...

Discriminação

É evidente que seria discriminatória uma lei que exigisse a titulares de cargos públicos uma declaração de pertença à maçonaria e só a ela. Mas já não haveria nenhuma discriminação se a lei impusesse o mesmo dever aos membros de todas as organizações "discretas", incluindo por exemplo a Opus Dei.
E seria, aliás, uma obrigação assaz pertinente, dada a forte solidariedade pessoal que envolve a pertença  a tais irmandades, com o inerente risco de violação do dever de imparcialidade no exercício de cargos públicos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Seminário Diplomático

Também o comentei na TVI24, embora não tenha estado presente. No frenesim de diplo-eutanásia dos "boys" de serviço, até embaixadores jubilados foram dispensados de diplomático convite...
Mas os tan-tans tocam rápido para todos os da casa, sobretudo quando há movimento diplomático em pano de fundo.
Por isso, pude notar que apesar de tanta "agit-prop" sobre diplomacia económica, o Ministro da Economia fez-se notar ... pela ausência. Bastamente compensada pela intervenção do Ministro das Finanças, no entanto, segundo várias vozes (só que economia é mais do que cortar a eito no orçamento...).
Muita diplomacia económica no plano da articulação institucional em torno da AICEP, muitas promessas de regular informação, muitos apelos ao patriotiotismo, ao empenhamento, ao profissionalismo dos diplomatas (mas por quem se toma quem vem pedir aos diplomatas o que eles nunca regatearam ao serviço do país???.).
Instrumentos, meios humanos, recursos financeiros, directivas e orientações estratégicas concretas - enfim, tudo está ainda ... por concretizar.
A ver vamos! Até ao próximo Seminário Diplomático.

Movimento diplomático

Comentei-o esta noite no telejornal com Henrique Garcia na TVI24.
Procurei desmontar o "spinning" marqueteiro da "renovação geracional" (tal é o afã de eutanásia diplomática dos "boys" de serviço), de "mais mulheres", da diplomacia económica que transveste embaixadas em "centros de negócios", etc...
Não comentei pessoas, evidentemente. Há muitas escolhas acertadas, que eu própria faria. Mas também notei que há outras, incluindo promoções meteóricas, que só o relacionamento chegado ao Ministro explica... (dispenso a gozação possível, só espero que não saiam demasiado caras ao Estado...).
Novidade, novidade, realmente, só uma: a nada ortodoxa prática diplomática de divulgar o movimento de embaixadores, antes de serem pedidos os "agréments" aos governos junto de quem vão servir... É que já conheciamos as fugas inevitáveis no processo de consulta aos indigitáveis e aos PM e PR. Neste caso, não há qualquer dúvida que foi o Ministro quem desencadeou já a divulgação integral do movimento.
Ele movimentar, movimenta-se!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Desejos para 2012

No Conselho Superior da Antena Um, ontem de manhã, expressei os meus desejos para 2012 com governação que nos faça sair da crise. Com pouca esperança que ela venha deste Governo.
Comecei por pedir ao meu partido, o PS, que peça a fiscalização sucessiva da Orçamento de Estado, pela iniquidade e inconstitucionalidade do confisco dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos.
Pedi que Assembleia da República, Presidente da República e Governo apelem à responsabilidade social dos portugueses mais ricos, designadamente empresários, para que não continuem a levar o dinheiro que ganham em Portugal para fora do país (e só no último dia de 2011 foram transferidos 4.6 mil milhões de euros, muito mais do que os chineses pagam pela parcela da EDP que compraram, como hoje sublinha um jornal)e tomem medidas para desencorajar comportamentos, porventura legais mas imorais, como a do patrão da Jerónimo Martins, que transferiu a sede para a Holanda para evitar pagar cá mais impostos,a pretexto que vai investir no estrangeiro (se os portugueses preferem investir no estrangeiro, como atrairemos os estrangeiros a investir em Portugal?). Antes que os portugueses se revoltem e decretem campanhas de boicote aos produtos deste azedo Pingo Doce, adverti. Medidas que incluem que Portugal exija na UE a harmonização fiscal, sem a qual a concorrência entre Estados Membros está viciada.
Desejei ainda que Portugal peça a renegociação do acordo com a ‘troika’, visando a descida dos juros, a extensão do prazo de reembolso do empréstimo e a obtenção de recursos para investir no crescimento da economia e na criação do emprego.

Balanço negativo deste governo em 2011

Uma pequena cirurgia à mão direita impediu-me de escrever nas ultimas semanas. Mas fui seguindo e comentando a actualidade.
Aqui fica o balanço de 2011 que fiz para o Conselho Superior da ANTENA UM .
Considerei este o governo dos cinco D`s - desemprego, desigualdade, destruição, demissão e descrença. Sublinhei não ter preparação nem estratégia de recuperação para o país, e fiz notar que a única exportação que promove é a de trabalhadores portugueses.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Tarefa inacabada

Desde 1976, com a criação do sistema integrado de segurança social, todas as caixas de previdência e sistemas privativos de pensões deveriam ter sido integrados naquele. Passados 35 anos ainda havia serviços por integrar...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Menos mau do que parece

Os madeirenses vão pagar o preço da irresponsabildiade financeira do goveno regional da Madeira . Mas vão continuar a beneficiar de um elevado montante anual de transferências do orçamento da República, para o qual não contribuem um cêntimo, e da isenção de contribuição para as despesas gerais da República, que só os contribuintes do Continente suportam.
Há privilégios que custam a desaparecer...

Sarkozy em maus lençois

Com a economia francesa em recessão, desemprego em alta histórica e em risco de a França perder a nota de triplo AAA das agências de rating, o sucesso da recandidatura de Sarkozy à presidência francesa parece cada vez mais comprometido.

Caderno de reclamações

No voo da TAP Lisboa - Salvador há dias, um grande número dos monitores de televisão individuais na classe económica não funcionava e de nada valeram as reclamações.
É o que faz falta de concorrência. Sem competição a TAP exagera nos preços e no modo como maltrata os passageiros.E mesmo assim consegue dar prejuízos!