Detrito doméstico numa praia algarvia, Ilha da Culatra, parque natural(?!) da Ria Formosa, Agosto 2005.
Blogue fundado em 22 de Novembro de 2003 por Ana Gomes, Jorge Wemans, Luís Filipe Borges, Luís Nazaré, Luís Osório, Maria Manuel Leitão Marques, Vicente Jorge Silva e Vital Moreira
domingo, 14 de agosto de 2005
Lugares de desencanto
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Vital Moreira
Detrito doméstico numa praia algarvia, Ilha da Culatra, parque natural(?!) da Ria Formosa, Agosto 2005.
Estado fraco
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Vital Moreira
Quem ontem viajou na auto-estrada do Norte, muito congestionada, deveria saber por que é que o Estado não obriga a Brisa a construir a terceira faixa de rodagem nos troços que já ultrapassaram há muito os limites de tráfego previstos no contrato de concessão. Num Estado fraco os concessionários privados podem dar-se ao luxo de incumprimento sem riscos de sanção...
Pergunta
Publicado por
Vital Moreira
Por que razão é que a nova ligação rodoviária entre a A1 e a A13 junto a Santarém -- permitindo pela primeira vez uma ligação rápida entre o Norte e o Sul sem se ter de passar por Lisboa -- não é feita em perfil contínuo de auto-estrada, em vez de obrigar a dois controles de portagem e a passar pelo estrangulamento da variante externa daquela cidade?
sexta-feira, 12 de agosto de 2005
Surrealismo
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Vital Moreira
«PS local impugna listas do próprio PS em Felgueiras». Definitivamente o PS não se dá bem com Felgueiras...
Correio dos leitores: Colégio Militar
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Vital Moreira
1. «"O Colégio Militar é um Estabelecimento de educação e ensino destinado a filhos de militares e também de civis, em regime de internato, preparando-os para frequência ulterior das Academias Militares. Ministra aos alunos sólida educação moral, intelectual, física e militar. O ensino está legalmente equiparado ao dos Estabelecimentos de ensino dependentes do Ministério da Educação" (in site do M.Defesa Nacional).
Posso assegurar-lhe que é a excelência da Escola que a mantém em funcionamento com larga percentagem de miúdos filhos de civis não havendo qualquer espírito de casta a manter artificialmente a Escola (creia que o espírito de casta foi chão que já deu uvas..., infelizmente).
No que respeita aos Institutos Superiores há muito deviam ter sido reunidos num único pois não só há capacidade física para tal como se recupera a possibilidade de colocar em contacto estreito oficiais dos três ramos.»
Morais Silva
2. «O que justifica a permanência do Colégio Militar é, evidentemente, a procura do qual é alvo. Se um Colégio tem procura da parte dos pais, por quê ir extingui-lo?
A educação no Colégio Militar paga-se, e paga-se bem. Trata-se para todos os efeitos, tanto quanto julgo, de um Colégio de índole privada, embora pertencente ao Estado. E não vejo nada de errado nisso.»
Luís Lavoura
Comentário
Não vejo onde é que se enquadra constitucional e legalmente a possibilidade de o Estado manter colégios "privados"...
Posso assegurar-lhe que é a excelência da Escola que a mantém em funcionamento com larga percentagem de miúdos filhos de civis não havendo qualquer espírito de casta a manter artificialmente a Escola (creia que o espírito de casta foi chão que já deu uvas..., infelizmente).
No que respeita aos Institutos Superiores há muito deviam ter sido reunidos num único pois não só há capacidade física para tal como se recupera a possibilidade de colocar em contacto estreito oficiais dos três ramos.»
Morais Silva
2. «O que justifica a permanência do Colégio Militar é, evidentemente, a procura do qual é alvo. Se um Colégio tem procura da parte dos pais, por quê ir extingui-lo?
A educação no Colégio Militar paga-se, e paga-se bem. Trata-se para todos os efeitos, tanto quanto julgo, de um Colégio de índole privada, embora pertencente ao Estado. E não vejo nada de errado nisso.»
Luís Lavoura
Comentário
Não vejo onde é que se enquadra constitucional e legalmente a possibilidade de o Estado manter colégios "privados"...
Privilégios
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Vital Moreira
Portugal é um dos países onde os trabalhadores gozam de maior período de férias, diz um relatório comparativo internacional. Também é provavelmente um dos que tem maior número de dias feriados e de "pontes". Portanto, é um dos países onde menos se trabalha. Depois admiramo-nos de vivermos acima das nossas possibilidades...
quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Escolas militares
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Vital Moreira
Após anos e anos de estudos, projectos e resistências, foi finalmente concretizada a reunião dos três institutos de estudos superiores das forças armadas num só. Como é difícil fazer reformas que afectam interesses e feudos instalados!
A propósito de escolas militares, o que é que justifica hoje a existência de escolas do ensino básico e secundário, como o Colégio Militar, se não um deslocado espírito de casta (aliás, reservado a rapazes)?
A propósito de escolas militares, o que é que justifica hoje a existência de escolas do ensino básico e secundário, como o Colégio Militar, se não um deslocado espírito de casta (aliás, reservado a rapazes)?
O novo aeroporto
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Vital Moreira
O Ministro das Obras Públicas publica hoje um artigo no Diário Económico -- infelizmente indisponível online -- a defender o aeroporto na Ota. Invoca especialmente o estudo de impacto ambiental de 1999. Todavia, trata-se somente da vertente ambiental, que valida a escolha do local em comparação com outros. Falta obviamente o estudo de impacto financeiro e económico da construção do novo aeroporto.
O que se suspeitava
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Vital Moreira
A Anacom, a entidade reguladora das comunicações, veio confirmar o que se supeitava quanto à falta de efectiva concorrência na telefonia móvel e à "coordenação" de práticas tarifárias entre os três operadores, o que insinua claramente uma acusação de práticas restritivas da concorrência.
Para além da atenção da Autoridade da Concorrência, o que estas conclusões suscitam é a necessidade de aumento do número de operadores no mercado. Se existem países com numerosos operadores, por que é que em Portugal existe um mercado reservado para somente três operadores?
Para além da atenção da Autoridade da Concorrência, o que estas conclusões suscitam é a necessidade de aumento do número de operadores no mercado. Se existem países com numerosos operadores, por que é que em Portugal existe um mercado reservado para somente três operadores?
Segredo de polichinelo
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Vital Moreira
Ridicularizando pertinentemente os que à direita tentaram demonstrar que para Sócrates era melhor ter Cavaco em Belém do que Soares, Rui Ramos vem dizer o que verdadeiramente vai na alma da direita quanto às presidenciais e quanto ao seu candidato: o que ela quer e espera é obviamente a demissão do Governo.
Eis, portanto, uma questão à qual Cavaco Silva não vai poder fugir: esclarecer devidamente a sua posição em relação à estabilidade política em geral e à estabilidade givernativa em especial.
Eis, portanto, uma questão à qual Cavaco Silva não vai poder fugir: esclarecer devidamente a sua posição em relação à estabilidade política em geral e à estabilidade givernativa em especial.
Escola pública
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Vital Moreira
«Em desespero de causa, os adversários da escola pública defendem que o Estado não deve encarregar-se do ensino, nem de outros direitos sociais ou culturais, devendo limitar-se às "tarefas soberanas". É obviamente livre a opinião sobre as tarefas do Estado. Mas quem as define é a Constituição e o voto dos eleitores e não os "opinion makers", sobretudo quando são parte interessada. A Constituição diz o que diz e não o que o "lobby" do ensino privado queria que ela dissesse.»
Este é um excerto do meu artigo desta semana no Público, já disponível, como habitualmente, na Aba da Causa.
Este é um excerto do meu artigo desta semana no Público, já disponível, como habitualmente, na Aba da Causa.
quarta-feira, 10 de agosto de 2005
A cruzada
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Vital Moreira
Prossegue, apaixonada, a cruzada paroquial de Lisboa contra a mudança do aeroporto da Portela. Vale tudo. O Governo dá uma prestimosa ajuda, ao adiar para Outubro (vá-se lá saber porquê...) a divulgação dos estudos que sustentam a construção do novo aeroporto.
Por que será?
Publicado por
Vital Moreira
Portugal é o País da UE onde há relativamente mais incêndios florestais. Porquê? Provavelmente, porque nenhum outro tem uma floresta tão vulnerável aos fogos como a nossa.
Correio dos leitores: A extinção do Ballet da Gulbenkian
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Vital Moreira
«(...) A FCG tem uma identidade própria, associada ao título de "Ministério da Cultura português" até muito recentemente. Tal perfil só foi possível por conciliar duas filosofias de intervenção: uma directa, com serviços próprios, outra indirecta, com subsídios e apoios vários. Foram e/ou ainda são serviços directos alguns dos organismos mais emblemáticos da FCG: as bibliotecas itinerantes e fixas, o Ballet Gulbenkian, a Orquestra Gulbenkian, o ACARTE, etc. Há argumentos que revelam uma estratégia deliberada dos administradores ideologicamente mais liberais no sentido de acabar com os serviços directos (...).
Aqui surge um problema: se numa visão liberal faz sentido exigir uma menor presença do Estado na sociedade civil, já um menor peso da sociedade civil nela mesma é um contra-senso. Porém, é nisso que se traduz o esvaziamento do papel da FCG na oferta e na concorrência culturais, ambas cruciais para o desenvolvimento da sociedade portuguesa. (...)
A extinção do Ballet Gulbenkian foi nefasta, dada a sua intempestividade (a renovação artística fora almejada e a programação de 2005/6 já fora aprovada), o momento escolhido (celebração dos seus 40 anos), o valor do grupo de bailado (prestigiado internacionalmente, à custa de muito investimento e árduo labor) e, como vimos, por comprometer definitivamente a própria filosofia mista de intervenção sócio-cultural da FCG ao longo da sua existência.
(...) Cabe à opinião pública debater estas questões, pois a FCG é uma das instituições mais importantes da nossa sociedade civil, e por isso deve ser alvo de escrutínio público. Uma petição com 20 mil assinaturas vai nesse sentido (vd. http://www.petitiononline.com/bg05ext/petition.html). Para o bem do interesse comum, da nossa democracia.»
Daniel Melo, historiador
Aqui surge um problema: se numa visão liberal faz sentido exigir uma menor presença do Estado na sociedade civil, já um menor peso da sociedade civil nela mesma é um contra-senso. Porém, é nisso que se traduz o esvaziamento do papel da FCG na oferta e na concorrência culturais, ambas cruciais para o desenvolvimento da sociedade portuguesa. (...)
A extinção do Ballet Gulbenkian foi nefasta, dada a sua intempestividade (a renovação artística fora almejada e a programação de 2005/6 já fora aprovada), o momento escolhido (celebração dos seus 40 anos), o valor do grupo de bailado (prestigiado internacionalmente, à custa de muito investimento e árduo labor) e, como vimos, por comprometer definitivamente a própria filosofia mista de intervenção sócio-cultural da FCG ao longo da sua existência.
(...) Cabe à opinião pública debater estas questões, pois a FCG é uma das instituições mais importantes da nossa sociedade civil, e por isso deve ser alvo de escrutínio público. Uma petição com 20 mil assinaturas vai nesse sentido (vd. http://www.petitiononline.com/bg05ext/petition.html). Para o bem do interesse comum, da nossa democracia.»
Daniel Melo, historiador
Correio dos leitores: «O fogo e nós»
Publicado por
Vital Moreira
«Agora que me envolvi directamente, durante dois dias, lutando até à exaustão, no meio de um inferno de chamas e fumo ardente, procurando defender a humilde casa de meus pais - lugar de memória da minha infância e recanto de paz nos encontros domingueiros de são convívio entre três gerações ? melhor entendo o valor da enorme solidariedade e abnegação do nosso povo. (...)
Mas é triste, de uma tristeza infinita, observar o nosso vasto e rico património florestal e ambiental desaparecer num ápice, perante a nossa impotência, com consequências tão nefastas que provavelmente ainda nem nos demos conta, tal é o estado de pasmo e incredulidade com que olhamos agora, atónitos, estas manchas intermináveis de paisagem negra, bélica, ainda ontem tão fresca e paradisíaca.
É este sentimento de raiva interior, que ora se abafa, ora parece explodir, por verificar que os mais pobres continuam os mais sofredores, as suas casas as que ardem, o seu desespero o mais ignorado. Entregues a si próprios e ao seu destino, apenas podem contar consigo e a solidariedade possível. E ficar mais pobres. (...)
Razão tem o meu pai, nos seus lúcidos 75 anos, confessando a um órgão de informação (os novos paparazzi da desgraça!) face ao cenário de tragédia jamais visto na sua aldeia: "Tivesse eu agora 20 ou 30 anos, voltaria a emigrar para bem longe e tão cedo não regressaria a este triste e pobre país."
E nós, valerá a pena ficar? Até quando?»
(M.Oliveira, Leiria)
Mas é triste, de uma tristeza infinita, observar o nosso vasto e rico património florestal e ambiental desaparecer num ápice, perante a nossa impotência, com consequências tão nefastas que provavelmente ainda nem nos demos conta, tal é o estado de pasmo e incredulidade com que olhamos agora, atónitos, estas manchas intermináveis de paisagem negra, bélica, ainda ontem tão fresca e paradisíaca.
É este sentimento de raiva interior, que ora se abafa, ora parece explodir, por verificar que os mais pobres continuam os mais sofredores, as suas casas as que ardem, o seu desespero o mais ignorado. Entregues a si próprios e ao seu destino, apenas podem contar consigo e a solidariedade possível. E ficar mais pobres. (...)
Razão tem o meu pai, nos seus lúcidos 75 anos, confessando a um órgão de informação (os novos paparazzi da desgraça!) face ao cenário de tragédia jamais visto na sua aldeia: "Tivesse eu agora 20 ou 30 anos, voltaria a emigrar para bem longe e tão cedo não regressaria a este triste e pobre país."
E nós, valerá a pena ficar? Até quando?»
(M.Oliveira, Leiria)
terça-feira, 9 de agosto de 2005
Abrupto ou abutre?
Publicado por
LFB
"A Capital é hoje um jornal que vale a pena ler, até porque a sua agenda é muito diferente da dos outros jornais diários. (...) É um jornal maison, íntimo, e por isso é um jornal urbano interessante, que publica trabalhos jornalísticos com informação nova e temas pouco tratados".
(Pacheco Pereira sobre A Capital, no Abrupto, em Agosto de 2004)
"A Capital vai-me fazer falta, mas sempre que eu via um número revoltava-me a incúria com que era feita. Eu sei que é duro dizer isto, mas não era segredo para ninguém, a começar pelos seus leitores, que o desastre era inevitável".
(Pacheco Pereira sobre o fim da Capital; na Sábado de 5 a 11 de Agosto de 2005)
(Pacheco Pereira sobre A Capital, no Abrupto, em Agosto de 2004)
"A Capital vai-me fazer falta, mas sempre que eu via um número revoltava-me a incúria com que era feita. Eu sei que é duro dizer isto, mas não era segredo para ninguém, a começar pelos seus leitores, que o desastre era inevitável".
(Pacheco Pereira sobre o fim da Capital; na Sábado de 5 a 11 de Agosto de 2005)
Correio dos leitores: Lisboetês
Publicado por
Vital Moreira
«Não sei se será lisboetês ou não. Português é que não é de certeza. Repetidamente o pivôt da RTP 1 José Rodrigues dos Santos comenta que tal matéria "não tem a haver" com qualquer coisa. Então não há um(a) colega que lhe faça o reparo? Ninguém lhe dirá que "não tem a haver" não tem mesmo nada a ver com "não tem a ver"?»
Fernando Barros
Fernando Barros
Correio dos leitores: CGD
Publicado por
Vital Moreira
«Então e na CGD ?
Esta instituição é uma autêntica agência de emprego do bloco central (PS/PSD).Quem entrar para a CGD sem cartão daqueles partidos se chegar a chefe de secção já é muito bom. Hoje a Caixa está enxameada de Directores oriundos das mais variadas origens e cujos currículos são uma vergonha, enquanto dantes os quadros superiores eram recrutados na instituição.
O [Armando] Vara então é de bradar aos céus, como é que um 1.º ministro se enterra desta maneira. O tesoureiro da agência de Vinhais foi promovido a administrador. Querem maior afrontra para que lá trabalha honradamente?»
M. Malaca
«Quanto aos meninos-familia [na PT]:
1- e os que estudam lá fora à custa dos metecos nacionais?
2- e como é nas repartições onde trabalha a família toda mais a prole (experimente fazer as contas sobre o valor do legado que é um emprego no estado para um vencimento de 1.500 euros/mês)?
3- e na CGD pode constatar que está lá a famelga toda.
5- e nas Câmaras? A avaliar pelo municipio local, se nos outros a coisa tiver um nível de degradação igual a 50% ao "deste" poder local, a coisa só é sustentável porque o povo é pouco letrado... ou não tem nem voz nem direitos substantivos.
6- e nos Intitutos, fundações e quejandos onde o Estado mete o bedelho?
Mas a questão é: como moralizar esta sociedade, esta classe política tão... tão seráfica? Eu sei que os empresários não são melhores, os operários também são o que são e os amanuenses em geral já não se convencem com uma "gasosa"...
Soluções?
(...) Como salvar o regime sem a transmissão gratuita da soberania para a Espanha (país que eu aliás muito aprecio), sendo certo que os portugueses de um modo geral, não apreciam os espanhóis?
Aqui em casa estamos a lutar por uma solução nada sui generis: emigrar. Emigrar para sempre, o que quer dizer, mandar às malvas o Futebol Clube do Porto, a Académica (...), deixar de ficar agarrado à TV com medo que o pinhal da família também arda, passar as férias no Montenegro, falar alemão e francês lá em casa, e ter vergonha de usar o passaporte que se exibe!
(...) Sopra no ar um vento pútrido de dissolução que põe em causa um bem cujo valor não há dinheiro que pague. A vida em liberdade. Mas liberdade com roubo acintoso, costuma dar em tragédia.»
A. A. Oliveira
Esta instituição é uma autêntica agência de emprego do bloco central (PS/PSD).Quem entrar para a CGD sem cartão daqueles partidos se chegar a chefe de secção já é muito bom. Hoje a Caixa está enxameada de Directores oriundos das mais variadas origens e cujos currículos são uma vergonha, enquanto dantes os quadros superiores eram recrutados na instituição.
O [Armando] Vara então é de bradar aos céus, como é que um 1.º ministro se enterra desta maneira. O tesoureiro da agência de Vinhais foi promovido a administrador. Querem maior afrontra para que lá trabalha honradamente?»
M. Malaca
«Quanto aos meninos-familia [na PT]:
1- e os que estudam lá fora à custa dos metecos nacionais?
2- e como é nas repartições onde trabalha a família toda mais a prole (experimente fazer as contas sobre o valor do legado que é um emprego no estado para um vencimento de 1.500 euros/mês)?
3- e na CGD pode constatar que está lá a famelga toda.
5- e nas Câmaras? A avaliar pelo municipio local, se nos outros a coisa tiver um nível de degradação igual a 50% ao "deste" poder local, a coisa só é sustentável porque o povo é pouco letrado... ou não tem nem voz nem direitos substantivos.
6- e nos Intitutos, fundações e quejandos onde o Estado mete o bedelho?
Mas a questão é: como moralizar esta sociedade, esta classe política tão... tão seráfica? Eu sei que os empresários não são melhores, os operários também são o que são e os amanuenses em geral já não se convencem com uma "gasosa"...
Soluções?
(...) Como salvar o regime sem a transmissão gratuita da soberania para a Espanha (país que eu aliás muito aprecio), sendo certo que os portugueses de um modo geral, não apreciam os espanhóis?
Aqui em casa estamos a lutar por uma solução nada sui generis: emigrar. Emigrar para sempre, o que quer dizer, mandar às malvas o Futebol Clube do Porto, a Académica (...), deixar de ficar agarrado à TV com medo que o pinhal da família também arda, passar as férias no Montenegro, falar alemão e francês lá em casa, e ter vergonha de usar o passaporte que se exibe!
(...) Sopra no ar um vento pútrido de dissolução que põe em causa um bem cujo valor não há dinheiro que pague. A vida em liberdade. Mas liberdade com roubo acintoso, costuma dar em tragédia.»
A. A. Oliveira
Correio dos leitores: Floresta
Publicado por
Vital Moreira
Sobre a floresta baseada no pinheiro bravo e no eucalipto, e apoiada pelos interesses de produtores florestais e madeireiros, a coisa não é assim tão simples.
A economia florestal em Portugal não é, em geral, rentável. Em boa parte, por falta de mão-de-obra, e pelo baixo preço pago pela madeira. Os proprietários não têm como cuidar da sua floresta. (...) É por isso que proprietários inteligentes optam por plantar eucalipto - porque lhes dá um trabalho menor a manter as suas terras.
Se [se] quiser substituir os pinheiros bravos e eucaliptos por carvalhos, terá que [se] subsidiar os proprietários para que eles os plantem e tratem deles durante a juventude - mondando as ervas e árvores nascidiças à sua volta. E terá que arranjar mão-de-obra para fazer isso - coisa que hoje em dia é praticamente impossível de arranjar por esse Portugal fora. Sem um mercado de mão-de-obra, de máquinas, e de compradores de madeira abundante, facilmente disponível, e em efetiva concorrência económica, nada feito.»
Luís Lavoura
«À sua lista dos possíveis interessados nos incêndios eu acrescentaria ainda as empresas que detêm os meios aéreos de combate aos incêndios, as que fornecem diverso material necessário ao combate dos mesmos (...).
De qualquer modo, vendo que actualmente arde qualquer coisa, mesmo que não seja uma mata bem provida de árvores, estou em crer que os incêndios acontecem por maldade pura, fruto da ausência de consciência cívica, e, quiçá, por afronta ao poder.
Penso que os meios aéreos de combate aos fogos deveriam pertencer ao Estado. Mas se isso acontecer, quando acontecer, provavelmente, no início, não diminuirão os incêndios...
O Estado também não é exemplo no cuidado que presta às áreas florestais do seu domínio. Dantes organizavam-se as matas de grandes extensões de forma a obviar os danos de possíveis incêndios; agora, as matas públicas estão desorganizadas, mal limpas... e exige-se aos particulares um cuidado que o Estado não tem.»
Agostinho Pereira
A economia florestal em Portugal não é, em geral, rentável. Em boa parte, por falta de mão-de-obra, e pelo baixo preço pago pela madeira. Os proprietários não têm como cuidar da sua floresta. (...) É por isso que proprietários inteligentes optam por plantar eucalipto - porque lhes dá um trabalho menor a manter as suas terras.
Se [se] quiser substituir os pinheiros bravos e eucaliptos por carvalhos, terá que [se] subsidiar os proprietários para que eles os plantem e tratem deles durante a juventude - mondando as ervas e árvores nascidiças à sua volta. E terá que arranjar mão-de-obra para fazer isso - coisa que hoje em dia é praticamente impossível de arranjar por esse Portugal fora. Sem um mercado de mão-de-obra, de máquinas, e de compradores de madeira abundante, facilmente disponível, e em efetiva concorrência económica, nada feito.»
Luís Lavoura
«À sua lista dos possíveis interessados nos incêndios eu acrescentaria ainda as empresas que detêm os meios aéreos de combate aos incêndios, as que fornecem diverso material necessário ao combate dos mesmos (...).
De qualquer modo, vendo que actualmente arde qualquer coisa, mesmo que não seja uma mata bem provida de árvores, estou em crer que os incêndios acontecem por maldade pura, fruto da ausência de consciência cívica, e, quiçá, por afronta ao poder.
Penso que os meios aéreos de combate aos fogos deveriam pertencer ao Estado. Mas se isso acontecer, quando acontecer, provavelmente, no início, não diminuirão os incêndios...
O Estado também não é exemplo no cuidado que presta às áreas florestais do seu domínio. Dantes organizavam-se as matas de grandes extensões de forma a obviar os danos de possíveis incêndios; agora, as matas públicas estão desorganizadas, mal limpas... e exige-se aos particulares um cuidado que o Estado não tem.»
Agostinho Pereira
segunda-feira, 8 de agosto de 2005
E se fosse nos Restauradores?
Publicado por
Anónimo
Obviamente que um aeroporto, como qualquer outra infra-estrutura, deve ficar tão perto quanto possível do lugar de destino ou origem da maioria dos que o utilizam. Em Portugal, esse lugar é Lisboa. Sem discussão.
Daí que a única questão que se torna relevante discutir é se é preciso ou não um novo aeroporto. Posto isso, se os estudos técnicos, com os riscos inerentes, concluírem que sim, ninguém imagina que um novo aeroporto possa ficar no Terreiro do Paço ou nos Restauradores como a pista em direcção ao Marquês! E pouca gente achará, quando aterra numa qualquer capital do mundo, seja Hong-Kong, Paris ou Kuala-Lumpur, que passar meia hora num comboio rápido para chegar ao centro seja qualquer coisa de impensável. Ou será que sim?
Daí que a única questão que se torna relevante discutir é se é preciso ou não um novo aeroporto. Posto isso, se os estudos técnicos, com os riscos inerentes, concluírem que sim, ninguém imagina que um novo aeroporto possa ficar no Terreiro do Paço ou nos Restauradores como a pista em direcção ao Marquês! E pouca gente achará, quando aterra numa qualquer capital do mundo, seja Hong-Kong, Paris ou Kuala-Lumpur, que passar meia hora num comboio rápido para chegar ao centro seja qualquer coisa de impensável. Ou será que sim?
A preto e branco
Publicado por
Anónimo
A discussão a propósito do novo aeroporto (fique na Ota ou em qualquer outro lugar) fez-me lembrar a que ocorreu em alguns círculos conservadores há umas décadas, quando se anunciou a televisão a cores. De muito boa gente ouvi perguntar para quê. Não precisávamos. Estávamos tão bem a preto e branco!
Binóculo de um óculo só !
Publicado por
Anónimo
«(...) Era um homem com um binóculo de um óculo só»! Eis uma das inacreditáveis frases de colecção escritas em livro publicado pelo actual vereador da cultura da Câmara municipal de Coimbra.
Mais inacreditável é ainda que ele apareça de novo na coligação liderada pelo PSD, representando o PPM. Uma segunda vez é demais!
Mais inacreditável é ainda que ele apareça de novo na coligação liderada pelo PSD, representando o PPM. Uma segunda vez é demais!
Robin Cook: I do miss him
Publicado por
AG
No início dos anos 90, quando trabalhei na Embaixada em Londres, ele era o «gnomo» para a imprensa britânica. À conta da sua parecença física com aqueles bonecos «kitsch» que polvilham os jardins das casas da classe média na Grã-Bretanha. Mas também porque se destacava, como um dos principais porta-vozes do Partido Trabalhista, na marcação ao desastroso governo de John Major, explorando em particular as revelações do «Scott Inquiry» sobre a indecência, o comportamento doloso dos governos conservadores da Sra. Thacher, que durante os anos 80 foram vendendo secretamente armas ao Iraque. Do ditador Saddam Hussein, claro.
Quando se tornou Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Tony Blair em Maio de 1997, Robin Cook afirmou uma política externa baseada em considerações éticas, em especial na necessidade de coerência na defesa dos direitos humanos. Era preciso coragem e determinação - não bastava a convicção, porque ia ser preciso afrontar persistentemente poderosos interesses comerciais e outros: os detrás das vendas de armas a Saddam ou a Suharto (720 milhões de dolares em contratos de venda de armas à Indonésia só no último ano do governo Tory, baixaram para um milhão em 1998). E em Setembro de 1999 Robin Cook declarou a suspensão das vendas de Hawks e outro material bélico a Jacarta para, assumidamente, fazer ver ao governo e ao Exército indonésios que a violência em Timor-Leste suscitava internacionalmente «horror and disgust».
Antes disso Robin Cook já fizera uma grande diferença em relação a Timor-Leste: a presidência britânica da UE liderara uma missão da Troika a Timor-Leste, em Junho de 1998 (Suharto acabara de cair), que produziu um marcante relatório onde, pela primeira vez, não se escamoteavam os sentimentos dos timorenses contra a ocupação indonésia. E durante o ano de 1999, em Jacarta, nunca eu poderia ter contado com o valioso apoio do meu velho amigo Robin Christopher, embaixador britânico ali, se ele não se sentisse inteiramente respaldado pela direcção política do Foreign Office. E a rapidez com que veio a luz verde para Xanana Gusmão, libertado da prisão, ficar alojado na Embaixada britânica até poder sair da Indonésia, em 6 de Setembro de 1999, escassas horas depois de eu e a Paula Pinto termos ido pedi-lo ao Robin Cristopher, atesta como Robin, o Ministro, entendia bem e depressa o que estava em causa.
Vim a lidar pessoalmente com ele só mais tarde, com o Iraque em pano de fundo. No âmbito do PSE, Partido Socialista Europeu, onde ele exercia a Presidência e onde eu passei a representar o PS desde que assumi funções de Secretária Internacional em 10 de Fevereiro de 2003. Admirei-lhe primeiro a autoridade cosmopolita, a perícia a dirigir reuniões e a habilidade negocial. Apesar dos resultados serem nulos - em Março era impossível chegar um acordo entre os partidos socialistas europeus, tão grande era a fractura criada pela iminente invasão do Iraque. A mais encarniçada oposição ao consenso que Robin tentava vinha do seu compatriota que ali representava o Labour e o governo britânico - Dennis Mc Shane (entretanto Secretário de Estado para a Europa no Foreign Office), com um comportamento confrontacional arrogante, em tudo oposto ao de Robin.
Dias depois Robin demitia-se de líder do Labour nos Comuns, em protesto contra a posição governamental de invadir o Iraque, a reboque da Administração Bush e sob falso pretextos. Com a intervenção fundamentada conhecida e a persistente intervenção posterior denunciando as desastrosas consequências a invasão. Que ele tinha razão, é hoje indesmentível.
Dos contactos que regularmente tivemos no ano seguinte, enquanto ainda liderou o PSE (ele decidiu não se recandidatar nas eleições de Abril de 2004), confirmei todas as primeiras impressões, mais a extrema afabilidade pessoal. Quis trazê-lo à Convenção Europeia do PS em 28 de Fevereiro de 2004 - a agenda não lho permitiu.
Robin Cook fez diferença neste mundo. Ele teve a lucidez de articular e procurar pôr em prática uma política externa com coerência e fundamentação ética. Nem sempre conseguiu resultados. Mas tentou. E sempre que não concordou, no mais essencial, não transigiu. No mundo em geral e nos partidos socialistas, de ontem como de hoje, integridade pessoal e política fazem diferença.
Quando se tornou Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Tony Blair em Maio de 1997, Robin Cook afirmou uma política externa baseada em considerações éticas, em especial na necessidade de coerência na defesa dos direitos humanos. Era preciso coragem e determinação - não bastava a convicção, porque ia ser preciso afrontar persistentemente poderosos interesses comerciais e outros: os detrás das vendas de armas a Saddam ou a Suharto (720 milhões de dolares em contratos de venda de armas à Indonésia só no último ano do governo Tory, baixaram para um milhão em 1998). E em Setembro de 1999 Robin Cook declarou a suspensão das vendas de Hawks e outro material bélico a Jacarta para, assumidamente, fazer ver ao governo e ao Exército indonésios que a violência em Timor-Leste suscitava internacionalmente «horror and disgust».
Antes disso Robin Cook já fizera uma grande diferença em relação a Timor-Leste: a presidência britânica da UE liderara uma missão da Troika a Timor-Leste, em Junho de 1998 (Suharto acabara de cair), que produziu um marcante relatório onde, pela primeira vez, não se escamoteavam os sentimentos dos timorenses contra a ocupação indonésia. E durante o ano de 1999, em Jacarta, nunca eu poderia ter contado com o valioso apoio do meu velho amigo Robin Christopher, embaixador britânico ali, se ele não se sentisse inteiramente respaldado pela direcção política do Foreign Office. E a rapidez com que veio a luz verde para Xanana Gusmão, libertado da prisão, ficar alojado na Embaixada britânica até poder sair da Indonésia, em 6 de Setembro de 1999, escassas horas depois de eu e a Paula Pinto termos ido pedi-lo ao Robin Cristopher, atesta como Robin, o Ministro, entendia bem e depressa o que estava em causa.
Vim a lidar pessoalmente com ele só mais tarde, com o Iraque em pano de fundo. No âmbito do PSE, Partido Socialista Europeu, onde ele exercia a Presidência e onde eu passei a representar o PS desde que assumi funções de Secretária Internacional em 10 de Fevereiro de 2003. Admirei-lhe primeiro a autoridade cosmopolita, a perícia a dirigir reuniões e a habilidade negocial. Apesar dos resultados serem nulos - em Março era impossível chegar um acordo entre os partidos socialistas europeus, tão grande era a fractura criada pela iminente invasão do Iraque. A mais encarniçada oposição ao consenso que Robin tentava vinha do seu compatriota que ali representava o Labour e o governo britânico - Dennis Mc Shane (entretanto Secretário de Estado para a Europa no Foreign Office), com um comportamento confrontacional arrogante, em tudo oposto ao de Robin.
Dias depois Robin demitia-se de líder do Labour nos Comuns, em protesto contra a posição governamental de invadir o Iraque, a reboque da Administração Bush e sob falso pretextos. Com a intervenção fundamentada conhecida e a persistente intervenção posterior denunciando as desastrosas consequências a invasão. Que ele tinha razão, é hoje indesmentível.
Dos contactos que regularmente tivemos no ano seguinte, enquanto ainda liderou o PSE (ele decidiu não se recandidatar nas eleições de Abril de 2004), confirmei todas as primeiras impressões, mais a extrema afabilidade pessoal. Quis trazê-lo à Convenção Europeia do PS em 28 de Fevereiro de 2004 - a agenda não lho permitiu.
Robin Cook fez diferença neste mundo. Ele teve a lucidez de articular e procurar pôr em prática uma política externa com coerência e fundamentação ética. Nem sempre conseguiu resultados. Mas tentou. E sempre que não concordou, no mais essencial, não transigiu. No mundo em geral e nos partidos socialistas, de ontem como de hoje, integridade pessoal e política fazem diferença.
Ao contrário
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Vital Moreira
«Segundo dados divulgados recentemente pela petrolífera BP, relativos ao ano de 2004 , o país ocupa o terceiro pior lugar no ranking da UE em termos de eficiência energética. Portugal utiliza cerca de 0,88 barris de crude para produzir mil euros de riqueza, enquanto a vizinha Espanha precisa de pouco mais de 0,75 barris. E a Alemanha e a França só necessitam de 0,44 barris.» (Diário de Notícias).
Sucede que um dos sectores onde existe maior desperdício é o dos transportes. Ora, em vez de penalizar esse sector pela ineficência energética, o Governo resolveu apoiá-lo com medidas de desagravamento fiscal dos combustíveis!
Sucede que um dos sectores onde existe maior desperdício é o dos transportes. Ora, em vez de penalizar esse sector pela ineficência energética, o Governo resolveu apoiá-lo com medidas de desagravamento fiscal dos combustíveis!
Subscrevo
Publicado por
Vital Moreira
«[Alberto Costa] é o primeiro ministro em 30 anos de democracia que não hesita perante o poder letal das corporações da justiça. Mesmo que perca, o País ficará a dever-lhe actos de coragem e de distinto serviço público.»
Luís Miguel Viana (Diário de Notícias, 07-08-05)
Luís Miguel Viana (Diário de Notícias, 07-08-05)
domingo, 7 de agosto de 2005
sábado, 6 de agosto de 2005
Lisboetês (4)
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Vital Moreira
Locutora da RTP 1 relatando ontem os incêndios no distrito de Aveiro: ela pronuncia "Avâiro", tal como pronunciará "fâira" (em vez de feira), "Avâiras" (em vez de Aveiras), "desfâita" (em vez de desfeita), etc. Outro desvio da norma fonética típico do "lisboetês" dominante nos media nacionais.
Hiroshima
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Vital Moreira
Mesmo em tempo de guerra, os massacres maciços de populações civis não são formas de terrorismo?
Correio dos leitores: CGD
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Vital Moreira
«(...) Na questão da CGD devo acreditar que o actual Ministro das Finanças tinha as suas razões e que elas seriam fortes para tomar a decisão que tomou. Parece-me que a questão das indemnizações será (ou já foi) modificada por este Governo, pois, como diz, se razões políticas podem entrar em linha de conta, então as indemnizações não fazem sentido. Penso também que esses cargos não são necessariamente políticos, mas razões de confiança política podem levar à sua exoneração. Na RTP não houve exoneração porque a administração é credível e tem uma política definida para a estação. Mas não está a salvo de exoneração por razões de ordem política. Penso que será uma especificidade legítima do exercício de admnistração de uma empresa pública. Quanto ao caso Celeste Cardona, também manifesto a mesma perplexidade (...).»
J.F.
J.F.
Equívoco democrático
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Vital Moreira
O presidente da câmara municipal do Porto e candidato à reeleição, Rui Rio, propôs um compromisso político, de acordo com o qual quem ganhasse as eleições municipais teria direito a implementar a sua solução para a questão do túnel de Ceuta, parado desde há meses por causa do embargo do IPPAR. É uma solução inaceitável. Por um lado, numa democracia representativa, as eleições não podem ser transformadas em plebiscito temático; segundo, não pode haver referendos locais sobre matérias que não são da competência municipal, mas sim do Estado, como é o caso. Para perversão das regras democráticas, já bastam as que existem.
Cegueira
Publicado por
Vital Moreira
Continuamos a não querer ver que sem alterar o perfil da floresta nacional -- baseada no pinheiro bravo e no eucalipto -- o Páis continuará a ser um braseiro todos os anos pelo Verão. Até quando é que os interesses dos produtores florestais, dos madeireiros e da celulose prevalecerão sobre os interesses gerais do País? Entretanto, o nosso "petróleo verde" -- como alguém designou, com rara propriedade e humor negro, a nossa floresta industrial -- continuará a cumprir a sua missão, que é ... servir de combustível!
sexta-feira, 5 de agosto de 2005
Correio dos leitores: Ota
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Vital Moreira
«É difícil assistir de longe a esta discussão miserável, em que o PS (no qual votei) troca os pés todos os dias com uma falta de argumentos que provoca dó. Quem lê as entrevistas vácuas dos ministros e as esquivas declarações do blog "Causa Nossa" (...), só pode acrescentar que depois do CCB, da Expo, do Alqueva e do Euro, esse "desígnio nacional", os eleitores portugueses já mereciam que quem os governa tivesse um pingo de vergonha. Mas bem podemos ficar à espera.»
Luís Jorge
Comentário
O Causa Nossa não é porta-voz do PS e no que me diz respeito não existe nenhuma "declaração esquiva": desde há muito considero necessária a construção de um novo aeroporto (que, aliás, já esteve na agenda de um governo PSD-CDS...). De resto, se o leitor votou no PS, como afirma, deveria ter-se dado conta de que a construção do novo aeroporto constava do seu programa eleitoral...
(corrigido)
Luís Jorge
Comentário
O Causa Nossa não é porta-voz do PS e no que me diz respeito não existe nenhuma "declaração esquiva": desde há muito considero necessária a construção de um novo aeroporto (que, aliás, já esteve na agenda de um governo PSD-CDS...). De resto, se o leitor votou no PS, como afirma, deveria ter-se dado conta de que a construção do novo aeroporto constava do seu programa eleitoral...
(corrigido)
Correio dos leitores: Diferenciação fiscal dos camionistas
Publicado por
Vital Moreira
«Em relação ao comentário-resposta ao Luís Lavoura sobre a diferenciação fiscal para os camionistas, embora concordando com a sua afirmação sobre a origem/pressuposto da taxa mais moderada de ISP sobre o gasóleo, a situação actual é exactamente a que o Luís descreve: a taxação reduzida de ISP era justificada sempre como um incentivo à actividade económica. Como esse incentivo não bastava e o gasóleo não era suficientemente barato para acomodar os gastos da nossa agricultura, decidiu-se aplicar uma taxa especial ao gasóleo para utilização agrícola. A fraude e o abuso nos primeiros meses dessa utilização foi tal, que a administração viu-se compelida a "marcar" o gasóleo. Mesmo assim, é extremamente duvidoso que não haja (alguma) evasão fiscal por essa via. O incentivo de que o Luís fala é ainda mais pernicioso: ao contrário do que afirma, a taxa reduzida do gasóleo, associada a uma taxação mais baixa em IA para os automóveis de uso agrícola, no qual se integravam até há bem pouco tempo quase todos os automóveis "jeep" SUV, estilo Pajero ou Suzuki Vitara (utensílios de lavoura tão deslocados como uma carroça de bois como transporte público), levou à proliferação desse tipo de automóveis, com consumos de combustível absolutamente excessivos. Em paralelo, o gasóleo mais barato levou a que, mesmo para os outros automóveis menos passíveis de serem classificados como instrumentos de lavoura, como sejam os Mercedes ou BMW, os modelos Diesel sejam historicamente muito mais vendidos em Portugal do que o justifica. Por último, os recentes dados sobre a poluição em Lisboa (suspeita-se que outras cidades do país tenham situações idênticas) justificariam outros cuidados com a subsidiação da frota a diesel. Por todas estas razões, adicionar mais esta isenção/redução/benefício aos camionistas é, na minha modesta opinião, estúpido e irresponsável.(...)»
Pedro Martins Barata
Pedro Martins Barata
quinta-feira, 4 de agosto de 2005
A questão presidencial
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Vital Moreira
Já pode ser visto na Aba da Causa o meu artigo desta semana no Público sobre a questão presidencial (com correcção das gralhas da versão impressa). A questão é: a candidatura de Cavaco Silva traz consigo um projecto de presidencialização do regime?
Um passo em falso
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Vital Moreira
Sobre a remodelação da administração da CGD tenho a dizer o seguinte:
1. Defendo desde há muito que as empresas públicas devem ser administradas por gestores profissionais, sujeitos, de acordo com a lei das empresas públicas, a orientações governamentais.
2. Por isso, entendo que as empresas públicas devem ficar fora do regime de "spoil system", não contando para os "despojos" do partido de governo.
3. As "convenções" políticas que devem ser observadas; ora, desde há muito que se considera que o Banco de Portugal e a CGD devem ficar fora do regime de confiança política de cada governo.
4. Se a justificação para a substituição da administração da CGD tem a ver com a confiança política, então o que é que justifica a permanência de Celeste Cardona, cuja nomeação o PS tanto críticou?
5. É de aplaudir a diminiuição do número de administradores (de 11 para 9). Mas não serão ainda demais?
6. Se se trata de lugares de confiança política, o que é que justifica as indemnizações pela exoneração?
1. Defendo desde há muito que as empresas públicas devem ser administradas por gestores profissionais, sujeitos, de acordo com a lei das empresas públicas, a orientações governamentais.
2. Por isso, entendo que as empresas públicas devem ficar fora do regime de "spoil system", não contando para os "despojos" do partido de governo.
3. As "convenções" políticas que devem ser observadas; ora, desde há muito que se considera que o Banco de Portugal e a CGD devem ficar fora do regime de confiança política de cada governo.
4. Se a justificação para a substituição da administração da CGD tem a ver com a confiança política, então o que é que justifica a permanência de Celeste Cardona, cuja nomeação o PS tanto críticou?
5. É de aplaudir a diminiuição do número de administradores (de 11 para 9). Mas não serão ainda demais?
6. Se se trata de lugares de confiança política, o que é que justifica as indemnizações pela exoneração?
Correio dos leitores: Escolas privadas
Publicado por
Vital Moreira
«Parece-me que Você centra demasiado as escolas privadas em escolas católicas. Ora, isso não é assim. Só aqui nas redondezas do Instituto Superior Técnico conheço três escolas privadas que fornecem educação pré-primária e primária. Todas elas são pertença de indivíduos singulares, e não são confessionais.
Ou seja, há no nosso país, aparentemente, muito ensino privado que nada tem a ver com o catolicismo. E esse ensino tem bastante sucesso - todas as escolas que referi têm uma ampla lista de espera à entrada.»
Luís Lavoura
Ou seja, há no nosso país, aparentemente, muito ensino privado que nada tem a ver com o catolicismo. E esse ensino tem bastante sucesso - todas as escolas que referi têm uma ampla lista de espera à entrada.»
Luís Lavoura
Correio dos leitores: Energia nuclear
Publicado por
Vital Moreira
«(...)A energia nuclear causa um problema insolúvel, os resíduos. Ninguém sabe o que lhes fazer. O seu tempo de vida, i.e. o perigo que são para todos os seres vivos, alonga-se por milhares de anos... Vamos criar um problema às geracões futuras para o qual não temos solucão á vista? E o princípio da precaucão?
E se os terroristas atacam uma central nuclear? O combustível para as centrais nucleares está a acabar, o urânio é finito. A energia nuclear é a mais cara, se considerarmos as externalidades. Os países europeus mais avançados - Alemanha, Bélgica, Suécia estão a abandonar o nuclear.
Portugal tem as condicões óptimas para aproveitar a energia solar. Em Espanha constroem-se centrais solares, na Alemanha e na Áustria cobrem-se centenas de milhares de telhados com painéis fotovoltaicos.
Em Portugal desperdiça-se imensa energia. Cerca de 1/3 é puro desperdício. Quantos ares condicionados não funcionam com a porta aberta? - não funcionam, desperdiçam - é para isto que queremos uma central nuclear, para alimentar o desperdício?
Em termos de desperdício ninguém bate a EDP.
O futuro pertence ao sol. A descentralização do fornecimento da energia, a autonomia que permite - política também - e o seu carácter infinito tornam-na ideal.»
Joao Miguel Vaz, Eng. Mecânico
E se os terroristas atacam uma central nuclear? O combustível para as centrais nucleares está a acabar, o urânio é finito. A energia nuclear é a mais cara, se considerarmos as externalidades. Os países europeus mais avançados - Alemanha, Bélgica, Suécia estão a abandonar o nuclear.
Portugal tem as condicões óptimas para aproveitar a energia solar. Em Espanha constroem-se centrais solares, na Alemanha e na Áustria cobrem-se centenas de milhares de telhados com painéis fotovoltaicos.
Em Portugal desperdiça-se imensa energia. Cerca de 1/3 é puro desperdício. Quantos ares condicionados não funcionam com a porta aberta? - não funcionam, desperdiçam - é para isto que queremos uma central nuclear, para alimentar o desperdício?
Em termos de desperdício ninguém bate a EDP.
O futuro pertence ao sol. A descentralização do fornecimento da energia, a autonomia que permite - política também - e o seu carácter infinito tornam-na ideal.»
Joao Miguel Vaz, Eng. Mecânico
quarta-feira, 3 de agosto de 2005
O jornal fantasma
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LFB
Tenho duas más notícias: a primeira é que A Capital teve a sua última edição no sábado passado; a segunda é que, precisamente em consequência disso, estou de volta à Causa.
Abaixo deste, estão publicados os meus dois últimos textos para o diário lisboeta. Inéditos. Escrevi-os de avanço, na esperança de que a péssima notícia, afinal, não se concretizasse. Um seria o meu texto de humor na segunda-feira, o outro a página de domingo. Deixo-os aqui.
Finalmente, escrevo este post da minha secretária no jornal. À minha volta, ninguém. As televisões desligadas, as mesas abandonadas e com os jornais de há vários dias atrás. Notam-se agora, muito melhor, as imperfeições todas: a humidade nas paredes, o vidro partido, as ventoinhas avariadas. Algumas secretárias foram esvaziadas das toneladas de papel, livros e lembretes pessoais dos seus ocupantes. Lá em baixo, na redacção, duas ou três pessoas limpam os discos dos seus computadores, disquete atrás de disquete.
Somos quase ninguém e os poucos que somos não têm vontade de conversar. De que se fala quando já não há um prazo diário a cumprir? De que se conversa num jornal quando já só existe o edifício?
ps: peço desculpa pela má edição dos textos abaixo mas o blogger diz-me que eles estão perfeitos na caixa de "Edit". Não sei que se passa - mas não é a primeira vez nem será a última.
ps2: o "Sit-Dowm Comedy", crónica de humor sobre a actualidade, que assinei diariamente durante mais de um ano n'A Capital, continuará no CN após uns dias de descanso.
Abaixo deste, estão publicados os meus dois últimos textos para o diário lisboeta. Inéditos. Escrevi-os de avanço, na esperança de que a péssima notícia, afinal, não se concretizasse. Um seria o meu texto de humor na segunda-feira, o outro a página de domingo. Deixo-os aqui.
Finalmente, escrevo este post da minha secretária no jornal. À minha volta, ninguém. As televisões desligadas, as mesas abandonadas e com os jornais de há vários dias atrás. Notam-se agora, muito melhor, as imperfeições todas: a humidade nas paredes, o vidro partido, as ventoinhas avariadas. Algumas secretárias foram esvaziadas das toneladas de papel, livros e lembretes pessoais dos seus ocupantes. Lá em baixo, na redacção, duas ou três pessoas limpam os discos dos seus computadores, disquete atrás de disquete.
Somos quase ninguém e os poucos que somos não têm vontade de conversar. De que se fala quando já não há um prazo diário a cumprir? De que se conversa num jornal quando já só existe o edifício?
ps: peço desculpa pela má edição dos textos abaixo mas o blogger diz-me que eles estão perfeitos na caixa de "Edit". Não sei que se passa - mas não é a primeira vez nem será a última.
ps2: o "Sit-Dowm Comedy", crónica de humor sobre a actualidade, que assinei diariamente durante mais de um ano n'A Capital, continuará no CN após uns dias de descanso.
10 mandamentos para as vésperas dos aniversários
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LFB
1) acabarás de ler o Oscar Wilde todo. Aprenderás que todos viemos da sarjeta mas que alguns de nós olham para as estrelas. À noite, nas últimas horas do último dia antes do teu novo ano, procurarás estrelas cadentes no céu. Com os aforismos do senhor Wilde na cabeça, formularás desejos ? desejarás o básico, no género Miss Universo: a felicidade, a paz no mundo, o fim da fome em África. Depois, se houver estrelas suficientes a cair, pedirás o que realmente desejas, como bom humano egoísta que és: um aumento no trabalho, o reconhecimento público, as boas graças da secretária da tua empresa;
2) farás uma maratona cinematográfica por muitos dos clássicos do cinema que ainda não viste: Touro Enraivecido, do Scorcese, A Sombra do Caçador, do Charles Laughton, O Caçador, do Michael Cimino, Os Inadaptados, do John Huston, Nascido para Matar, do Kubrick. Terminada a prova, serás um homem mais culto e mais bem preparado para as vicissitudes da vida. Ok, pronto, serás um homem mais culto;
3) viajarás durante horas pela tua terra natal. Ao volante do carro, sozinho e com os teus cd?s preferidos no rádio. Não atenderás o telefone, não levarás ninguém nem oferecerás boleia. Se a tua terra for pequenina demais para uma viagem de horas, procurarás caminhos alternativos, de terra, estradas privadas, farás viagens circulares. Só estás autorizado a parar o carro em duas situações: nos sítios onde foste feliz ou nos locais que - incrivelmente - ainda não conhecias;
4) escreverás cartas. Sim, mesmo que odeies escrever cartas. Não são e-mails nem tampouco sms. Cartas mesmo ? o que implica uma ida matinal à papelaria para comprar papel de carta como deve ser. Voltarás então para casa ou passarás pela tua esplanada preferida e escreverás cartas, mesmo que não sejas obrigado a enviá-las. Já. Escolhe bem os destinatários. Aconselho pais, melhores amigos, amigos distantes, o amor da tua vida. Escreverás aquilo que nunca tiveste coragem de dizer. Relerás as cartas na véspera do teu próximo aniversário e farás emendas. E lembrar-te-ás que deves absolutamente enviá-las aos respectivos destinatários, enquanto é tempo;
5) Não comprarás nada para ti. Esperarás pelas surpresas dos teus amigos ? mesmo que não seja surpresa nenhuma e tu já saibas exactamente o que te vão oferecer. Visitarás os parentes chatos que suportas com dificuldade e que (felizmente) não podem ir à tua festa de anos. Receberás, com o mais notável dos sorrisos amarelos, os seus presentes horrorosos: as camisas de envergonhar um cantor pimba; as indispensáveis peúgas; os cheques mixurucas; e os conselhos patéticos. No fim de tudo isto, respirarás fundo;
6) Escreverás num bloco os teus projectos para o novo ano da tua vida: as viagens que planeias fazer; os trabalhos nos quais pretendes participar; os objectivos profissionais; um ou dois sonhos pessoais para realizar absolutamente antes de morrer; as pessoas distantes que tens mesmo de visitar; as pazes que deves fazer; as guerras que deves preparar; as idas ao ginásio; as compras para a casa; os discos que te faltam. Deves encher um bom número ímpar de páginas e sublinhar os itens mais importantes. Finalmente, deves dar-te por satisfeito se realizares 20% deles;
7) Manterás, na véspera do teu aniversário, uma conversa com Deus. Perguntarás o que é feito, por onde tem andado, contarás as novidades, dirás de tua justiça: em que pé está a tua fé, o que mudou neste último ano, o que deves agradecer e do que te arrependes. Se falar com Deus te fizer impressão, conduz então uma entrevista a ti próprio. Escolhe um local resguardado, onde não te possam ver e tomar por louco, e segue os parâmetros da conversa divina acima descrita. No fundo, faz um exame de penitência a ti próprio: onde falhaste, o que conquistaste, o que te falta (e por que te falta) para seres a pessoa que desejaste ser;
8) Terás pelo menos uma refeição na companhia dos teus pais. Deves-lhes tudo e sabes bem que nem tu nem eles estão a ficar mais novos. Tentarás não te irritar com as coisas que te irritavam na adolescência e que deixaram marcas tal como eles procurarão, de certeza, não se chatear demasiado com as tuas imperfeições. No final, pedirás a receita à tua mãe e um conselho ao teu pai. Partilharás a receita e cozinharás demais o conselho. É a vida;
9) Cantarás as canções da tua vida, um pouco por todo o lado, na véspera do teu aniversário. Mesmo que não te lembres bem da letra ? inventas. Cantarás sozinho e para as pessoas, no trânsito, na rua, em casa. Cantarás baixinho e muito alto, canções tristes ou alegres, consoante o estado de espírito. Escreverás um poema expressamente destinado a seduzir as mulheres da tua vida que ainda não se atravessaram no teu caminho. Não lhe colocarás data, naturalmente, embora seja véspera do teu aniversário e te sintas moralmente condenável pelo fim a que se destinam aqueles versos;
10) Passarás a noite acordado. Sentirás a intuição do tempo de que falavam os beatniks. Julgarás estar envelhecido e que não há mais tempo a perder. Não quererás desperdiçar um minuto sequer. Dançarás a noite toda, conhecerás pessoas novas, abraçarás as pessoas velhas, cometerás loucuras, violarás sinais de trânsito, beberás mais do que a tua conta, beijarás uma nova paixão que morrerá com o nascer do sol. Passarás o dia do teu aniversário com a maior ressaca da tua vida e jurarás para nunca mais. Guardarás estes mandamentos até para o ano.
2) farás uma maratona cinematográfica por muitos dos clássicos do cinema que ainda não viste: Touro Enraivecido, do Scorcese, A Sombra do Caçador, do Charles Laughton, O Caçador, do Michael Cimino, Os Inadaptados, do John Huston, Nascido para Matar, do Kubrick. Terminada a prova, serás um homem mais culto e mais bem preparado para as vicissitudes da vida. Ok, pronto, serás um homem mais culto;
3) viajarás durante horas pela tua terra natal. Ao volante do carro, sozinho e com os teus cd?s preferidos no rádio. Não atenderás o telefone, não levarás ninguém nem oferecerás boleia. Se a tua terra for pequenina demais para uma viagem de horas, procurarás caminhos alternativos, de terra, estradas privadas, farás viagens circulares. Só estás autorizado a parar o carro em duas situações: nos sítios onde foste feliz ou nos locais que - incrivelmente - ainda não conhecias;
4) escreverás cartas. Sim, mesmo que odeies escrever cartas. Não são e-mails nem tampouco sms. Cartas mesmo ? o que implica uma ida matinal à papelaria para comprar papel de carta como deve ser. Voltarás então para casa ou passarás pela tua esplanada preferida e escreverás cartas, mesmo que não sejas obrigado a enviá-las. Já. Escolhe bem os destinatários. Aconselho pais, melhores amigos, amigos distantes, o amor da tua vida. Escreverás aquilo que nunca tiveste coragem de dizer. Relerás as cartas na véspera do teu próximo aniversário e farás emendas. E lembrar-te-ás que deves absolutamente enviá-las aos respectivos destinatários, enquanto é tempo;
5) Não comprarás nada para ti. Esperarás pelas surpresas dos teus amigos ? mesmo que não seja surpresa nenhuma e tu já saibas exactamente o que te vão oferecer. Visitarás os parentes chatos que suportas com dificuldade e que (felizmente) não podem ir à tua festa de anos. Receberás, com o mais notável dos sorrisos amarelos, os seus presentes horrorosos: as camisas de envergonhar um cantor pimba; as indispensáveis peúgas; os cheques mixurucas; e os conselhos patéticos. No fim de tudo isto, respirarás fundo;
6) Escreverás num bloco os teus projectos para o novo ano da tua vida: as viagens que planeias fazer; os trabalhos nos quais pretendes participar; os objectivos profissionais; um ou dois sonhos pessoais para realizar absolutamente antes de morrer; as pessoas distantes que tens mesmo de visitar; as pazes que deves fazer; as guerras que deves preparar; as idas ao ginásio; as compras para a casa; os discos que te faltam. Deves encher um bom número ímpar de páginas e sublinhar os itens mais importantes. Finalmente, deves dar-te por satisfeito se realizares 20% deles;
7) Manterás, na véspera do teu aniversário, uma conversa com Deus. Perguntarás o que é feito, por onde tem andado, contarás as novidades, dirás de tua justiça: em que pé está a tua fé, o que mudou neste último ano, o que deves agradecer e do que te arrependes. Se falar com Deus te fizer impressão, conduz então uma entrevista a ti próprio. Escolhe um local resguardado, onde não te possam ver e tomar por louco, e segue os parâmetros da conversa divina acima descrita. No fundo, faz um exame de penitência a ti próprio: onde falhaste, o que conquistaste, o que te falta (e por que te falta) para seres a pessoa que desejaste ser;
8) Terás pelo menos uma refeição na companhia dos teus pais. Deves-lhes tudo e sabes bem que nem tu nem eles estão a ficar mais novos. Tentarás não te irritar com as coisas que te irritavam na adolescência e que deixaram marcas tal como eles procurarão, de certeza, não se chatear demasiado com as tuas imperfeições. No final, pedirás a receita à tua mãe e um conselho ao teu pai. Partilharás a receita e cozinharás demais o conselho. É a vida;
9) Cantarás as canções da tua vida, um pouco por todo o lado, na véspera do teu aniversário. Mesmo que não te lembres bem da letra ? inventas. Cantarás sozinho e para as pessoas, no trânsito, na rua, em casa. Cantarás baixinho e muito alto, canções tristes ou alegres, consoante o estado de espírito. Escreverás um poema expressamente destinado a seduzir as mulheres da tua vida que ainda não se atravessaram no teu caminho. Não lhe colocarás data, naturalmente, embora seja véspera do teu aniversário e te sintas moralmente condenável pelo fim a que se destinam aqueles versos;
10) Passarás a noite acordado. Sentirás a intuição do tempo de que falavam os beatniks. Julgarás estar envelhecido e que não há mais tempo a perder. Não quererás desperdiçar um minuto sequer. Dançarás a noite toda, conhecerás pessoas novas, abraçarás as pessoas velhas, cometerás loucuras, violarás sinais de trânsito, beberás mais do que a tua conta, beijarás uma nova paixão que morrerá com o nascer do sol. Passarás o dia do teu aniversário com a maior ressaca da tua vida e jurarás para nunca mais. Guardarás estes mandamentos até para o ano.
Sit-Down Comedy 363 - Avulsas
Publicado por
LFB
1 ? Carrilho quis fazer campanha a bordo de um camião do lixo mas um responsável da Câmara não o autorizou. Parece que Carrilho estava tão perfumado que o lixo não aguentava. Além disso, o responsável em questão é assessor de Santana ? logo, de lixos percebe ele. 2 ? Foi oficializado o Clube do Stress, que conta entre os seus membros com o Presidente da República, Lazlo Boloni, Sócrates, Carmona ou Luís Filipe Vieira. Bem escolhidos, sim senhor. Estamos claramente na presença de experts. Espera-se agora a inauguração do Clube do Relax, com Tomás Taveira, Alexandre Frota, Zezé Camarinha, enfim... 3 ? Co Adriaanse não convocou o eterno capitão portista, Jorge Costa, para um torneio prestigiado na Holanda. Jorge Costa é conhecido como o ?Bicho?; Adriaanse arrisca-se a entrar para a história como o ?Mata-Bicho?. E é bom que o holandês não se esqueça da velha máxima da filosofia brasileira: ?Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come?. 4 ? Pinto da Costa, entretanto, veio dizer que há muito tempo não via tanta disciplina no seio do plantel. Ao mesmo tempo, Jorge Costa fica em terra, jogadores acabados de comprar são dispensados e Léo Lima diz cobras e lagartos do novo técnico. Das duas uma, ou Pinto precisa de ir ao oftalmologista ou estava a referir-se ao plantel do hóquei em patins. 5 ? Paul McCartney anunciou ao mundo que compôs uma canção com a ajuda do falecido amigo George Harrison. Aproveito a boleia para dizer que estou a terminar um romance com a ajuda do meu falecido bisavô Jorge Luís Borges.
Correio dos leitores: Liberalização das farmácias
Publicado por
Vital Moreira
«Tem toda a razão [sobre a liberalização das farmácias]. Sob este ponto de vista, a pretensa liberalização do
mercado de alguns (muito poucos!) medicamentos nada adianta. É pena que Você tenha gastado tanta verve a defender essa "medida" do atual governo, quando ela passa perfeitamente ao lado da verdadeira necessidade de liberalização.
É mudar alguma coisa para que fique tudo na mesma.»
Luís Lavoura
Comentário
Ainda os nossos neófitos neoliberais não tinham nascido e já eu defendia a liberalização do estabelecimento de farmácias. A venda de medicamentos sem receita médica fora das farmácias não é uma alternativa à liberalização.
mercado de alguns (muito poucos!) medicamentos nada adianta. É pena que Você tenha gastado tanta verve a defender essa "medida" do atual governo, quando ela passa perfeitamente ao lado da verdadeira necessidade de liberalização.
É mudar alguma coisa para que fique tudo na mesma.»
Luís Lavoura
Comentário
Ainda os nossos neófitos neoliberais não tinham nascido e já eu defendia a liberalização do estabelecimento de farmácias. A venda de medicamentos sem receita médica fora das farmácias não é uma alternativa à liberalização.
Correio dos leitores: Lisboetês
Publicado por
Vital Moreira
«(...) Vivi 5 anos em Lisboa, durante a universidade. Se, tendo até aí vivido no Porto, posso acusar muito portuense de não passar do discurso de paróquia, fortemente alicerçado no futebol (nós só queremos Lisboa a arder...), posso dizer que fiquei surpreendido pela atitude de desinteresse displicente que associo a muitos (como em tudo, não se pode generalizar) lisboetas: o resto do país nada tem para lhes oferecer, nada lhes interessa, com ele nada têm a aprender, um pouco como a China imperial do século XIV. A metrópole em si se encerra e basta, a modernidade e o chique estão "lá fora", e o Algarve, bom, o Algarve está bem para se passar uns fins-de-semana escarrapachados ao Sol, uma espécie de país do Norte de África aqui ao pé, que sempre sai mais em conta e até já há auto-estrada.
Por isso não surpreende que a televisão, epicentro da difusão de massas, sediada em Lisboa, emitida de Lisboa, e sobretudo para Lisboa (excepto uns incêndios e umas desgraças lá na terra para entreter a malta na silly season), seja o veículo por excelência da pronúncia entre o posh e o kitsch com que seremos, slowly but surely, colonizados.
Imagine o escândalo que seria ter um pivot a abrir o telejornal (da TVI...?) com a autêntica pronúncia Portuense. Já imaginou a onde de indignação?»
(Vasco P.)
Por isso não surpreende que a televisão, epicentro da difusão de massas, sediada em Lisboa, emitida de Lisboa, e sobretudo para Lisboa (excepto uns incêndios e umas desgraças lá na terra para entreter a malta na silly season), seja o veículo por excelência da pronúncia entre o posh e o kitsch com que seremos, slowly but surely, colonizados.
Imagine o escândalo que seria ter um pivot a abrir o telejornal (da TVI...?) com a autêntica pronúncia Portuense. Já imaginou a onde de indignação?»
(Vasco P.)
Correio dos leitores: Fronteira
Publicado por
Vital Moreira

«Envio-lhe duas fotografias que recebi há bem pouco tempo e que ilustram bem a razão pela qual, e não independentemente do lugar onde, da forma e do conteúdo, há decisões de estado que esta geração tem que tomar com coragem e determinação, e falo óbviamente do Novo Aeroporto e do TGV, para que aqueles que nos seguirem não voltarem a tirar fotografias iguais a estas e por maioria de razão a insultarem-nos a memória que então já seremos.»
CB
Candidato anti-regime
Publicado por
Vital Moreira
«Cavaco e Soares são "candidatos do regime -- diz [A. J.] Jardim». Por que é que ele não se candidata? Seria uma excelente ocasião para testar o seu apoio...
Dois pesos, duas medidas
Publicado por
Vital Moreira
É louvável a preocupação com os custos do metro do Porto, financiado essencialmente pelo orçamento do Estado. Mas por que é que não existe idêntico zelo em relação ao metro de Lisboa, cujo défice de exploração e endividamento atingem números preocupantes?
terça-feira, 2 de agosto de 2005
Contar
Publicado por
Vital Moreira
Nas últimas semanas, os meus artigos no Público suscitaram réplicas mais ou menos pertinentes de José Manuel Fernandes (sobre a autodisciplina jornalística), de Miguel Sousa Tavares (sobre os privilégios de Lisboa) e de Mário Pinto (sobre a escola pública). Nada melhor para um colunista do que a controvérsia que as suas opiniões suscitam. É sinal de que elas contam.
Resposta a Mário Pinto
Publicado por
Vital Moreira
O artigo de Mário Pinto, ontem no Público -- o segundo artigo que me dedica a propósito do meu artigo sobre a escola pública há umas semanas (não sei sobre que escreveria Mário Pinto se não fosse para entrar em polémica comigo!...) -- suscita algumas breves notas:
1. Para desqualificar a discussão, ele começa por me acusar de "parti pris" contra a Igreja Católica. Parafraseando-o, debalde o faz (ele escreve "de balde"...). Por mais que a Igreja Católica justifique preconceitos, eu não tenho nenhum. Limito-me a combater as tentativas da Igreja e dos seus representantes, como MP, para parasitar o Estado ou manter ou conquistar privilégios públicos ilegítimos.
2. Eu sei bem que MP é jurista. Mas nestas questões ele é acima de tudo um interessado, que quando muito é advogado em causa própria.
3. Não existe nenhum "monopólio da escola pública", como MP insiste em proclamar, contra toda a evidência. A prova são as muitas escolas católicas, incluindo a Universidade Católica.
4. Em matéria de ensino o Estado não concorre com as entidades privadas. O ensino não é uma actividade comercial sujeita ao mercado. O Estado limita-se a cumprir obrigações constitucionais. Falar em "concorrência desleal" é pelo menos despropositado.
5. A Constituição diz o que diz e não o que MP queria que ela dissesse.
1. Para desqualificar a discussão, ele começa por me acusar de "parti pris" contra a Igreja Católica. Parafraseando-o, debalde o faz (ele escreve "de balde"...). Por mais que a Igreja Católica justifique preconceitos, eu não tenho nenhum. Limito-me a combater as tentativas da Igreja e dos seus representantes, como MP, para parasitar o Estado ou manter ou conquistar privilégios públicos ilegítimos.
2. Eu sei bem que MP é jurista. Mas nestas questões ele é acima de tudo um interessado, que quando muito é advogado em causa própria.
3. Não existe nenhum "monopólio da escola pública", como MP insiste em proclamar, contra toda a evidência. A prova são as muitas escolas católicas, incluindo a Universidade Católica.
4. Em matéria de ensino o Estado não concorre com as entidades privadas. O ensino não é uma actividade comercial sujeita ao mercado. O Estado limita-se a cumprir obrigações constitucionais. Falar em "concorrência desleal" é pelo menos despropositado.
5. A Constituição diz o que diz e não o que MP queria que ela dissesse.
segunda-feira, 1 de agosto de 2005
domingo, 31 de julho de 2005
Correio dos leitores: Infra-estruturas de transportes
Publicado por
Vital Moreira
«Duas ou três notas, para ponderar:
- Se, em vez de remendos numa linha do Norte sobrecarregada, tivesse sido feito o TGV no início da década de 90, entre Lisboa e Porto, já havia, há muito, alta velocidade ao preço dos remendos que só terminarão no dia de São Nunca, como os técnicos mais informados bem sabiam. Não sou eu o técnico mas o que se tem passado com a «renovação» da linha do Norte era dado como certo por pessoas que já o garantiam, pelo menos, em 1992; ? 400 Milhões depois ainda há quem discuta?
- Nenhum político acredita numa Linha Aveiro-Salamanca e, muito menos, Lisboa ? Algarve ? Sevilha. É música para tolos, que se enganam com bolos e TGV a parar em todos os apeadeiros... (...)
- Ota, não, mas Rio Frio, sim. Se nada se fizer, só quero saber quem vou acusar de homicídio voluntário quando ocorrer um grave acidente em Lisboa. É claro que a Ota não serve, porque não tem capacidade de expansão e porque é estupidamente cara. Como são estupidamente caras as obras de adaptação da Portela, as que vão ser feitas e as que têm sido feitas desde que foi declarada a utilidade pública das expropriações em Rio Frio na década de 70 (já havia aeroporto há muito, por menos do que custaram as obras na Portela). De remendo em remendo gasta-se o dinheiro e qualquer dia não há aeroporto nenhum, porque a Portela fecha por razões de segurança e ambientais...
Pondere e peça para ver os números das obras na Portela, pelo menos desde o início da década de 80, e na linha do Norte, desde o início da de 90 (e também, quanto custavam nessa altura as obras do TGV Lisboa-Porto e do aeroporto em Rio Frio...).»
Manuel Piteira
- Se, em vez de remendos numa linha do Norte sobrecarregada, tivesse sido feito o TGV no início da década de 90, entre Lisboa e Porto, já havia, há muito, alta velocidade ao preço dos remendos que só terminarão no dia de São Nunca, como os técnicos mais informados bem sabiam. Não sou eu o técnico mas o que se tem passado com a «renovação» da linha do Norte era dado como certo por pessoas que já o garantiam, pelo menos, em 1992; ? 400 Milhões depois ainda há quem discuta?
- Nenhum político acredita numa Linha Aveiro-Salamanca e, muito menos, Lisboa ? Algarve ? Sevilha. É música para tolos, que se enganam com bolos e TGV a parar em todos os apeadeiros... (...)
- Ota, não, mas Rio Frio, sim. Se nada se fizer, só quero saber quem vou acusar de homicídio voluntário quando ocorrer um grave acidente em Lisboa. É claro que a Ota não serve, porque não tem capacidade de expansão e porque é estupidamente cara. Como são estupidamente caras as obras de adaptação da Portela, as que vão ser feitas e as que têm sido feitas desde que foi declarada a utilidade pública das expropriações em Rio Frio na década de 70 (já havia aeroporto há muito, por menos do que custaram as obras na Portela). De remendo em remendo gasta-se o dinheiro e qualquer dia não há aeroporto nenhum, porque a Portela fecha por razões de segurança e ambientais...
Pondere e peça para ver os números das obras na Portela, pelo menos desde o início da década de 80, e na linha do Norte, desde o início da de 90 (e também, quanto custavam nessa altura as obras do TGV Lisboa-Porto e do aeroporto em Rio Frio...).»
Manuel Piteira
Sociedade de informação
Publicado por
Vital Moreira
Apoiar a "democratização" dos computadores é positivo. Resta o preço proibitivo da Internet de banda larga, muito acima da generalidade dos países europeus. Por que é que havemos de continuar a engordar os lucros da PT e demais operadores?
Correio dos leitores: Lisboetês
Publicado por
Vital Moreira
«(...) Para além dos desvios fonéticos (em relação ao Português padrão, claro) que mencionou, eu lembraria mais dois, que não sendo tão frequentes, caracterizam também o falar de Lisboa.
- A troca de "u" por "ó", em casos como, por exemplo, horrível (que dizem
hórrivel), ou mesmo universidade, que já tenho ouvido óniversidade.
- Este fenómeno é mais popular, por isso tem menos visibilidade na
Comunicação Social, mas fica referido: emudecer das vogais ou ditongos antes dos sufixos "inho", que também nem sempre são formados de acordo com as normas. Ex: sulinho, em vez de solzinho ou mesmo numa versão mais popular solinho, ou pexinho em vez de peixinho.
Reparei que não mencionou outros tiques do falar, que não fonéticos, mas também muito de Lisboa. "Pograma" em vez de programa é um clássico que teima em não passar de moda.
Queria, no entanto fazer um breve reparo em relação à admissão ou não de pronúncias de "puârto" ou "bijeu" em estações de rádio ou televisão. Se olharmos para os apresentadores de notícias quer na RTP1 quer na SIC temos uma forte presença do Porto (Rodrigo Guedes de Carvalho, Judite de Sousa, José Alberto Carvalho, Júlio Magalhães). Claro que nunca tiveram pronúncias do "Porto profundo", mais típicas do Bolhão ou da lota de Matosinhos, mas um ouvido minimamente atento nota claramente os sinais de "pertença" que, claro, eram ainda mais evidentes há anos quando chegaram a Lisboa. Já Fátima Campos Ferreira parece ter mais renitência em abandonar essa pertença, e creio que não há ouvido que não note o seu local de origem. Também tenho notado jovens actores com sotaque do norte a fazerem papéis em telenovelas e séries (nomeadamente as infantis) de lisboetas e, muitas vezes da "linha".»
JCD
- A troca de "u" por "ó", em casos como, por exemplo, horrível (que dizem
hórrivel), ou mesmo universidade, que já tenho ouvido óniversidade.
- Este fenómeno é mais popular, por isso tem menos visibilidade na
Comunicação Social, mas fica referido: emudecer das vogais ou ditongos antes dos sufixos "inho", que também nem sempre são formados de acordo com as normas. Ex: sulinho, em vez de solzinho ou mesmo numa versão mais popular solinho, ou pexinho em vez de peixinho.
Reparei que não mencionou outros tiques do falar, que não fonéticos, mas também muito de Lisboa. "Pograma" em vez de programa é um clássico que teima em não passar de moda.
Queria, no entanto fazer um breve reparo em relação à admissão ou não de pronúncias de "puârto" ou "bijeu" em estações de rádio ou televisão. Se olharmos para os apresentadores de notícias quer na RTP1 quer na SIC temos uma forte presença do Porto (Rodrigo Guedes de Carvalho, Judite de Sousa, José Alberto Carvalho, Júlio Magalhães). Claro que nunca tiveram pronúncias do "Porto profundo", mais típicas do Bolhão ou da lota de Matosinhos, mas um ouvido minimamente atento nota claramente os sinais de "pertença" que, claro, eram ainda mais evidentes há anos quando chegaram a Lisboa. Já Fátima Campos Ferreira parece ter mais renitência em abandonar essa pertença, e creio que não há ouvido que não note o seu local de origem. Também tenho notado jovens actores com sotaque do norte a fazerem papéis em telenovelas e séries (nomeadamente as infantis) de lisboetas e, muitas vezes da "linha".»
JCD
sábado, 30 de julho de 2005
Energia nuclear
Publicado por
Vital Moreira
Num longo artigo, o Financial Times analisa o renascimento do interesse pela energia nuclear, devido à subida dos combustíveis, à necessidade de limitar a emissão de gases com efeitos de estufa, e ao desenvolvimento de reactores mais seguros e eficientes.
Em Portugal, a recente proposta de um conhecido empresário foi recebida com frieza e por uma espécie de conspiração de silêncio. Num País tão dependente de energia como Portugal, a questão do nuclear não deveria ser um tabu. Como aqui já se defendeu há meses, talvez seja tempo de começar a discutir o assunto.
Em Portugal, a recente proposta de um conhecido empresário foi recebida com frieza e por uma espécie de conspiração de silêncio. Num País tão dependente de energia como Portugal, a questão do nuclear não deveria ser um tabu. Como aqui já se defendeu há meses, talvez seja tempo de começar a discutir o assunto.
Correio dos leitores: Diferenciação positiva dos camionistas
Publicado por
Vital Moreira
«A "diferenciação positiva fiscal para camionistas" existe desde há uma vintena de anos, ou mais, em todos os países da Europa (e não só), sob a forma de uma carga fiscal sobre o gasóleo menor do que sobre a gasolina.
Essa diferenciação, entretanto, deixou de o constituir, já que a modernização dos motores diesel, incitada por essa mesma diferenciação, levou a que hoje em dia boa parte do parque automóvel particular funcione a gasóleo. (...) É portanto de facto necessário re-instaurar a diferenciação. Isso pode E DEVE ser feito à custa do aumento do imposto sobre o gasóleo que alimenta carros particulares. É injustificável que Portugal continue a subsidiar fiscalmente alguns condutores de automóveis particulares, em detrimento de outros.
E isto seria cumprir as recomendações nesse sentido da Comissão Europeia. (...)»
Luís Lavoura
Comentário
As coisas não são bem assim.
Primeiro, o alívio fiscal do gasóleo não visava especificamente os camionistas mas sim toda as actividades económicas que consomem tal combustível. Segundo, no caso dos automóveis de turismo a diesel, o benefício fiscal do gasóleo é compensado por um imposto automóvel (IA) mais levado na compra dos veículos. Terceiro, a proposta da UE de acabar com os benfícios fiscais ao gasóleo é acompanhada pela extinção do IA.
Essa diferenciação, entretanto, deixou de o constituir, já que a modernização dos motores diesel, incitada por essa mesma diferenciação, levou a que hoje em dia boa parte do parque automóvel particular funcione a gasóleo. (...) É portanto de facto necessário re-instaurar a diferenciação. Isso pode E DEVE ser feito à custa do aumento do imposto sobre o gasóleo que alimenta carros particulares. É injustificável que Portugal continue a subsidiar fiscalmente alguns condutores de automóveis particulares, em detrimento de outros.
E isto seria cumprir as recomendações nesse sentido da Comissão Europeia. (...)»
Luís Lavoura
Comentário
As coisas não são bem assim.
Primeiro, o alívio fiscal do gasóleo não visava especificamente os camionistas mas sim toda as actividades económicas que consomem tal combustível. Segundo, no caso dos automóveis de turismo a diesel, o benefício fiscal do gasóleo é compensado por um imposto automóvel (IA) mais levado na compra dos veículos. Terceiro, a proposta da UE de acabar com os benfícios fiscais ao gasóleo é acompanhada pela extinção do IA.
Pedigree
Publicado por
Vital Moreira
A defesa lisboeta da manutenção do "seu" aeroporto na Portela faz-me lembrar irresistivelmente a defesa pelo Porto, há uma vintena de anos, das tarifas de electricidade a preços inferiores a metade do restante território nacional ou, nos dias de hoje, a defesa dos privilégios financeiros da Madeira por Alberto João Jardim. Quem tem privilégios chama-lhes seus e não admite perdê-los.
Lisboetês (3)
Publicado por
Vital Moreira
Infelizmente, caro Walter Rodrigues, as idiossincrasias fonéticas do "lisboetês" não consistem somente na abundância de "chês" ou "jês". Embora esse seja o mais notório, há pelo menos mais três desvios importantes da norma fonética:
a) Pronúncia como "i" breve do "i" longo, em palavras como rio, tio, pavio, etc.
b) Universalização da metamorfose de "e" em "â", como em velho (pronunciado como vâlho), joelho (pronunciado comojoâlho), coelho (pronunciado como coâlho), etc.
c) Redução do ditongo "ai" em palavras como baixo (pronunciado como "bacho"), faixa (dito como "facha"), etc.
Desnecessário se torna dizer -- mas é conveniente fazê-lo para os distraídos ou mal intencionados -- que não está em causa o modo particular como os lisboetas falam. São livres para falarem como quiserem (embora me surpreenda o desmazelo linguístico de pessoas com formação superior). O que me parece censurável é que os profissionais dos meios de comunicação social não sigam a norma fonética nacional e usem uma pronúncia local em estações de rádio e de televisão nacionais, influenciando desse modo todo o país (dado o poder da televisão). É evidente que ninguém admitiria nessas estações um locutor com uma pronúncia à moda do "puârto" ou de "vijeu". Então, por que aceitar que eles falem à moda do "Caichedré" ou da "Linha"?
a) Pronúncia como "i" breve do "i" longo, em palavras como rio, tio, pavio, etc.
b) Universalização da metamorfose de "e" em "â", como em velho (pronunciado como vâlho), joelho (pronunciado comojoâlho), coelho (pronunciado como coâlho), etc.
c) Redução do ditongo "ai" em palavras como baixo (pronunciado como "bacho"), faixa (dito como "facha"), etc.
Desnecessário se torna dizer -- mas é conveniente fazê-lo para os distraídos ou mal intencionados -- que não está em causa o modo particular como os lisboetas falam. São livres para falarem como quiserem (embora me surpreenda o desmazelo linguístico de pessoas com formação superior). O que me parece censurável é que os profissionais dos meios de comunicação social não sigam a norma fonética nacional e usem uma pronúncia local em estações de rádio e de televisão nacionais, influenciando desse modo todo o país (dado o poder da televisão). É evidente que ninguém admitiria nessas estações um locutor com uma pronúncia à moda do "puârto" ou de "vijeu". Então, por que aceitar que eles falem à moda do "Caichedré" ou da "Linha"?
sexta-feira, 29 de julho de 2005
Peço desculpa pelo equívoco
Publicado por
Vital Moreira
"O interesse do país é que os contribuintes não sejam chamados a pagar um novo aeroporto para Lisboa, que Lisboa não quer e de que não precisa" (Miguel Sousa Tavares, PÚBLICO, 29-07-05). Julguei que o aeroporto internacional é para todo o país (10 milhões) e não para Lisboa (1 milhão). Pelos vistos, equivoquei-me...
Impunidade
Publicado por
Vital Moreira
Os polícias que na Assembleia da República participaram na vozearia e nos insultos soezes contra deputados e ministros não podem ficar impunes. O estatuto disciplinar, que prevê a suspensão imediata de funções em caso de infracção disciplinar grave, não é para ficar na gaveta. Esses senhores estão a mais na polícia. É uma questão de decência democrática e de elementar autoridade do Estado. Nada mais deletério numa democracia do que a impunidade dos agentes da ordem pública.
Os "direitos adquiridos" de Lisboa
Publicado por
Vital Moreira
A irritada resposta de Miguel Sousa Tavares, hoje no Público, ao meu artigo de terça-feira no mesmo jornal, pode bem figurar numa antologia das melhores defesas sindicais de "direitos adquiridos" a que temos assistido nos últimos tempos. A questão essencial, porém, está em que, enquanto MST defende o aeroporto de Lisboa, mesmo quando ele já deixou de servir as necessidades do País, eu defendo um novo aeroporto internacional para o País, naturalmente o mais próximo possível de Lisboa, só que infelizmente não pode ser dentro de Lisboa (no meu artigo eu nem sequer falava na Ota).
No meu artigo lamentava ver "pessoas normalmente lúcidas" a defender a desnecessidade de um novo aeroporto. Vejo que errei no adjectivo. A defesa de privilégios não salvaguarda a lucidez de ninguém. Quem tem privilégios chama-lhes seus e não admite perdê-los.
PS 1 - Reparo que MST não se referiu aos demais privilégios de Lisboa, por mim citados, o mais escandaloso dos quais é a responsabilidade do orçamento do Estado pelos transportes locais da capital. Também são "direitos adquiridos"?
PS 2 - Ao contrário de MST, eu não defendo nenhum aeroporto à porta de casa. Em matéria de transportes públicos relativamente a Coimbra só queria uma estação ferroviária digna desse nome (em vez do miserável apeadeiro actual). Bastava o custo de uma estação de metro de Lisboa...
No meu artigo lamentava ver "pessoas normalmente lúcidas" a defender a desnecessidade de um novo aeroporto. Vejo que errei no adjectivo. A defesa de privilégios não salvaguarda a lucidez de ninguém. Quem tem privilégios chama-lhes seus e não admite perdê-los.
PS 1 - Reparo que MST não se referiu aos demais privilégios de Lisboa, por mim citados, o mais escandaloso dos quais é a responsabilidade do orçamento do Estado pelos transportes locais da capital. Também são "direitos adquiridos"?
PS 2 - Ao contrário de MST, eu não defendo nenhum aeroporto à porta de casa. Em matéria de transportes públicos relativamente a Coimbra só queria uma estação ferroviária digna desse nome (em vez do miserável apeadeiro actual). Bastava o custo de uma estação de metro de Lisboa...
Dili, remodelação, 2005
Publicado por
AG
Ontem assisti em Dili à tomada de posse dos novos membros do Governo timorense. Três anos e um mês depois da Independência, ocorre a primeira remodelação governamental.
Que diferença!
Desde logo, a cerimónia tem lugar na antiga casa do Governador colonial em Lahane, agora residência oficial da Presidência da República. Bem recuperada (faltam alguns acabamentos e a decoração interior), com apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da UCLA. A vista é magnífica sobre Dili, luz coada ao fim da tarde, Ataúro atrás do mar azul espelhado. Em 2002 a casa estava esventrada, sem telhado, queimada. Em Março de 1999, depois de visitar Timor-Leste pela primeira vez, disse a Xanana na prisão de Salemba que, se aquela casa não viesse um dia a ser utilizada pelo Estado timorense, teria de ser a residência da embaixada de Portugal.
A cerimónia é concorrida e formal, embora sem excessos. Discursos do PM e do PR curtos, medidos, lidos. Nada das arengas do passado. Profissional, embora distendida pelas provocados pelas bocas sorridentes que o PR vai mandando em surdina aos empossados.
Todos os homens membros do Governo estão de fato e gravata, Presidente da República incluido - em 2002, nas cerimónias da independência, ele recusara o apêndice. As mulheres mostram mais diversidade na fatiota, apesar da sobriedade geral. O corpo diplomático comenta quem é quem.
Há mais uma mulher Ministra - uma jovem engenheira na sensibilíssima pasta das Obras Públicas (passarão por ali boa parte dos milhões do petróleo nos próximos anos, as tentações não faltarão).
A remodelação tem a ver com a crise política recente, disparatadamente desencadeada e conduzida por certos tenores da Igreja. Que não se conformam por ter perdido protagonismo político (uns que há uns anos eu ouvi dizer, pouco cristamente, referindo-se aos indonésios em geral, «a gente perdoa-lhes, mas só depois de todos mortos...»). E que o ressaibiamento hoje cega, ao ponto de não se importarem de serem instrumentalizados por outros interesses para explorar a natural insatisfação de muito povo que ainda não viu as expectativas minimamente satisfeitas.
A remodelação é um bom princípio e vai no bom sentido. Mas parece-me ficar aquém das necessidades. E as necessidades passam muito pela capacidade de comunicação dos governantes com o povo. Esse que fora de Dili, nos distritos, só conhece o que vai na governação do país sobretudo através das homilias nas igrejas. Porque, todos concordam, a crise política ainda não está completamente encerrada. A procissão pode ainda ir no adro.
Que diferença!
Desde logo, a cerimónia tem lugar na antiga casa do Governador colonial em Lahane, agora residência oficial da Presidência da República. Bem recuperada (faltam alguns acabamentos e a decoração interior), com apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da UCLA. A vista é magnífica sobre Dili, luz coada ao fim da tarde, Ataúro atrás do mar azul espelhado. Em 2002 a casa estava esventrada, sem telhado, queimada. Em Março de 1999, depois de visitar Timor-Leste pela primeira vez, disse a Xanana na prisão de Salemba que, se aquela casa não viesse um dia a ser utilizada pelo Estado timorense, teria de ser a residência da embaixada de Portugal.
A cerimónia é concorrida e formal, embora sem excessos. Discursos do PM e do PR curtos, medidos, lidos. Nada das arengas do passado. Profissional, embora distendida pelas provocados pelas bocas sorridentes que o PR vai mandando em surdina aos empossados.
Todos os homens membros do Governo estão de fato e gravata, Presidente da República incluido - em 2002, nas cerimónias da independência, ele recusara o apêndice. As mulheres mostram mais diversidade na fatiota, apesar da sobriedade geral. O corpo diplomático comenta quem é quem.
Há mais uma mulher Ministra - uma jovem engenheira na sensibilíssima pasta das Obras Públicas (passarão por ali boa parte dos milhões do petróleo nos próximos anos, as tentações não faltarão).
A remodelação tem a ver com a crise política recente, disparatadamente desencadeada e conduzida por certos tenores da Igreja. Que não se conformam por ter perdido protagonismo político (uns que há uns anos eu ouvi dizer, pouco cristamente, referindo-se aos indonésios em geral, «a gente perdoa-lhes, mas só depois de todos mortos...»). E que o ressaibiamento hoje cega, ao ponto de não se importarem de serem instrumentalizados por outros interesses para explorar a natural insatisfação de muito povo que ainda não viu as expectativas minimamente satisfeitas.
A remodelação é um bom princípio e vai no bom sentido. Mas parece-me ficar aquém das necessidades. E as necessidades passam muito pela capacidade de comunicação dos governantes com o povo. Esse que fora de Dili, nos distritos, só conhece o que vai na governação do país sobretudo através das homilias nas igrejas. Porque, todos concordam, a crise política ainda não está completamente encerrada. A procissão pode ainda ir no adro.
Foco errado
Publicado por
Vital Moreira
Penso que os apoiantes de Cavaco Silva que, de forma claramente concertada, insistem em valorizar as competências económicas e financeiras do antigo primeiro-ministro como vantagem para o cargo presidencial estão a prestar-lhe um mau serviço. Primeiro, não são as competências técnicas mas sim as qualidades políticas e humanas que são relevantes e decisivas para o cargo (para as questões técnicas há os assessores...); segundo, o que as pessoas esperam é que a política económica e financeira seja definida e executada pelo Governo, que por ela é responsável perante o Parlamento e o país, de acordo com o seu programa político, e não pelo Presidente da República, que não é eleito para isso; terceiro, a suspeita de ver em Belém uma espécie de ministro-sombra da oposição na pasta da economia e das finanças é tudo menos coerente com a alegada vocação de Cavaco Silva para a estabilidade política e a não ingerência na esfera governamental. Não é tudo isto evidente?
Então por que não saem?
Publicado por
Vital Moreira
Em mais uma das suas tiradas demagógicas, Berlusconi acusou o euro de ser responsável pelas dificuldades económicas e financeiras italianas, que a sua própria política incompetente e errática gerou. Pretende desse modo atacar Prodi, que era primeiro-ministro na altura da adesão da Itália à moeda única e que será o seu rival nas eleições gerais italianas do ano que vem.
É de perguntar: então por que não volta a Itália à lira? A resposta é simples: porque, com o imediato afundamento da dita e a subida drástica das taxas de juro que se seguiria, o país entraria em espiral de inflação e em provável bancarrota. Mas com chefes de governo destes, prontos a tomar as instituições comunitárias como bodes expiatórios da sua própria incapacidade, como há-de a UE estar de boa saúde?
É de perguntar: então por que não volta a Itália à lira? A resposta é simples: porque, com o imediato afundamento da dita e a subida drástica das taxas de juro que se seguiria, o país entraria em espiral de inflação e em provável bancarrota. Mas com chefes de governo destes, prontos a tomar as instituições comunitárias como bodes expiatórios da sua própria incapacidade, como há-de a UE estar de boa saúde?
Tocqueville
Publicado por
Vital Moreira
As suas posições liberais e a sua preocupação contra a centralização do poder nas democracias fizeram dele uma das bandeiras das correntes neoliberais e, sobretudo, neoconservadoras contemporâneas. Mas, apesar dessa apropriação ideológica, ele permanece como uma das referências do património comum do pensamento liberal-democrático em geral.
quinta-feira, 28 de julho de 2005
Até que enfim!
Publicado por
Vital Moreira
Ao fim de mais de uma década na agenda das reformas do sistema político, a aprovação da limitação do número de mandatos dos presidentes das autarquais é uma boa notícia, mesmo nos termos limitados em que foi aprovada. Com ela o PS consegue um merecido êxito na implementação do seu programa de reformas políticas. As condições impostas pelo PSD, designadamente o adiamento da entrada em vigor da reforma, contradizem mais uma vez o autoproclamado espírito "reformista" do partido e mostram o excessivo peso que os autarcas têm na respectiva estrutura de poder. A posição do PCP, único partido a votar contra, testemunha tanto o seu atávico conservadorismo político como o seu receio de que o paradigma da limitação de mandatos políticos possa vir a estender-se no futuro aos próprios partidos...
O que vai estar em causa nas eleições presidenciais
Publicado por
Vital Moreira
«(...) A questão, para a direita e para a esquerda, é de novo saber se o Presidente é um factor de perigo ou de resguardo para os governos. Um Governo que tenha de agir com determinação para suster a crise financeira do Estado tem de contar com o apoio de um Presidente de referência - daí o recurso a Soares. Uma oposição que queira protagonizar um projecto de "regeneração" do País tem de contar com um Presidente forte - daí a esperança em Cavaco. É, uma vez mais, a espada da dissolução que se coloca sobre a cabeça dos governos de maioria. É, uma vez mais, o modelo do nosso semipresidencialismo que se questiona.» (J. M. Barroso, Diário de Notícias de hoje).
Lisboetês (2)
Publicado por
Vital Moreira
Contributos para um dicionário da pronúncia lisboeta ouvidos na rádio e na televisão:
acreche - acresce
ochila - oscila
machim - mas sim
maichedo - mais cedo
só deuchabe - só deus sabe
part'chivis - partes civis
dachopas - das sopas
quaichão uchinais - quais são os sinais
doijero - dois zero
trêchete - três sete
crechem uchintomas - crescem os sintomas
acreche - acresce
ochila - oscila
machim - mas sim
maichedo - mais cedo
só deuchabe - só deus sabe
part'chivis - partes civis
dachopas - das sopas
quaichão uchinais - quais são os sinais
doijero - dois zero
trêchete - três sete
crechem uchintomas - crescem os sintomas
Mau sinal
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Vital Moreira
Nenhuma das reivindicações dos camionistas me parece merecedora de ser satisfeita. Criação de privilégios e regimes especiais é coisa que neste momento deveria ser proibida, ainda por cima para um sector muito custoso em termos ambientais, que tem alternativa no transporte ferroviário. Mas o Governo já anunciou disposição para ceder, o que é mau, primeiro porque a causa não é meritória, depois porque a acção ilícita dos camionistas não deveria ser premiada.
Imagens com legenda
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Vital Moreira
Correio dos leitores: Portugal sem destino
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Vital Moreira
«(...) Como podem, aqueles que se interessam por política, que acompanham a vida do País e que gostavam de ter uma participação mais activa em termos de "pensar Portugal", alcançar esse desiderato fora e para além dos partidos?
Ou, numa perspectiva diferente, como podem os partidos regenerar-se e atrair as novas gerações para a política activa, sem lhes impor a "via dolorosa" das J's, da militância de comício, do papel de figurantes em campanhas eleitorais?
Isto é o essencial. (...) No entanto, do acompanhamento que faço da vida pública portuguesa, parece-me que, desde o 25 de Abril, os actores principais são sempre "os mesmos". Não há rejuvenescimento. Não há - assim o parece - ideias novas, novas aspirações. As candidaturas de Mário Soares e de Cavaco Silva são, na minha opinião, "mais do mesmo", "revisão da matéria".
É desolador. Gostava de mais para o meu País. Gostava que os portugueses vivessem melhor e com mais ambição. Mas parece-me que Portugal está, de novo, amordaçado. Da comunicação social às cúpulas partidárias, não se houve um grito de revolta. Parece que vivemos em circuito fechado e, sobretudo, abafado. (...) Portugal vai ficando cada vez mais pobre. Quem nos salva deste caminho? Que esperança podemos ainda ter?»
André de Serpa Soares
Ou, numa perspectiva diferente, como podem os partidos regenerar-se e atrair as novas gerações para a política activa, sem lhes impor a "via dolorosa" das J's, da militância de comício, do papel de figurantes em campanhas eleitorais?
Isto é o essencial. (...) No entanto, do acompanhamento que faço da vida pública portuguesa, parece-me que, desde o 25 de Abril, os actores principais são sempre "os mesmos". Não há rejuvenescimento. Não há - assim o parece - ideias novas, novas aspirações. As candidaturas de Mário Soares e de Cavaco Silva são, na minha opinião, "mais do mesmo", "revisão da matéria".
É desolador. Gostava de mais para o meu País. Gostava que os portugueses vivessem melhor e com mais ambição. Mas parece-me que Portugal está, de novo, amordaçado. Da comunicação social às cúpulas partidárias, não se houve um grito de revolta. Parece que vivemos em circuito fechado e, sobretudo, abafado. (...) Portugal vai ficando cada vez mais pobre. Quem nos salva deste caminho? Que esperança podemos ainda ter?»
André de Serpa Soares
Correio dos leitores: O novo aeroporto
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Vital Moreira
«(...) O que nos pode envergonhar não é sermos pobres e fazer o que tem que ser feito para corrigir o plano inclinado para que alertam todas as vozes lúcidas (onde a sua muito justamente se incluí). O que nos pode envergonhar é a atitude de novo rico irresponsável. Obras de fachada, à la Jorge Coelho, na suposição de que ajudam a ganhar eleições, e depois logo se vê! E vai-se ao ponto de dizer que são de borla para o povo porque a iniciativa privada faz todo o investimento. Querem fazer de nós parvos. Nem na Brisa isso é assim. Vejam a travessia ferroviária concessionada do Tejo.
Pretender que todos os que, já não digo contestam, mas simplesmente querem conhecer os fundamentos de racionalidade de investimentos públicos tão pesados se motivam unicamente por regionalismo lisboeta estreito é demais. Não sei se alguns o fazem, mas muitos, seguramente que o não fazem com essa motivação. E é isso que é lamentável na sua posição, pois aparentemente lhe escapa a percepção de que se assiste uma viragem de atitude da sociedade civil nesta matéria a que o actual governo foi sensível ao ponto de mandar as promesas eleitorais para as urtigas e atacar com coragem os regimes de excepção sem justificação na AP.»
José Estrela
Pretender que todos os que, já não digo contestam, mas simplesmente querem conhecer os fundamentos de racionalidade de investimentos públicos tão pesados se motivam unicamente por regionalismo lisboeta estreito é demais. Não sei se alguns o fazem, mas muitos, seguramente que o não fazem com essa motivação. E é isso que é lamentável na sua posição, pois aparentemente lhe escapa a percepção de que se assiste uma viragem de atitude da sociedade civil nesta matéria a que o actual governo foi sensível ao ponto de mandar as promesas eleitorais para as urtigas e atacar com coragem os regimes de excepção sem justificação na AP.»
José Estrela
"O sindicato de Lisboa"
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Vital Moreira
Já está disponível na Aba da Causa o meu artigo de terça-feira passada sobre a oposição lisboeta ao novo aeroporto internacional.
quarta-feira, 27 de julho de 2005
"Diferenciação positiva"
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Vital Moreira
«Governo estuda "diferenciação positiva" fiscal para camionistas». Por pressão dos interessados, lá se vai sobrecarregar o sistema fiscal com mais uma complicação. Neste ponto estou cada vez mais convicto de que os efeitos negativos da complexidade do sistema fiscal sobre a sua eficiência tornam muito problemáticas as tais medidas de diferenciação positiva. Não há sistema fiscal que resista a tanta diferenciação, dedução, isenção, etc., etc.
Contra-terrorismo
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Vital Moreira
O jovem brasileiro que a polícia britânica confundiu precipitadamente com um terrorista foi morto com nada menos de sete tiros na cabeça a curta distância quando já estava imobilizado no solo. Um puro assassinato oficial; um inadmissível excesso policial. Numa democracia o contraterrorismo não pode justificar tudo, muoito menos a execução sumária de inocentes, mesmo quando a populaça e a imprensa populista clamam por sangue. Um Estado de direito não tem direito à pena de talião.
Moralização
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Vital Moreira
«Ministério da Educação vai definir novos limites à acumulação dos professores». As medidas de moralização da Ministra da Educação continuam. Que não esmoreça...
Presidencialismo
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Vital Moreira
A tese de Pacheco Pereira sobre uma pretensa melhor posição de Cavaco Silva, comparado com Soares, para assegurar a estabilidade política tem o defeito óbvio de não colar com a realidade. Ninguém pode imaginar o primeiro a prescindir de interferir na esfera do Governo (está-lhe na massa do sangue...).
Para além da instabilidade governativa, o que está em causa é também a própria estabilidade do regime. Não pode ingnorar-se a vontade de muitos círculos da direita de alterar as regras do jogo. Ainda há dias um conhecido e qualificado deputado do PSD, Paulo Rangel, insinuava no Público que com Cavaco o regime poderia evoluir para um sistema protopresidencialista à maneira francesa (só ficou por dizer como é que isso seria compatível com a Constituição...). E hoje mesmo Manuel Queiró, do CDS/PP, escreve o seguinte no mesmo jornal:
Para além da instabilidade governativa, o que está em causa é também a própria estabilidade do regime. Não pode ingnorar-se a vontade de muitos círculos da direita de alterar as regras do jogo. Ainda há dias um conhecido e qualificado deputado do PSD, Paulo Rangel, insinuava no Público que com Cavaco o regime poderia evoluir para um sistema protopresidencialista à maneira francesa (só ficou por dizer como é que isso seria compatível com a Constituição...). E hoje mesmo Manuel Queiró, do CDS/PP, escreve o seguinte no mesmo jornal:
«A previsível eleição de Cavaco Silva era até há pouco, com razão ou sem ela, o terreno onde se jogavam todas as esperanças de regeneração do sistema político. Sem ainda suficientes indicações para tal, crescia difusamente a convicção de que, com Cavaco em Belém, nada ficaria na mesma nas relações entre o poder executivo e a presidência. Uma espécie de revolução silenciosa ocorreria. O pendor parlamentar do regime entraria naturalmente em declínio, sem que para já ninguém avançasse com os contornos dessa mudança. O sentido e a natureza das alterações ficariam entregues a Cavaco, mais uma vez providencial e sabedor do melhor para Portugal.» (Sublinhado acrescentado)Os dados são portanto claros. De novo, tal como em 1986, o que está em causa nas próximas eleições presidenciais é a natureza e a estabilidade do regime político.
Manifesto
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Vital Moreira
O partido dos economistas/financistas que acham que o investimento em obras públicas é em princípio mau (e que ele é incompatível com a disciplina das finanças públicas) publicou um manifesto. A prosa é banal, mas o que conta é a intenção política. Nada de surpreendente, porém, vista a composição da equipa e as ideias conhecidas de quase todos os seus componentes (só sendo de estranhar a adesão de José da Silva Lopes).
"Lisboetês"
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Vital Moreira
Face à frequência de erros ortográficos e gramaticais em textos publicados, alguém lançou aqui há tempos no "Ciberdúvidas da Língua Portuguesa" a proposta de introdução de um teste de Português nas provas de acesso às profissões da comunicação social.
Por minha parte parece-me igualmente importante um teste de pronúncia para os profissionais dos meios audiovisuais, incluindo os publicitários. De facto, é cada vez mais irritante o domínio avassalador da pronúncia corrente de Lisboa, que outrora já designei por "Lisboetês". Já cansa ouvir por exemplo "fachínio" (em vez de fascínio), "fachículo" (em vez de fascículo), ou "seichentos" (em vez de seiscentos); pior ainda é ouvir "chelente" (em vez de excelente), "chèção" (em vez de excepção), "chèsso" (em vez de excesso), "cherto" (em vez de excerto), etc. Há pouco na televisão um anúncio exaltava a capacidade do Euromilhões para criar "chêntricos" (em vez de "excêntricos"...).
Que os leigos usem tal pronúncia, entende-se --, mesmo quando seria de exigir melhor da sua condição (há tempos um membro do Governo asseverava que "nó-chomos um paí-chuberano", querendo dizer "nós somos um país soberano"). Agora que muitos profissionais incorram nas mesmas deficiências, isso é inaceitável, sobretudo quando se trata de emissões de âmbito nacional, visto que aquela pronúncia é pelo menos exótica na maior parte do país. Lamentavelmente a colonização lisboeta nos "media" vai vulgarizando o modo de falar lisboeta por esse país fora.
Por minha parte parece-me igualmente importante um teste de pronúncia para os profissionais dos meios audiovisuais, incluindo os publicitários. De facto, é cada vez mais irritante o domínio avassalador da pronúncia corrente de Lisboa, que outrora já designei por "Lisboetês". Já cansa ouvir por exemplo "fachínio" (em vez de fascínio), "fachículo" (em vez de fascículo), ou "seichentos" (em vez de seiscentos); pior ainda é ouvir "chelente" (em vez de excelente), "chèção" (em vez de excepção), "chèsso" (em vez de excesso), "cherto" (em vez de excerto), etc. Há pouco na televisão um anúncio exaltava a capacidade do Euromilhões para criar "chêntricos" (em vez de "excêntricos"...).
Que os leigos usem tal pronúncia, entende-se --, mesmo quando seria de exigir melhor da sua condição (há tempos um membro do Governo asseverava que "nó-chomos um paí-chuberano", querendo dizer "nós somos um país soberano"). Agora que muitos profissionais incorram nas mesmas deficiências, isso é inaceitável, sobretudo quando se trata de emissões de âmbito nacional, visto que aquela pronúncia é pelo menos exótica na maior parte do país. Lamentavelmente a colonização lisboeta nos "media" vai vulgarizando o modo de falar lisboeta por esse país fora.
terça-feira, 26 de julho de 2005
Anti-Soares (2)
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Vital Moreira
Os comentadores que invocam o risco de incapacitação como argumento contra a eventual eleição de Mário Soares para Presidente da República deveriam saber que a Constitução prevê a vagatura do cargo (e portanto convocação de novas eleições) em caso de "incapacidade física permanente", conceito relativamente indeterminado verificado pelo Tribunal Constitucional, pelo que é totalmente despropositada a invocação do caso de Salazar (que, aliás, não era Presidente da República e que foi devidamente substituído em consequência da incapacitação).
Anti-Soares (1)
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Vital Moreira
Não entendo este argumento de Paulo Gorjão. A razão por que a Constituição exige uma idade mínima para Presidente da República (e bem) tem a ver com a maturidade necessária para o exercício do cargo, coisa que é suposto existir em abundância nos seniores, razão pela qual a Constituição não estabelece (e bem) limite máximo de idade (de resto, não existe tal limite para nenhum cargo político...).
Deontologia jornalística
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Vital Moreira
José Manuel Fernandes voltou ontem no Público (versão electrónica acessível por assinatura) à questão da responsabilidade deontológica dos jornalistas, em contraposição com o que escrevi no mesmo jornal há algum tempo (texto disponível aqui). JMF concorda que as infracções deontológicas devem ser sancionadas, o que é a questão essencial. Fico satisfeito com esta convergência fundamental.
Subsistem duas questões em aberto: (i) se deve ser a lei a definir os deveres deontológicos e (ii) que organismo deve ser competente para aplicar as sanções.
Quanto à primeira questão, importa lembrar que a definição dos deveres deontológicos já consta da actual lei (alguns dos quais JMF critica) e que essa é a solução em vários estatutos legais das nossas ordens profissionais. Quanto à segunda questão, é a minha vez de concordar (como, aliás, já decorria do meu artigo) que a solução preferível é a autodisciplina, através de um órgão representativo da própria profissão. O que eu penso é que não se torna necessário criar uma associação pública profissional obrigatória, tipo ordem, que é uma solução controversa e onerosa, fazendo todo o sentido aproveitar a Comissão da Carteira Profissional para esse efeito (se necessário mudando de nome), criando nela uma secção disciplinar, composta somente pelos jornalistas e eventualmente pelo juiz-presidente. Quanto a este, devo recordar que em vários países o conselho disciplinar das ordens é presidido por um magistrado, como sucede na França e na Alemanha, sem que isso seja considerado um atentado à autodisciplina profissional.
Subsistem duas questões em aberto: (i) se deve ser a lei a definir os deveres deontológicos e (ii) que organismo deve ser competente para aplicar as sanções.
Quanto à primeira questão, importa lembrar que a definição dos deveres deontológicos já consta da actual lei (alguns dos quais JMF critica) e que essa é a solução em vários estatutos legais das nossas ordens profissionais. Quanto à segunda questão, é a minha vez de concordar (como, aliás, já decorria do meu artigo) que a solução preferível é a autodisciplina, através de um órgão representativo da própria profissão. O que eu penso é que não se torna necessário criar uma associação pública profissional obrigatória, tipo ordem, que é uma solução controversa e onerosa, fazendo todo o sentido aproveitar a Comissão da Carteira Profissional para esse efeito (se necessário mudando de nome), criando nela uma secção disciplinar, composta somente pelos jornalistas e eventualmente pelo juiz-presidente. Quanto a este, devo recordar que em vários países o conselho disciplinar das ordens é presidido por um magistrado, como sucede na França e na Alemanha, sem que isso seja considerado um atentado à autodisciplina profissional.
Argumentos errados
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Vital Moreira
O argumento mais errado contra a candidatura presidencial de Soares é o da idade; e o mais errado a favor é o de que ele já tem experiência do cargo.
O argumento mais errado contra a candidatura de Cavaco Silva é o de que ele não tem perfil para o lugar; e o mais errado a favor é o de que o País precisa de um economista em Belém.
O argumento mais errado contra a candidatura de Cavaco Silva é o de que ele não tem perfil para o lugar; e o mais errado a favor é o de que o País precisa de um economista em Belém.
Parasitismo
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Vital Moreira
"São muitos os colégios que vivem do trabalho dos professores do ensino oficial. Por um lado, têm professores tarimbados, por outro, fica-lhes mais barato, pois não fazem descontos", explicou ao JN Teresa Maia Mendes, dirigente da Federação Nacional dos Professores (via O Jumento).
Depois dizem que as escolas privadas são mais económicas do que as públicas!...
Depois dizem que as escolas privadas são mais económicas do que as públicas!...
Distinções
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Vital Moreira
Há quem não distinga entre empreendimentos privados e parcerias público-privadas. Depois falam em "contradições" que só existem na sua cabeça. É evidente que os grandes investimentos em infra-estruturas, dado a sua grandeza e o seu risco, só são, em geral, atraentes para as empresas privadas em regime de parceria com o Estado.
E tudo se precipitou
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Vital Moreira
Subitamente, com a jogada combinada de Sócrates e Soares sobre a candidatura presidencial deste, tudo se precipitou na questão das eleições presidenciais. À esquerda a questão ficou portanto resolvida. Manuel Alegre hesitou e perdeu a oportunidade; Freitas do Amaral estava fora de jogo desde o início. À direita é evidente que Cavaco Silva não pode agora deixar de ser candidato também. É uma questão de brio e amor-próprio.
Os dados estão pois lançados. O resultado é imprevisível, naturalmente. Mas vai ser um combate de pesos pesados.
Os dados estão pois lançados. O resultado é imprevisível, naturalmente. Mas vai ser um combate de pesos pesados.
Concorrência desleal
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Vital Moreira
No seu artigo no Público da semana passada, Mário Pinto sugere que as escolas privadas deveriam fazer queixa contra o Estado por "concorrência desleal", por causa de este financiar as escolas públicas e não aquelas. Pela mesma ordem de ideas, as clínicas privadas deveriam fazer idêntica queixa, por causa de o Estado só financiar os hospitais públicos; e as companhias de segurança privadas deveriam também queixar-se da concorrência desleal da polícia; e os anarquistas e libertários, da concorrência desleal do Estado...
Ordens
Publicado por
Vital Moreira
Respondendo a uma carta publicada no Público por um dos líderes da organização pró-ordem dos professores, tenho a assinalar duas notas: (i) a primeira ordem profissional entre nós, a Ordem dos Advogados, foi criada num dos primeiros governos da Ditadura que precedeu e preparou o Esstado Novo, sendo depois integrada na organização corporativa juntamente com as demais entretanto criadas; (ii) a auto-regulação profissional não pressupõe necessariamente a existência de ordens, que são apenas uma das expressões daquela.
quinta-feira, 21 de julho de 2005
paradoxo metafísico ou uma grande chatice
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LFB
Esqueci-me de pagar a conta da TVCabo o que significa que, há mais de uma semana, não tenho net nem tv em casa. O divertido é, ao mesmo tempo que isto acontece, estar a apresentar um programa em directo na 2:, A Revolta dos Pastéis de Nata. Fazer televisão e não a poder ver. Restam-me os dvd's e, sobretudo, a Playstation. Graças a este paradoxo, estou prestes a levar o meu Benfica à final da Champions League. Não é que o Vieira tinha razão?
Correio dos leitores: Freitas do Amaral
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Vital Moreira
«(...) A direita não pode perdoar ao Ministro dos Negócios Estrangeiros a sua participação num Governo PS; a esquerda não lhe perdoa nem o seu passado nem a sua independência presente.
Uma entrevista notável -- nomeadamente na parte que se refere à política externa -- é transformada num acto de traição ao Governo e de candidatura à Presidência. Mas basta ler a entrevista na sua integralidade para se perceber que nada disso tem qualquer fundamento. Solidariedade governamental: repetidamente afirmada; mesmo quando há laivos de crítica, Freitas do Amaral apresenta-se como co-responsável pelos eventuais erros cometidos -- que se relacionariam, aliás, mais com a estratégia de comunicação do que com o conteúdo das medidas difíceis adoptadas pelo executivo. Candidatura presidencial: Freitas do Amaral não exclui a hipótese de se candidatar (e porque deveria fazê-lo) mas afirma claramente que esse assunto não é prioritário para si. (...) Por outro lado, não há qualquer inibição no apoio às medidas impopulares tomadas pelo Governo que são consideradas necessárias, justas e equilibradas. Tudo foi feito «com muita ponderação, conta, peso e medida»...
(...) Freitas do Amaral é um homem que tem um currículo que envergonha a maior parte dos seus actuais críticos. Seria, para mim, um excelente Presidente da República (e eu não teria qualquer dúvida em votar nele), como será um excelente Ministro dos Negócios Estrangeiros. O que espanta é que este país prefira certas nulidades a pessoas com passado, cultura e inteligência. Isso é que é o sinal da (falta de) qualidade das nossas elites (...).»
José Pedro Pessoa e Costa
Uma entrevista notável -- nomeadamente na parte que se refere à política externa -- é transformada num acto de traição ao Governo e de candidatura à Presidência. Mas basta ler a entrevista na sua integralidade para se perceber que nada disso tem qualquer fundamento. Solidariedade governamental: repetidamente afirmada; mesmo quando há laivos de crítica, Freitas do Amaral apresenta-se como co-responsável pelos eventuais erros cometidos -- que se relacionariam, aliás, mais com a estratégia de comunicação do que com o conteúdo das medidas difíceis adoptadas pelo executivo. Candidatura presidencial: Freitas do Amaral não exclui a hipótese de se candidatar (e porque deveria fazê-lo) mas afirma claramente que esse assunto não é prioritário para si. (...) Por outro lado, não há qualquer inibição no apoio às medidas impopulares tomadas pelo Governo que são consideradas necessárias, justas e equilibradas. Tudo foi feito «com muita ponderação, conta, peso e medida»...
(...) Freitas do Amaral é um homem que tem um currículo que envergonha a maior parte dos seus actuais críticos. Seria, para mim, um excelente Presidente da República (e eu não teria qualquer dúvida em votar nele), como será um excelente Ministro dos Negócios Estrangeiros. O que espanta é que este país prefira certas nulidades a pessoas com passado, cultura e inteligência. Isso é que é o sinal da (falta de) qualidade das nossas elites (...).»
José Pedro Pessoa e Costa
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