domingo, 26 de abril de 2020

Pandemia (13): O alívio não vai ser para todos


1. Se traçarmos uma curva sobre este gráfico de barras que mostra o aumento diário de novos infetados (cortesia de Rosalvo Almeida), obteremos uma imagem mais expressiva de como a epidemia cresceu abruptamente na fase inicial, até 31 de março, tendo depois entrado num "planalto" irregular, com uma lenta tendência para a descida do número casos diários, salvo a notória exceção do pico isolado de casos no dia 10 de abril.
Verifica-se, assim, que pandemia atingiu o seu pico bem antes da previsão inicial e a um nível compatível com a capacidade de resposta do SNS, o que revela o êxito das medidas de confinamento e do reforço dos meios dos serviços de saúde, em boa hora tomadas.

2. Mas a resistência da curva a "quebrar", mais de três semanas passadas sobre o declaração do estado de emergência, mostra que a pandemia está para durar, num nível relativamente elevado de contágio, e que o desconfinamento pode trazer um sério risco de subida de novos casos de infeção e de mortes diárias.
Sendo imperioso reabrir a economia, não se pode, porém, deixar de manter sob controlo a evolução da pandemia -, um equilíbrio dificil, que vai pôr à prova a capacidade de monitorização e de gestão da crise pelo Governo. O alívio das restrições económicas e sociais, há que reconhecê-lo, não vai ter reflexo no plano político e governativo...