Quando a parceria económica recentemente celebrada com o Mercosul ainda não está em vigor, e a UE consegue concluir mais um acordo cuja negociação se arrastava há anos, desta vez com um país em plena pujança económica, nem mais nem menos que a Índia, criando a maior "zona de comércio livre" até agora existente - que já se designa como "a mãe de todos os acordos comerciais" -, unindo o maior mercado interno do mundo (a UE) com o mais populoso país do mundo (a Índia).
Como já sucedia com o caso do Mercosul, não se trata somente de abrir novos mercados às empresas da UE, e vice-versa, mas de responder aos diktats tarifários de Trump contra a "ordem económica sujeita a regras", sob a égide da OMC, de que a UE e a Índia são dos mais fiéis defensores.
No novo quadro geo-estratégico criado pela deriva protecionista e neoimperialista de Trump, a União responde com o reforço do seu poder económico e da sua presença na cena internacional, estabelecendo novas parcerias económicas e políticas à margem de Washington.