Professor da FDUC, J. M. Cardoso da Costa esteve desde cedo ligado ao sistema de fiscalização central da constitucionalidade da CRP: membro da Comissão Constitucional (1981-83), membro e depois presidente do TC em vários mandatos (1983-2003), autor de vários estudos sobre a fiscalização da constitucionalidade e sobre a jurisprudência constitucional, é também membro fundador e, durante muito tempo, foi presidente da Associação Portuguesa de Direito Constitucional.
Ninguém, como ele, ostenta entre nós esta duradoura ligação institucional à justiça constitucional estabelecida pela CRP em 1976 e revista em 1982, que tem sido um esteio essencial do Estado constitucional por ela instaurado.
2. Aproveito para juntar a esta homenagem institucional o testemunho da minha admiração pessoal e intelectual por J. M. Cardoso da Costa.
Situados em quadrantes políticos bem distintos, nunca deixámos que isso perturbasse uma relação de amizade e respeito mútuo, na academia e fora dela, desde que, no final dos anos 60 do século passado, compartilhámos a condição de assistentes do Professor Afonso R. Queiró. A vida voltou a reunir-nos mais tarde na primeira formação do Tribunal Constitucional (1983-1989), que recordo com orgulho e emoção, em que ambos nos empenhámos, sem prejuízo das nossas diferenças doutrinárias, em conferir ao TC o prestígio e a confiança pública de que hoje goza.
O acaso fez com que fôssemos vizinhos em Coimbra, o que nos permite, ocasionalmente, trocar impressões e refrescar a nossa grata experiência nas duas instituições públicas a que ambos devemos muito do que somos: a FDUC e o TC.
Os meus parabéns por esta grata homenagem.
